Ter, 22/04/2008 - 10:51
Esta obra, apresentada no passado sábado, representa um conjunto de flashes etnográficos, que são consequência da relação das pessoas com o meio, uma tradição que se tem vindo a perder ao longo do tempo. “Algumas das pessoas que são referidas nestas histórias já morreram, uma vez que remontam a tempos mais ou menos longínquos. Além disso, representam uma identidade de grupo, visto que identificam as pessoas como pertencentes a uma determinada comunidade”, explica Luís Vale.
Este livro inédito surgiu no âmbito do programa “Jovens em acção”, impulsionado pelo Instituto Português da Juventude (IPJ), pelo que contou com a participação de um grupo de oito jovens, que auxiliaram Luís Vale na recolha do espólio popular.
Do domínio do real para o fictício, estas histórias representam a memória de um povo e ainda hoje podem ser ouvidas em inúmeras aldeias do Nordeste Transmontano. “Apesar de terem sido recolhidas em Vila Boa, podem ser transportadas para outras localidades do concelho de Vinhais ou até de Bragança”, acrescenta o autor.
Contadas no escano, num ambiente mais acolhedor e familiar, ou à soalheira, num espaço mais aberto à população, estes contos apresentam factos reais ou fictícios. “Há seres míticos, como bruxas, e até lobos a falar. Um conjunto de personagens que fazem parte de uma tradição e do imaginário oral, porque antes não havia outro registo”, frisa Luís Vale.


