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Tradição e modernidade no Entrudo de Coelhoso

Qua, 06/02/2008 - 10:28


Não há comportamento, profissão ou característica que escape à língua viperina do Carnaval de Coelhoso, no concelho de Bragança.

Raparigas solteiras e belas eram “casadas” com os rapazes mais feios e menos admirados da aldeia. Os tempos mudaram e, actualmente, já são as mulheres a escolherem os seus próprios “pretendentes” que as vão servir para toda a vida e satisfazer os seus caprichos.
Recuperado há cerca de cinco anos, o tradicional Carnaval de Coelhoso atrai centenas de visitantes que passam pela localidade para conhecer os trajes mais caricatos e cómicos ou ouvir os casamentos mais inusitados. “Retomámos as tradições, mas imprimimos um cunho de actualidade, pelo que agora também já são as mulheres as escolherem vários homens no Carnaval”, explicou Luciano Cordeiro Rodrigues, membro do Grupo Cultural e Recreativo de Coelhoso (GCRC).
Segundo o responsável, antes de se resgatar o Entrudo, as pessoas “limitavam-se a atirar farinha umas às outras, o que afastou alguns visitantes de cá”. Agora, o GCRC decidiu retomar a velha tradição, mas “com as condições que fossem mascarados, não utilizassem farinha e aceitassem as críticas feitas”, sublinhou Luciano Rodrigues.

Casamentos, multas e loas fazem as delícias dos apaixonados pela época carnavalesca

Rapazes e raparigas, homens e mulheres, jovens e velhos reúnem-se, assim, para ouvirem as Multas, as Loas ou os Casamentos proferidos.
“Pegamos em pontos fracos de cada um e fazemos uns versos sob a forma de Multas. Adaptamos as Multas a cada pessoa, dependendo daquilo que faz e do seu comportamento”, explicou o responsável.
Já a partir das Loas, os mascarados retratam situações caricatas que aconteceram ao longo do ano e tenham ficado gravadas na memória dos habitantes de Coelhoso. “Damos a conhecer acontecimentos bizarros da aldeia”, adiantou Luciano Rodrigues.
E se os Casamentos de antigamente eram proferidos por homens, o GCRC decidiu apostar na modernidade e adaptou a tradição à actualidade. “Utilizamos a realidade de outros pontos do Mundo, como Islão e Tibete para fazermos os nossos Casamentos”, explicou. Ou seja, “em determinados anos, é um homem a escolher uma mulher ou várias, e noutros são as mulheres a escolherem pretendentes para lhes fazerem a manicura e serem criados delas ”, salientou o dirigente.
Este ano, o Carnaval de Coelhoso apostou na sátira política que foi retratada através dos carros do cortejo de Entrudo. “Referimo-nos ao Défice e brincámos com essa situação”, acrescentou Luciano Rodrigues.