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Animais com Companhia

Ter, 24/04/2007 - 10:50


As questões relacionadas com os animais de companhia constituem um motivo crescente de interesse por parte da população em geral. Hoje falar-se em direitos e bem-estar animal já não desencadeia desdém e ironia como acontecia noutros tempos.

À semelhança do que acontece com o Homem, questões como a “dor” têm toda a actualidade e requerem uma atenção particular por parte dos profissionais Veterinários.
O abandono de animais de companhia tem constituído um dos temas recorrentes de artigos de jornais e campanhas de sensibilização que têm sido realizadas um pouco por todo o lado. O facto de existir actualmente um quadro legal que pune de forma pesada, desde que seja provado, o abandono de um animal, com coima mínima de 500,00 euros, ainda não é suficientemente dissuasivo. Uma plena efectivação e penalização legal carece da existência de um método fiável de identificação, o Microchip ou identificação electrónica, que só será obrigatório para todos os canídeos a partir de 2008. Actualmente esta identificação electrónica só é obrigatória para os cães de caça e raças potencialmente perigosas.
O abandono de animais não atinge somente os cães e os gatos, também outras espécies são alvo de abandono na nossa região, veja-se o exemplo dos Equídeos e, em particular, o dos Burros, que são frequentemente abandonados depois de uma vida inteira de trabalho. Ressalvo aqui o empenho da Associação para a Protecção do Gado Asinino, com sede em Miranda do Douro, que tem tido um trabalho meritório na preservação da raça dos Burros Mirandeses, única autóctone em Portugal, e que agora presta também um apoio social a estes animais, recolhendo-os em final de carreira e abandonados para um santuário de burros, ao qual alguém terá já chamado de forma antropomórfica “Lar da Terceira Idade” !

Com a chegada da Primavera trazemos para informação dois temas de época:
1. Leishmaniose, uma zoonose, isto é, uma doença que se pode transmitir ao Homem e que é vulgarmente conhecida como a “Doença do Mosquito”. A incidência nos cães tem vindo a aumentar na nossa região e ao facto não é estranho o fenómeno climático do “ Aquecimento Global”, com tradução no aumento das temperaturas médias e, consequentemente, uma melhor adaptação do vector, um pequeno mosquito, chamado flébotomo.
Dada a inexistência de uma vacina para a prevenção da doença, aconselhamos que sejam tomadas medidas preventivas para evitar o contacto com o dito mosquito. Recomendamos a utilização de insecticidas específicos no animal e também no ambiente envolvente, mediante indicação do Médico Veterinário assistente. A recolha dos cães durante o período da noite para local fechado é também recomendada, dado ser este o período em que o mosquito está mais activo;
2. A lagarta do Pinheiro ou Processionária, uma das pragas que surge nesta época, como resultado da forte infestação dos pinheiros da nossa região. Na cidade de Bragança existem bairros problemáticos, como é caso do Bairro São Tiago, onde os pinheiros existentes estão todos infestados. Aqueles “novelos” brancos que costumamos ver nos ramos dos pinheiros, são os ninhos das processionárias, que, quando as condições climáticas são favoráveis, com o aumento das temperaturas médias, descem então das árvores em fila única, tipo procissão (daí o nome de processionária), em direcção ao solo, onde se irão mais tarde enterrar, para posteriormente se transformarem em borboletas, que por sua vez irão infestar novos pinheiros, fechando assim o seu ciclo de vida.
Estas lagartas possuem no seu dorso pequenos pêlos, com toxinas responsáveis por severas reacções alérgicas tanto nos animais como no Homem. Nos cães são comuns as reacções alérgicas, envolvendo a zona da cabeça e, em particular, a língua e os lábios se houver contacto ou ingestão, resultando em forte inflamação, salivação abundante e dificuldade respiratória. Nesta fase é muito importante a intervenção pronta do Médico Veterinário assistente.

Duarte Diz Lopes
Médico Veterinário