Ter, 29/04/2008 - 12:24
O homem não resiste à pantalha televisiva, vai a todas – caso alguém lhe perguntasse opinião sobre a crise da gravata logo prometeria acção dura e punitiva, o mesmo em relação à definição do ronco via ressono ou ainda acerca do nome do motorista do Sr. Joe Berardo. Ele é assim, sendo-o, quando presume estar a esgotar-se a possibilidade de ser notícia logo inventa uma causa, quase sempre cómica, como é o caso dos brindes vendidos nos cafés, pastelarias e outras lojas nas quais se compram géneros e os meninos tentam a sorte de modo a levarem um ovo de chocolate para casa. Deixem-me fazer-vos uma confidência: quando tomo refeições nos restaurantes consigo sempre uma dose suplementar de gargalhadas e largos sorrisos ao ouvir relatos das intervenções dos homens da ASAE, ou então quando os convivas comentam as suas actividades, especialmente quando aparecem encapuzados a imitarem os Rambos, dando uma péssima imagem do País, pois aqueles capuzes fazem pensar estarmos num território no qual os terroristas podem atacar a qualquer hora e momento. Os polícias ASAE não enfrentam tenebrosos bandidos, kamikazes capazes de tudo, nem homens-bomba, à frente deles aparecem vendedores ambulantes especialistas em imitações, mixordeiros e gente sem hábitos de higiene pessoal e profissional. Estes homens e mulheres merecem ser punidos de acordo com a lei, não podem ser confundidos com sequestradores a soldo de fundamentalistas ou criminosos de primeira plana capazes de tudo. Mal vai um povo quando os seus polícias escondem o rosto ao actuarem nas ruas, nos mercados, nos restaurantes ou locandas de todo o género. Na Bragança de outrora a rapaziada gostava de exibir os seus troféus – o neto do Sr. Sacho – tinha moedas e gastava-as alegremente furando o corpo de jogadores de futebol. Um dia mostrou-me uma grande tablete de chocolate obtida porque tinha furado o olho direito do Costa Pereira. Larguei-o apressadamente, corri em direcção à casa de petiscos do Sr. António Júlio, despedi-me dos dez tostões e ao verificar que o famoso guarda-redes do Benfica possuía os dois olhos – não hesitei – furo convincente na vista direita – bolinha premiada. Chocolate para cá! A boa-nova espalhou-se, percorremos os cafés, tabernas e estabelecimento onde existiam os furos, nem a tia do João Hortas escapou, para nosso azar verificámos que o grande “goleiro” estava cego, dos dois olhos. Este episódio é apenas a ilustração de um acto longe da suposição de ser um jogo de azar, de resto havia sempre prémio – chocolates grandes não, mas os fiscais da ASAE não pensam desta forma. Olha se eles vissem um triciclo cheio de cones para serem cheios de sorvete! Era assim nessa época – o Sr. Leal de casaco branco e limpo, a troco de uma moeda cinquenta centavos, um escudo, cinco “croas” adoçava-nos a boca e lambuzava-nos os beiços. Agora, estava bem tramado o amável Leal.
P.S.: A ASAE tem muitos aspectos positivos na sua acção. Entenda-se!


