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Ano Novo, Novela antiga

Ter, 08/01/2008 - 10:54


A época festiva chegou ao fim. O Natal passou com um cheirinho de neve e frio quanto baste e o final do ano foi vivido intensamente, como é habitual, nunca se sabe bem se para deitar fora tudo o que não prestou desse ano ou se para exorcizar os males do ano novo e as mentes desanuviarem, deitando fora os maus pensamentos e esquecerem as falsas promessas.

Nesta quadra festiva, como é habitual, toda a gente encheu a boca de desejos e votos de paz e felicidade. E toda a gente desejou um ano novo repleto de coisas boas e que seja sempre melhor que o ano anterior. Tudo normal, tudo habitual, tudo repetitivo. Mas será que isso muda alguma coisa? Não. Definitivamente, não.
Seja como for, as pessoas sentem-se bem ao desejar sempre algo de melhor e esperam que alguma coisa aconteça nesse sentido que venha a justificar esses desejos. Faz parte do ser humano e também é verdade, temos de acreditar em alguma coisa mesmo que nunca se cumpra e nunca aconteça.
O ano de 2008 começou como todos os outros anteriores. Desenganos, confronto com realidades não esperadas, subida do custo de vida, guerras e mais guerras, ambições e ódios desmedidos, um pouco por todos os lados. Portugal não fugiu à regra. Muito embora o senhor Presidente da República tivesse vindo a terreiro puxar as orelhas ao governo, o certo é que também lhe deu alguns louvores, menos importantes, mas deu. O governo logo veio reafirmar o seu sentido de Estado e reafirmar o rumo certo do porvir. Pelos visto nada mudou. Vieram reafirmar o bom caminho das contas do Estado, a contenção necessária de despesas a todos os níveis, afirmar uma inflação não superior a 3%, a confirmação da manutenção dos níveis económicos exigidos por Bruxelas etc.. Se alguém estava à espera de outra coisa, enganou-se. Mas como se isto não bastasse e as promessas falhassem logo no início, o governo brindou-nos com subidas de preços de bens essenciais, como pão e o leite, um quadro económico instável onde os aumentos de salários continuam a não combater a inflação e o poder de compra dos portugueses continua a diminuir. Parece que o quadro continua a ser pintado com as mesmas cores do anterior.
Por outro lado, também sabemos o que se está a passar no resto do mundo e que influencia as economias dos diversos países. Sabemos que o barril do petróleo subiu e atingiu o seu valor mais elevado, o que vai contribuir para a subida dos combustíveis. Isto quer dizer que a gasolina e o gasóleo não tardam a juntar-se aos bens que subiram neste início de ano. Mas não nos enganemos, pois isto não fica por aqui. De facto, logo que os combustíveis subam, sobem também os transportes e por sua vez todos os bens transportáveis. Quer isto dizer que volta a subir o pão, o leite e todos os outros produtos que fazem parte do dia-a-dia dos portugueses, como a roupa e o calçado, etc. Algo de novo? Não.
De facto, no mundo ou em Portugal, o que se passa é idêntico ao que se passou no ano anterior, ou seja, tudo se mantém. Apenas umas pequenas nuances, próprias de cada país, como é o caso da descida do valor do dólar nos EUA e que se reflecte na economia portuguesa e não só, como sabemos.
Mas em Portugal há outras vertentes que poderão mudar, principalmente no governo. Fala-se que vai haver mexidas ministeriais. Será certo? Isto também não foge à regra, já que em outros governos e no início de cada ano, também se processaram remodelações governamentais. O caso é quem se vai retirar? Será que é o ministro da economia? Se calhar não era mau! Será o ministro da Saúde? Com tanta contestação, seria normal. Será o ministro da Justiça? Afinal os advogados e juízes, não estão nada contentes! Será a ministra da educação? Quem nos dera! A ver vamos, mas tenho a impressão que mude-se o mudar, tudo continuará na mesma. Para haver alguma mudança, deveria mudar o Primeiro-ministro! Pois é, mas mesmo assim, não sei se o rumo seria outro. Falar é fácil, mas agir… Os actores são os mesmos e a novela continua a ser a mesma.
Desejar, desejamos sempre melhor, mas este ano começa mal. Se realmente não melhora, vamos continuar a ter as mesmas promessas falhadas, a enfrentar os mesmos desagravos, a ter os desencantos de quem já não acredita em nada e ter somente uma ténue esperança em dias melhores, porque isso é intrínseco dos portugueses. A esperança é sempre a última a morrer!