Ter, 06/05/2008 - 11:36
Há já muito tempo que ouvimos falar também em pormenores que podem contribuir para melhorar as nossas vidas e contribuir para, de algum modo, se prolongar a vida do planeta. Apesar de tudo isto pouco se tem feito a nível global e continuamos a ter muitos países preocupados com o seu próprio umbigo.
Hoje, a partir do Fundão, Guterres fez uma afirmação que pôs toda a gente de sobreaviso e que foi, de imediato, artigo de primeira página de quase todos os noticiários. O Mundo está à beira de mais uma crise profunda se nada se fizer urgentemente para a evitar. Países pobres vão passar muita fome e os produtos alimentares vão aumentar muitíssimo contribuindo para agravar toda a situação. Há que olhar para o Mundo de uma forma diferente, dizia Guterres. O alerta ficou e bateu fundo em todos quantos o ouviram. Nós já estamos habituados a ouvir estes avisos, pois a crise instalou-se aqui há algum tempo e nada mais fazemos do que combatê-la como podemos. Mas com que armas?
O primeiro-ministro tenta animar a população esgrimindo números e percentagens que vão ao encontro da convergência europeia, mas não explica como é que isso se consegue. E será que se consegue? A esperança é a última coisa a desaparecer!
Portugal não passará pela crise a que aludia Guterres, segundo o ministro da agricultura. Isto porque está inserido numa grande comunidade que é a europeia e esta produz mais do que o necessário em termos alimentares. Não sei se isto me descansará?!
O que me preocupa sinceramente é o modo da afirmação. Ele foi peremptório. A fome atingirá o Mundo inteiro e os países mais pobres sofrerão mais com ela devido à falta de condições naturais para a agricultura. Alguns países africanos e asiáticos, se nada se fizer entretanto, vão ver muita gente morrer com fome. Isto parece uma afirmação surreal, mas infelizmente não é.
Na verdade, em pleno século XXI, uma crise económica até pode ser justificável, mas uma proliferação da fome devido ao elevado custo dos alimentos e ao aumento do custo dos combustíveis, parece-nos algo ultrapassado e faz-nos recuar muito no tempo para encontrar vivências parecidas. E até trememos quando nos lembramos do que aconteceu no século XIV após a grave crise económica e social com que se enfrentou a Europa. Contudo, a Europa soube ultrapassá-la! A que preço?!
Hoje, nada justifica o aumento dos combustíveis, a não ser, obviamente, a ganância dos impostos que entram para os cofres do Estado, seja ele qual for. Há hoje mais petróleo do que havia há 20 anos atrás. Então que razões levam a que o seu preço suba cada vez mais?
Sabemos o que pode contribuir para isso a situação de guerra que se vive em muitos países e sabemos que os países árabes tentam controlar o abastecimento de petróleo e o custo do barril, mas também sabemos que os árabes necessitam vender o seu petróleo para poder sobreviver, já que nada mais possuem a não ser areia na maior parte dos seus países. Então algo está mal certamente para traçarmos cenários tão péssimos para um mundo em progresso.
De uma coisa tenho a certeza. Ou, de facto, os países tomam consciência do mal que fazem uns aos outros quando agem de modo egoísta, ou alguns vão sofrer na pele a mais dura crise dos últimos cinquenta anos. Nem todos os Bancos para combater a Fome serão suficientes para debelar tal facto. Morrem hoje centenas e centenas de crianças por dia com fome e doenças dela derivadas. Pouco se tem feito para ultrapassar essa realidade. O peso dos países ricos é tremendo quando postos na balança económica. E não basta dizer que os países da Europa estão livres da fome só pela simples razão deste espaço ser um grande espaço económico que produz mais do que o suficiente em termos agrícolas. Isso só pode descansar as mentes mais rígidas e menos sensíveis de alguns ministros e políticos para quem, os que sofrem e morrem em África e no Oriente, nada mais são do que números de uma estatística global.
Portugal pode não vir a sentir a crise de fome de que se fala, mas muitos aqui já passam fome ainda antes de se falar nela e muitos outros vão senti-la se continuarmos a sofrer uma crise económica como a que temos vindo a sentir. É bom que os países que podem resolver esta situação se unem e concertem ideias e medidas a tomar para que definitivamente se acabe com a fome no Mundo. Os produtores de arroz já começaram. E os outros?


