Ter, 26/02/2008 - 11:49
Espanta-me, por isso, as críticas que têm sido dirigidas àqueles que apenas tentam garantir o cumprimento da legalidade, utilizando o básico argumento de que os agentes da autoridade, incumbidos dessa missão, o fazem de uma forma mais implacável e menos condescendente, porque o serviço é remunerado. Nada mais injusto, diga-se! Julgo, até, que nem aqueles que passam pela fama de orgulhosamente zelosos, os mais empedernidos, o fariam, mais que não fosse pela razão do “peso na consciência”.
Neste aspecto, o que me parece fazer sentido são as críticas à postura de um número reduzido de agentes em relação à falta de tolerância dos tais três/quatro minutos após o tempo limite. Aqui, estes senhores, de quem se diz que “justificam bem o vencimento que recebem”, poderiam, de facto, exercer o “direito” à liberdade de condescendência, na medida em que os parquímetros estão regulados para só aceitarem valores não inferiores a 15 cêntimos. Isto é: esse tempo de “borla” seria para compensar, para “abater” àquele outro que muitos condutores, de forma escandalosa, pagam a mais, naquelas circunstâncias em que, mesmo estacionando apenas cinco minutos, são obrigados a desembolsar a quantia correspondente ao mínimo estipulado.
Pelo que li neste jornal, acerca desta matéria, os principais interessados, os comerciantes, pelo menos a grande maioria, tendo dado a cara, subscrevem a ideia dos parquímetros como forma de racionalizar um espaço que é de todos. Devo dizer que, da parte que me toca, ainda que não exerça a actividade comercial, nem resida na zona contemplada pelos ditos (o que me torna “cliente” pouco assíduo), considero esta medida um mal necessário.
Tendo a polícia de trânsito como principal objectivo disciplinar o mesmo e as acções dos cidadãos enquanto condutores, e sendo certo que muitas das condutas abusivas de gente encartada se deve a essa coisa complexa que dá pelo nome de ADN – responsável pela má (e boa) formação moral do ser humano -, e estando, também, provado que a existência de sinalização não é sinónimo, neste país, do cumprimento das regras instituídas para o exercício da condução, deixo aqui um alerta às autoridades bragançanas, para que, no âmbito das respectivas competências, sejam tomadas as medidas apropriadas para resolver o problema colocado pelas duas situações seguintes.
As Piscinas Municipais, pelo aspecto funcional e pela utilidade que se lhe reconhece, é, porventura, um dos espaços públicos mais concorridos da cidade de Bragança. Além do próprio funcionamento, um dos motivos que explica a adesão a este espaço é o seu amplo parque de estacionamento. São tão aceitáveis as suas dimensões, que metade dos lugares de estacionamento não é preenchida. No entanto, há senhoras e senhores que, quer como acompanhantes, quer como praticantes de natação, num gesto tão irresponsável quanto egoísta, têm o desplante de estacionar as viaturas em frente aos dois portões que dão acesso às mesmas.
Na qualidade apenas de frequentador, dei conhecimento desta situação à Câmara Municipal, a título informal, alegando o óbvio: no caso de haver uma tragédia dentro das piscinas, as ambulâncias do INEM não conseguem entrar. Um dia depois de ter dado o alerta, a edilidade, tendo reconhecido a iminência do perigo, mandou colocar um sinal vertical de proibição de estacionar, reforçado com o tracejado amarelo – medida desnecessária, diga-se, se este mundo fosse preenchido somente por seres mentalmente equilibrados e minimamente conscienciosos. Como assim não é, mais de dois anos volvidos, o panorama mantém-se.
Quem sobe, de carro, a Avenida das Cantarias e pretende mudar o sentido da marcha, uma das alternativas é virar à esquerda, mesmo em frente à Garagem Galhofas. Esta manobra torna-se perigosa, porque, no lado oposto ao ponto de viragem, junto à Residencial Cantarias, há sempre um ou dois carros estacionados, que impedem que a mesma seja feita, como convém, à primeira, obrigando a manobras arriscadas, tendo em conta que esta é uma via em que o trânsito fluí com velocidades pouco recomendáveis. Há pouco tempo, neste mesmo local, havia sinalização que proibia o estacionamento. Com a aplicação do novo tapete, a mesma foi apagada, não tendo havido a preocupação de a recolocar. Mas, mesmo que lá estivesse – como atrás referi -, pouco ou nada iria adiantar.
É perante este constatar de uma ausência de consciência cívica, de uma total falta de respeito que uma larga maioria manifesta em relação aos demais, não obstante ser adepto confesso da tolerância e das segundas oportunidades, que acho ser lisonjeiro uma coima de trinta euros para comportamentos que, atendendo ao grau de perigosidade que podem representar – o que não é, nem lá perto, um carro indevidamente estacionado em zona de parquímetros -, vão muito para além do admissível.
N.B: Num tom irónico, um morador do Bairro da Estação fazia o seguinte comentário: “então a Câmara, uma instituição com tantos técnicos superiores – referia-se, certamente, a Engenheiros e Arquitectos -, não consegue resolver o problema dos enormes charcos de água que se formam no cruzamento junto ao muro da escola primária, sempre que chove”.
Sem ironias, acho que este caso e o da ponte do Fervença, que ambos, da mesma natureza, se arrastam há décadas, mereciam uma atenção especial.


