Ter, 08/01/2008 - 10:06
Para já, o estudo efectuado para a construção da albufeira, disponível na página da Internet do Instituto Nacional da Água (INAG), baseia-se na cota de 200 metros, o que compromete a linha do Tua em cerca de 35 quilómetros. “Com esta cota o caminho-de-ferro não vai além do Cachão”, constata o autarca.
O mesmo documento refere, ainda, que há interesse em minimizar a interferência da albufeira com a linha férrea, o que poderá levar à descida da cota. A hipótese dos 170 metros salvaguarda parte do troço a norte da estação de Brunheda, reduzindo, assim, a inundação para os 15 quilómetros. No caso de se optar pelos 160 metros as carruagens do metro de Mirandela podem circular até à estação de Santa Luzia, ou seja numa extensão de mais sete quilómetros em relação à solução anterior.
A adopção de cotas mais baixas, contudo, “reduzirá a potência a instalar e a energia produzida pelo aproveitamento”, conclui o mesmo documento.
Investimentos efectuados pela REFER comprometidos com a construção do empreendimento hidroeléctrico
Perante este cenário, o edil mirandelense afirma que qualquer uma das cotas vai comprometer o futuro do último troço de caminho de ferro da região, visto que a interrupção da ligação ao litoral vai ditar o fim deste meio de transporte em Trás-os-Montes. Ou seja, a submersão de parte da linha afastará os turistas, que entravam em Mirandela e aproveitavam para visitar o Douro e seguir até ao litoral, ou aqueles que faziam a viagem no sentido inverso, contemplando a beleza das paisagens naturais.
Recorde-se que a ligação à linha do Douro e ao litoral era feita na estação de Foz Tua, que fica comprometida com qualquer uma das cotas estudadas para o empreendimento.
A construção da albufeira, contemplada no Plano Nacional de Barragens, põe ainda em causa os investimentos feitos pela REFER para revitalizar a linha no troço danificado no acidente de 12 de Fevereiro de 2007.
Após a reparação da linha, a viagem entre a Brunheda e o Tua continua interrompida, visto que a empresa responsável pela empreitada ainda está a implementar as medidas de segurança recomendadas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.


