Ter, 29/04/2008 - 12:25
Em tempos não muito distantes, na minha geração (a da útil, necessária e obrigatória PGA) havia, apesar de tudo, um sentido hierárquico dos termos.
A Professora merecia-nos respeito, os alunos, exceptuando um caso pontual (que sempre houve, e nunca desaparecerá nas brumas do tempo), respondiam com urbanidade ao trato exigível, não apenas pela circunstância de se tratar de alguém que nos transmitia o saber, mas também porque era mais velho.
A isto, creio eu, o dicionário de português de Portugal chama: respeito, ou, prosaicamente, urbanidade.
Perguntar-se-á o que entretanto mudou?
Quase apetece dizer que há 34 anos passou-se do 24 para o 25 de Abril para... cumprir calendário!
As mutações foram muitas, e as razões para se transformarem alguns sectores em autênticas pastagens, foram corolário dos ventos que entoavam desde o Chile!...
O que mudou, foi, para além do excessivo prolongamento do PREC, e outros quejandos pormenores, o espectro político-paridário.
A partir dos anos 90, sensivelmente, o contínuo crescimento de partidos que banalizam a linguagem politica, incendeiam a opinião pública com mensagens que muitas vezes apenas ajudam, sob o lema de “temas fracturantes”, como se de ortopedia se tratasse, a desvirtuar conceitos como autoridade e hierarquia, deu nisto.
Para além desta metamorfose, houve, claro está, outras, designadamente: a banalização de programas de televisão com conteúdos, linguagens e comportamentos completamente desviantes;
as alterações aos conteúdos programáticos de determinadas disciplinas, nomeadamente o português, já que, ao se expurgarem determinados autores, obras e conteúdos, contribuiu-se para que desaparecessem referências, impedindo assim que imberbes amadureçam intelectualmente e no campo dos comportamentos!
Paralelamente, virgens pudicas do sistema provocaram convulsões pasmódicas porque, e bem, o Procurador-Geral da República manifestou-se de forma brilhante; porque, e bem, o MP investiga se há condições para aplicar correctivos penais aos jovens do Carolina.
Estamos, mais uma vez, perante um movimento de opinião que não quer que se cumpra o Código Penal na aplicação de sanções que o mesmo prevê.
Mas este País das Maravilhas não pára de nos surpreender:
Mas alguns indígenas “teen’s” que cabem no prolongamento desvirtuado da “geração Skip, é bom sujar-se”, não têm com o que se preocuparem. Os professores, passarão a estar mais seguros.
O ME (Ministério da Educação) vai, pelos vistos, enviar para as escolas brigadas de mediadores de conflito!
Eu, por mim, avançava com a astróloga Maya.
Já estou a ver os títulos dos jornais: “Ministério da Educação dá Cartas!
A Culpa morre solteira: Antigamente, supostamente em tempos idos, as moçoilas ambicionavam o dia em que entravam na Igreja, vestidas de branco, véu e grinalda, para soltarem o célebre Sim!
O governo luso, que está muito mais além, quer, aparentemente, inverter a ordem natural das coisas.
Pretendem dar a cada cidadão e cidadã o sonho de se dirigirem a uma conservatória e dizerem: sim, divorcio-me, prometo estar longe na doença e nas desgraças, e não te amar até ao fim da minha vida!
Almas iluminadas, pretendem retirar a “culpa” no divórcio. Não discuto as repercussões mais jurídicas que o afastamento da culpa traz consigo (nomeadamente as consequências nos regimes de divórcio), mas podemos discutir o que sucede, por exemplo em cenários de violência doméstica: a vítima divorcia-se sem que daí advenha qualquer sensação para o agressor! Questionar-se-á a pertinência das campanhas contra a violência


