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Teatro Mirandês na Internet

Ter, 29/04/2008 - 12:14


Em www.ceamm.no.sapo.pt, investigadores e grupos de teatro têm, pela primeira vez, ao seu dispor um conjunto de 30 textos (designados por cascos) do Teatro Popular Mirandês (TPM). Recolhidos ao longo da vida do investigador António Mourinho, estes documentos integram uma iniciativa que partiu do Centro Estudos António Maria Mourinho (CEAMM), em Miranda do Douro, que quer colocar à disposição de todos esta peculiar forma de representação, garantindo a sua continuidade.

É desconhecida a origem de alguns dos cascos, já que, muitas das vezes, eram registados a partir dos relatos dos “regradores” (termo utilizado pelos mirandeses para designar o ensaiador), sendo provável que António Maria Mourinho os tenha copiado e devolvido aos seus legítimos donos.
O TPM é uma manifestação etnográfica com características únicas e muito interessantes, que se assemelham ao antigo teatro ritual. O texto assume um papel preponderante, já que os actores, em muitos casos, se limitavam praticamente a “recitar” a sua parte, tornando mínima a sua movimentação.

Mirandeses representavam usos e costumes das gentes nas suas próprias aldeias

As representações, que os mirandeses chamam de “colóquios”, decorriam em ambiente rural com um “público familiar”. Nestas iniciativas, apelava-se à vivência das pessoas, usos e costumes de cada localidade, onde se cruzava uma tocata composta por três emblemáticos instrumentos do folclore local: gaita-de-foles, caixa de guerra e bombo.
“O TPM move-se num universo entre o fantástico e real, não se podendo e falar de lugar ou tempo, já que os anos se sucedem em pouco segundos, se necessário. O simbolismo assume, desta forma, a primazia num convite à imaginação”, assumem alguns investigadores.
Mas o TPM mirandês não é exclusivo da Terra de Miranda. Dada a proximidade geográfica com Espanha, também ali se representam os colóquios a partir de cascos originais e, por vezes, muitos semelhantes, em que se cruzam expressões em castelhano, português e mirandês.
Segundo o director do CEAMM, António Bárbolo Alves, estes textos constituem uma das mais valiosas e profundas manifestações culturais da identidade mirandesa.
“Continuamos sem resposta para as muitas questões que estes textos nos colocam, nomeadamente em saber a razão porque se conservam e foram representados ao longo de vários séculos até aos nossos dias”, observa o investigador e linguista.
Estes cascos são um bom exemplo da vitalidade que a língua mirandesa teve noutros tempos e, por este motivo, urge investigar as várias razões da existência do TPM e o papel em tão particular cultura, como a da Terra de Miranda.