class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-168406 node-type-noticia">

            

Queda livre

Ter, 01/04/2008 - 12:36


A irregularidade é o pior defeito de um serviço que se diz e quer regular. Um comboio que não chega a sair da gare, um autocarro que avaria e não parte ou um avião impedido de levantar voo são exemplos de falhas que nunca podem pôr em causa os chamados serviços regulares. Daí que o grosso dos transportes colectivos ostente a categoria de “carreira regular” em vez do “serviço ocasional” ostentado pelos autocarros de excursões.

No caso da ligação aérea Bragança-Lisboa-Bragança, começou por ser uma “carreira regular”, mas em 2007 andou perto de um “serviço ocasional” para, este ano, quase cair para voo charter, de tantas e tantas vezes que o serviço foi cancelado.
Antes da suspensão decretada pelo Instituto Nacional de Aviação Civil, ninguém conseguia prever com segurança se o avião da Aerocondor ia levantar ou aterrar conforme o horário e contrato de concessão com o Governo.
Há muito que a tutela conhece as dificuldades financeiras da empresa e não se compreende porque é que deixou a situação chegar ao limite, correndo o risco de condenar a carreira aérea para sempre. É que para os voos terem sucesso é preciso que os potenciais clientes confiem na eficácia do serviço, coisa que não acontece há vários meses, porque a irregularidade votou a ligação Bragança-Lisboa ao descrédito total.
De empresa com honras de primeira página por causa das ligações Bragança-Agen-Paris, a Aerocondor passa a ser notícia pela grave situação financeira e pelo elevado número de voos cancelados. É pena que esta tenha sido a sorte que calhou a Bragança, ainda bem longe do mapa das auto-estradas. A rodovia passa a ser, novamente, a única forma de chegar a Lisboa, por mais que isso custe 5 ou 6 horas de viagem sem grande tempo para paragens.
O certo é que, enquanto o Governo não conseguir chegar a acordo com a Aerocondor e denunciar o contrato sem recorrer à via judicial, as ligações aéreas continuarão na mesma, ou seja, em queda livre.