Ter, 29/05/2007 - 10:28
As gatas são animais que fazem vários cios (poliéstricas) sazonais, estando, pois, dependentes da época do ano. Nas zonas temperadas, no hemisfério norte, a época do cio começa normalmente em Janeiro/Fevereiro e termina entre Setembro e Outubro. Uma gata doméstica atinge a puberdade (primeiro cio) depois de alcançar 80% do seu peso corporal (2,3-2,5 kg), o que acontece por volta dos 6-9 meses.
A duração média do cio nas gatas é de 3 a 10 dias, com intervalos de 2 a 3 semanas, portanto existem vários cios ao longo da época reprodutiva.
Os donos (ou os vizinhos) notam logo que a sua gata entra em cio, pois existem alterações de comportamento, vocalização (miam) frequente (que não deixa ninguém dormir! …), maior agitação e agressividade, vontade de sair de casa e de urinar mais vezes e necessidade de se roçar vagarosamente nas nossas pernas, ….
Nas cadelas o momento do primeiro cio depende muito da raça e do tamanho do animal. As raças pequenas têm o primeiro cio mais cedo do que as grandes, pois, normalmente, o de uma cadela pequena ocorre entre os 6 e 10 meses, enquanto que o de uma cadela grande pode ocorrer entre os 12 a 24 meses. Este primeiro cio pode ainda ser silencioso, ou seja, não detectável pelo dono. As cadelas são diferentes das gatas, não estando o seu cio dependente da estação do ano. Têm habitualmente dois cios por ano, com intervalo médio de 5 a 11 meses. De notar que na fase inicial do cio (proestro) começa a surgir um corrimento hemorrágico, existindo atracção dos machos. Esta fase dura 6 a 11 dias, findos os quais se entra na fase de cio propriamente dita, em que a cadela já aceita o macho, e que tem uma duração média de 5 a 9 dias. O período total do cio dura em média 15 a 21 dias.
É de referir, por curiosidade, que as gatas tal como as cadelas não entram em menopausa, como acontece nas mulheres, o que acontece é que nas fêmeas mais idosas, os cios podem ser menos frequentes, a sua fertilidade diminui, têm ninhadas mais pequenas, e além disso, as complicações durante o parto são mais comuns.
O controlo reprodutivo dos nossos animais domésticos, particularmente da população canina e felina, é um tema que preocupa muito os donos, mas que não é indiferente à comunidade em geral. Todos nós nos preocupamos com o excesso de cães e gatos vadios ou errantes na rua e com as consequências daí resultantes, quer no capítulo da Higiene e Saúde Pública, bem-estar animal, mas também na própria segurança e qualidade de vida dos cidadãos.
No que respeita ao controlo reprodutivo, tanto nas gatas como nas cadelas, existem duas opções: o controlo hormonal e a cirurgia.
1. Controlo hormonal: tem um custo mais reduzido, é reversível e a qualquer momento a cadela ou gata pode retomar a actividade reprodutiva. Tem como principais desvantagens o maior risco de infecções uterinas e de tumores mamários e como consequência a menor esperança de vida.
2.A Cirurgia (Esterilização): tem como principais vantagens, a diminuição do risco de desenvolvimento de tumores mamários (se a cirurgia for feita antes do 3.º cio), eliminando também os principais problemas do aparelho reprodutor, nomeadamente a ocorrência de quistos ováricos e de infecções uterinas. Tem como desvantagem o custo mais elevado e os riscos inerentes à cirurgia/anestesia, que no entanto são mínimos num animal saudável.
Dra. Filipa T. Rodrigues



