Ter, 27/02/2007 - 10:29
Nessa altura, tudo era diferente naquela localidade do concelho de Mirandela. Natália Calisto conta que trabalhou na parte da rotulagem dos produtos durante 34 anos, mas quando a empresa começou a entrar em crise foi despedida. “Choramos muito. Tínhamos os filhos para criar e trabalhava eu e o meu marido no complexo. Ficamos sem nenhuma fonte de rendimento, porque aqui não há emprego”, recorda esta habitante.
Nesta situação ficaram dezenas de famílias, muitas delas vindas de outros pontos do País para trabalharem no Complexo Agro-Industrial. A vaga de despedimentos obrigou os desempregados a mudarem de rumo e partirem, novamente, em busca de outras fontes de rendimento.
“Aqui não havia mais nada. Por isso, uns foram para Mirandela e outros, os mais jovens, emigraram”, afirmou Natália Calisto.
Em 1993, o complexo encerrou completamente e as cerca de 300 pessoas que restavam tiveram que encarar o drama do desemprego.
Apesar de algumas fábricas terem voltado a laborar, o complexo funciona, apenas, a meio gás
Apesar das causas do fracasso do Complexo Industrial do Cachão não terem sido explicadas à maioria dos trabalhadores, sabe-se que, na base do encerramento esteve a insolvência da empresa que geria o complexo.
Recorde-se que este projecto nasceu em 1964, impulsionado por Camilo Mendonça, que pretendia valorizar e expandir as produções agro-pecuárias regionais, através da sua transformação industrial, possibilitando a sua rentabilização.
O movimento e o progresso tomaram conta do Cachão durante o funcionamento das diversas fábricas, pelo que foi criado um bairro, conhecido por Vila Nordeste, para acolher as pessoas que trabalhavam na localidade. Apesar da partida de alguns habitantes, a maioria das casas continuam habitadas por quem, por amor à terra, decidiu ficar.
Embora tenha conseguido um emprego na localidade, Natália Calisto afirma que o melhor que podia acontecer era o Complexo voltar a funcionar em pleno e devolver a alegria e o movimento à localidade.
“Antes havia muito movimento, muitas crianças… Via-se muita gente. Agora é muito triste”, desabafa a habitante.


