class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-168026 node-type-noticia">

            

Caça ao som da natureza

Ter, 12/02/2008 - 10:26


O dia começa cedo para os amantes da caça. O frio, recortado pelos raios de sol, acorda os mais distraídos. É hora de começar a receber os caçadores trajados a rigor com os seus chapéus enfeitados com penas e alfinetes que recordam montarias de outras épocas, botas de cano alto, calças de tecido grosso, casacos agasalhados e cachecóis. O latir das centenas de cães mistura-se com as vozes dos monteiros, amantes da caça e seus acompanhantes que trazem vida e movimento às apertadas ruas de Soutelo da Gamoeda, na freguesia de Carragosa (Bragança).

Após a inscrição e os primeiros cumprimentos aos velhos conhecidos de outras montarias, é tempo de “aconchegar” bem o estômago com petiscos tipicamente transmontanos, como “caldo” de cebola, fumeiro e pão caseiro, para se aguentar as próximas horas repletas de emoção e adrenalina. Chega a hora de sortear a “porta” (posição estratégica no terreno) que calha a cada um dos monteiros.
Já a manhã vai bastante adiantada quando começam a sair as primeiras “armadas”, constituídas por um grupo de caçadores apetrechados com mochilas, bancos para se sentarem no campo e as obrigatárias armas que irão abater os javalis.
Organizado pelo Clube de Monteiros do Norte (CMN), o XXII Encontro Venatório do Nordeste Transmontano, que decorreu no passado fim-de-semana, reuniu mais de 120 caçadores com dois objectivos em comum: capturar o maior número de “troféus” (javalis grandes) e conviver com amantes do mesmo desporto. “Estamos aqui para abater javalis, mas preservamos as fêmeas com crias e, mesmo, os animais mais pequenos, pelo que a nossa intenção é matar os porcos grandes, ou seja, os navalheiros”, explicou o presidente do CMN, Álvaro Moreira.

Silêncio dos monteiros no terreno é essencial para não prejudicar a caça maior

Assim, caçadores, pastores e matilheiros trabalham em conjunto para capturarem os javalis que conseguirem vislumbrar e atingir. A jornada começa com os monteiros a ocuparem as respectivas portas, onde ficarão à espera dos javalis. As matilhas, constituídas por dezenas de cães, são lançadas para a “mancha” (onde se encontram os animais) para rodearem os porcos e os levarem a fugir por alguma das portas marcadas pelos caçadores. “Escolhemos uma área onde sabemos que há javalis e será circunscrita pelos monteiros. Depois cada matilha entra na mancha por sítios diferentes para obrigarem os porcos a movimentarem-se e a sair daquela zona para poderem ser atirados pelos caçadores”, referiu o responsável.
Estas acções no terreno são controladas pelo Capitão da Montaria, que conhece o terreno e tem a responsabilidade de coordenar a distribuição das armadas e matilhas, bem como todos os movimentos na mancha. “Esclareço as dúvidas dos participantes, corrijo alguns comportamentos e garanto que tudo é conduzido com a máxima segurança, bem como coordenar as movimentações no terreno”, informou o Capitão de Montarias do CMN, Valdemar Rodrigues.
Para desempenhar eficazmente estas funções, é necessário conhecer pormenorizadamente as manchas, de modo a seleccionar a melhor área de caça. “Percorremos as manchas a pé para descobrirmos todos os vestígios e trilhos dos javalis”, acrescentou o responsável.
Após a captura dos 16 javalis, uma parte dos animais foi leiloada, de forma a angariar verbas para fazer frente às despesas do CMN com a organização desta iniciativa. O dia, que contou também com a actuação dos pauliteiros de Palaçoulo, terminou com um jantar e serão transmontano.
Anteontem, foi a vez de Talhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, receber os caçadores para mais uma montaria.