class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-167903 node-type-noticia">

            

Alforges saem das mãos das artesãs de Uva

Ter, 29/01/2008 - 11:32


Fernanda Domingues transforma algodão e lã nos tradicionais alforges, que, antigamente, eram usados para transportar mercadorias em cima dos animais. Aos 42 anos, esta habitante de Uva, no concelho de Vimioso, dá continuidade a uma arte antiga que aprendeu, há cerca de dois anos, com a vizinha. Após ter observado, dias a fio, Ester Moreiras, de 70 anos, Fernanda decidiu pôr mãos à obra e desafiar a imponência do tear. Depois da primeira experiência nunca mais parou e, actualmente, é a artesã mais nova da freguesia.

Tece fio a fio até fazer o pano necessário para os alforges. “É preciso gostar muito daquilo que se faz e ter muita paciência”, conta.
Os tempos mudaram e as encomendas vão surgindo conforme os gostos e as necessidades das pessoas. “Antigamente usavam os alforges para pôr nos animais, agora pedem-nos muitas miniaturas, que servem para decoração”, explica.
As peças tecidas por Fernanda Domingues e por Ester Moreiras são vendidas na Casa do Artesanato de Vimioso, pelo que o volume de trabalho depende das vendas. “Fazemos conforme nos vão pedindo”, afirma a artesã.
Esta actividade traz à memória os tempos em que os padeiros distribuíam o pão pelas aldeias. “Ainda há bem pouco tempo o padeiro de Mora trazia o pão a Uva no alforge. O seu transporte era o burro”, lembra o presidente da Junta de Freguesia de Uva, Emídio Domingues.
O artesanato faz parte do dia-a-dia dos habitantes desta freguesia. Quem visita Uva num dia solarengo pode observar as pessoas à soleira da porta a fazer renda. “Costumo fazer peças para mim, desde colchas, toalhas, cortinas…”, realça Fernanda Domingues.

Uva guarda cerca de 40 pombais, que, antigamente, contribuíam para o sustento das famílias

Esta aldeia guarda as marcas típicas de Trás-os-Montes. Dezenas de pombais pintam de branco a imensa paisagem que circunda Uva. “Esta terra é conhecida, a nível nacional, pelos pombais”, salienta Emídio Domingues.
Ao todo contam-se cerca de 40 pombais, que, antigamente, eram um forte contributo para o sustento das famílias. “Tenho dois pombais aqui perto da aldeia. Estão recuperados mas já não há pombas como antes. Lembro-me de ir lá, na altura das cegadas, e trazer um saco cheio de pombos, que deliciavam os trabalhadores”, recorda Ana Maria Fernandes, uma habitante de 79 anos.
Mesmo assim, a maioria dos pombais foi recuperada através de um projecto da CoraNE. “Foram requalificados cerca de 15 pombais, que são uma tradição muito antiga”, salientou o autarca.
A capela do Divino Santo Cristo e a Igreja Matriz são os principais monumentos da aldeia, que venera a Santa Marinha. “A nossa capela é muito bonita e a igreja também foi renovada”, enaltece Ana Fernanades.
Situada a 17 quilómetros da sede de concelho, a freguesia, composta por Uva, Mora e Vila Chã, é afectada pelo fenómeno da desertificação. A maioria dos jovens partiu e as pessoas que resistem nas aldeias são idosas. Mesmo assim, a autarquia procura melhorar a qualidade de vida da população.
“Requalificámos o Largo do Divino Santo Cristo, fizemos o Centro de Convívio e o salão da Casa do Povo, requalificámos a Igreja e estamos a alargar o cemitério”, realça o autarca.
Posteriormente, a Junta pretende recuperar uma fonte de mergulho tradicional, onde a água límpida brota de uma nascente.