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Cintura de ferro

Ter, 15/01/2008 - 15:59


Espanha continua a dar corpo à sua estratégia de “cintura de ferro” à volta das fronteiras com Portugal. O objectivo é claro: facilitar o acesso do interior do país aos portos espanhóis, canalizar por caminho-de-ferro os produtos importados ou exportados por via marítima e colocar Madrid no centro das comunicações e transportes, garantindo a coesão do Estado face às Comunidades Autónomas. Exemplos: a passagem da Autovia das Rias Baixas a escassos quilómetros da fronteira do Portelo (Bragança) e a linha de Alta Velocidade Vigo-Madrid, que em breve seguirá o mesmo traçado.

No entanto, a referida “cintura de ferro” retira a Portugal a oportunidade de captar o grande tráfego marítimo internacional, pois Espanha sabe que os portos de mar portugueses podem servir, de modo mais eficaz, cerca de um terço ou mesmo metade do território espanhol.
Isto teoricamente, porque a indefinição e os atrasos na construção da Rede de Alta Velocidade em Portugal, associado à falta de vontade política (em ambos os lados da fronteira, sublinhe-se) para construir determinadas ligações rodoviárias deitam a perder uma oportunidade que parece fácil de agarrar quando se olha para uma mapa da Península Ibérica.
Aliás, não é à toa que a Junta de Castilla y León ignora a ligação Bragança-Puebla de Sanábria e não contemplou uma auto-estrada León-Bragança no Plano Estatal de Infra-Estruturas de Transporte. É que estas vias não vão de encontro à estratégia de “cintura de ferro”. Antes pelo contrário, abrem um corredor em direcção ao porto de Leixões, que pode retirar movimento ao porto de Vigo…