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Os Frutos do Nacional– Porreirismo

Ter, 08/04/2008 - 10:39


Por mais do que uma vez, enquanto “debitador” de opinião, tive oportunidade de discorrer acerca dos actualíssimos temas da indisciplina e da violência nas nossas escolas.

Recordo-me que da última vez que a eles me referi, na lateralidade, sob o título “A moda de desancar nos professores”, foi para me congratular com a exemplar sentença a que foi condenada pelo tribunal a mãe de uma aluna de Bragança, por esta ter ameaçado e agredido fisicamente a professora da filha.
Quer um, quer outro fenómeno, dentro e fora das salas de aula, não são segredo para ninguém, mesmo para os que, como eu, fazem parte, ainda que de forma indirecta, do “Processo Educativo”. Pelo que todas aquelas dezenas de imagens captadas pelo youtube, e difundidas pelos canais televisivos, a partir do episódio arrepiante do Carolina Michaelis, são, de um modo geral, o espelho do actual Sistema Educativo. Imagem que, naturalmente, é contra tudo aquilo que se espera da entidade Escola, enquanto espaço de aprendizagem de conteúdos e de valores pelos quais a sociedade se rege.
Perante a cada vez mais enraizada cultura do despudor e do inconcebível, antes das repostas para solucionar este problema, procuram-se os culpados e os factores que têm conduzido ao actual estado de anarquia. Eu, que não tenho qualquer formação na área do comportamento humano, nem, tão – pouco, frequento ou possuo doutoramento em “Ciências da Pedagogia”, entendo, apenas como pai e encarregado de educação, que toda esta situação é, por um lado, consequência das más políticas educativas que têm vigorado ao longo destes últimos trinta anos, e, por outro, a dificuldade que muitos cidadãos deste país têm em compreender e assimilar os supremos valores da Liberdade.
Pude verificar que, nestes últimos dias, muitos daqueles que não querem reconhecer aquilo que está à frente dos nossos olhos, a evidência, instados a pronunciar-se, nas televisões e nos jornais, sobre o tema, ficavam incomodados com o discurso (pertinente, mais que não seja para estabelecer o inevitável paralelismo entre o “ontem” e o “hoje”) do “ havia de ser no meu tempo!”.
É evidente que este e outros episódios, que envergonham a Democracia, não são obra do acaso. As sementes que têm sido lançadas ao longo destes anos não poderiam dar outros resultados senão aqueles que se revelam. Quando, por exemplo, um aluno agride um professor ou um auxiliar, esta façanha – próxima do selvagem -, é considerada pelos seguidores das novas correntes pedagógicas, num claro branqueamento “eufemizado” do acto, como sendo um “comportamento desviante”.
Em parte, estou de acordo com a ideia de que nem só as leis que temos, nem o controverso e recente Estatuto do Aluno explicam o estado degradante a que a Escola pública chegou. Com toda a frontalidade e sem hipocrisia, é preciso dizer que, num grande número de casos, a indisciplina e o desrespeito por quem “forma a consciência dos jovens” radicam no “berço”. Se os próprios pais não têm educação, o que vamos esperar dos filhos, sendo que os primeiros devem ser o pilar central da formação dos segundos, enquanto cidadãos e membros da sociedade?
Ainda que não seja adepto da institucionalização da pedagogia da bofetada (nem lá perto!), não deixo, no entanto, de abrir uma excepção para todos aqueles casos em que a dignidade dos docentes – com quem me solidarizo - é posta em causa.
Não quero, de forma alguma, fazer passar a ideia de que todos os professores são imaculados. Mas a diferença é que quando um docente se excede, numa sala de aula, num contexto em que os papéis se invertem - o que se considera igualmente reprovável -, é dupla e implacavelmente punido. Ora pelos tribunais, à luz do Código Penal, ora através de mecanismos sancionatórios previstos e aplicados pela própria escola, com destaque para o Processo Disciplinar.
Tendo a pertinência e o mérito de lançar o debate público na sociedade, esta questão, além de ter contribuído para o despertar de consciências, remete-nos para a reflexão acerca da “verdade” contida na máxima atribuída ao filantropo Padre Américo: “Não há rapazes maus; há jovens incompreendidos”.
Enquanto houver gente a defender que a punição e o castigo, como resposta à indisciplina e à violência nas escolas, dão origem à exclusão social, o mais certo é que, num futuro próximo, as escolas deste país estarão completamente americanizadas, mas no pior dos sentidos. São, porém, posições desta natureza, levadas ao extremo, que jamais contribuirão para estimular a sã convivência e o respeito mútuo entre os directamente implicados no “Processo Educativo”.