Ter, 06/05/2008 - 11:17
A ideia passa por construir mais alimentadores, em locais onde os agricultores possam depositar as carcaças dos animais que morrem nas suas explorações, e, ao mesmo tempo, manter a comunidades de aves necrófagas existentes no PNDI.
Estes equipamentos são locais vedados para que não possam entrar predadores e estão localizados em pontos estratégicos. Estes locais foram definidos tendo por base os sítios onde os pastores e produtores de gado costumavam depositar os animais mortos.
Todas as carcaças que ali são depositadas têm obrigatoriamente de passar por controlo veterinário.
“Estes equipamentos vão permitir que os abutres e outras aves necrófagas possam dispor de alimento, tendo em conta um conjunto de restrições sanitárias em vigor na União Europeia. A legislação criada ao longo dos anos visa combater casos como o da doença das vacas louca”, o biólogo do PNDI, António Monteiro.
Devido a este conjunto de restrições, os abutres que nidificam na área do PNDI poderiam correr risco de extinção caso não fosse implementada esta rede de alimentação. Este tipo equipamento vai ajudar, igualmente, a população agrícola dos concelhos a mater as práticas agrícolas em relação ao cumprimento da lei.
Os alimentadores já existentes estão localizados em Picote, Poiares (onde está o alimentador de abutres mais antigo do País) e Almofala. Agora, a construção de mais dois alimentadores está prevista para a zona norte do concelho de Mirada do Douro e para as Arribas, junto a Bruçó, no concelho de Mogadouro.
Esta necessidade prende-se com a ameaça que paira sobre o Britango, também conhecido como “Abutre do Egipto”, uma espécie de ave necrófaga que se encontra ameaçada. No PNDI estão contabilizados cerca de 130 casais.
Estes espaços foram desenvolvidos em parceria com cada município, mas pretende-se alargar a participação nesta iniciativa a associações existentes na área do PNDI.
“ Os espanhóis, através da Junta de Castela e Leão, estão a proceder em consonância na área do Parque Natural das Arribas del Duero. Visto que esta área é paralela ao PNDI, temos que funcionar em rede, uma vez que as aves não reconhecem fronteiras. Os locais têm de ser espalhados para estes animais não se tornarem domésticos, já que corriam o risco de se alimentarem sempre no mesmo sítio”, explicou o técnico.


