Ter, 13/03/2007 - 10:07
A diminuição do número de alunos vindos de fora para estudar no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) é, na óptica de algumas imobiliárias bragançanas, um dos motivos que está a contribuir para a quebra do negócio neste sector.
Segundo Eugénia Melgo, responsável da imobiliária Último Pilar, em finais de Outubro ainda havia muitos apartamentos vazios, uma situação que a empresária explica com a diminuição do número de estudantes na cidade.
“Com a vinda de alguns alunos através dos projectos de Erasmus ainda conseguimos preencher muitas vagas a partir de Novembro”, salienta a empresária, acrescentando que são as habitações que oferecem menos condições que se encontram desocupadas.
O vasto leque de oferta no sector imobiliário possibilita aos estudantes a escolha de casas com melhores condições, deixando de parte as construções mais antigas, mesmo oferecidas a preços mais baixos.
“A maioria prefere pagar mais e ter boas condições. As habitações mais procuradas são aquelas que têm aquecimento central”, sublinhou Mavilde Pinto, responsável da imobiliária Multiconfiança.
Estudantes procuram apartamentos com boas condições e põem de parte as construções mais antigas
Na lista de escolhas estão, ainda, os T1 e T0 em construções recentes, uma vez que os jovens preferem a privacidade e evitam partilhar a residência com outras pessoas.
Jorge Afonso, proprietário da imobiliária Predidomus, afirma que verificou uma redução na procura de quartos na ordem dos 80 por cento. “Não tenho notado que há menos procura ao nível de casas para arrendar, mas sim que os alunos estão mais exigentes”, sublinhouo empresário.
Na óptica do presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, a quebra no sector imobiliário não se deve só à diminuição do número de alunos, mas também ao excesso de oferta que se verifica em Bragança.
Este ano, o instituto conseguiu cativar cerca de 6 mil alunos, o que, segundo Sobrinho Teixeira, representa um aumento de mil estudantes face ao ano anterior. Contudo, cerca de 600 ingressaram através do programa Maiores de 23 e já são residentes no distritode Bragança.
Perante a estagnação do número de alunos, o presidente do IPB afirma que vai continuar a apostar no ingresso dos estudantes através da via normal, alargando o público alvo ao Brasil e aos PALOP.
“É mais barato estudar em Bragança do que numa universidade privada em Angola e isso terá repercussões na vinda desses alunos para cá”, concluiu Sobrinho Teixeira.


