Ter, 15/01/2008 - 11:59
E foi preciso vir Carlos Saura fazer o que era mais óbvio: o filme “Fados”, que com as suas várias visões deu a conhecer ao mundo algo de que nos devemos orgulhar, como outros fizeram e fazem com o tango argentino, com o samba brasileiro, com a morna de Cabo Verde…
Temos fadistas que felizmente, levam longe a nossa alma dorida e pura, as nossas incertezas e dores e também a nossa brejeirice e a malandrice tão característica daquele povo mais genuíno e castiço de antigamente que se vai perdendo à medida que nos deixamos globalizar.
A Marisa é um nome incontornável do Fado português que tem, a exemplo do que fez a grande Amália Rodrigues, levado a nossa marca ao mundo inteiro, assim como Mafalda Arnault, Ana Moura, Cátia Guerreiro, Camané, Dulce Pontes quando cantava fado, para apenas citar alguns.
Mas não é só de fadistas que se faz a música portuguesa. Temos uma Teresa Salgueiro que com a sua voz maravilhosa tem encantado o mundo inteiro juntamente com os restantes elementos dos Madredeus e aqui deixo a minha mágoa pela separação do grupo. O nosso, infelizmente falecido, Zeca Afonso, quiçá mais acarinhado na vizinha Espanha do no nosso próprio país. O nosso Rui Veloso que ainda canta o povo do Norte. Carlos Paredes que foi o grande mestre da guitarra portuguesa, Brigada Victor Jara, Jorge Palma, Júlio Pereira, André Sardet são outros bons exemplos. Também nas novas gerações estamos a dar passos a caminho da fama e da divulgação para outros países.
Enfim, em termos de música podemos e devemos dar lições ao resto do mundo, pese embora o provincianismo da nossa capital, uma das mais belas da Europa, é verdade, mas que ainda não aprendeu a valorizar aquilo que verdadeiramente a torna única e apetecível ao resto do mundo.
Coloquemos o nosso provincianismo de mãos dadas com o cosmopolitismo do resto do mundo, aprendendo a valorizar o que é verdadeiramente nosso, sem sermos avarentos, facultando aos outros a alegria e o prazer de sentirem um pouco da nossa alma lusa.
Que esta pequena reflexão possa contribuir para que Lisboa se transforme numa cidade cosmopolita sem perder as suas particularidades. Cabe a este e aos próximos governos potenciar o que nos faz únicos, cuidando para que não nos transformemos numa qualquer linha de montagem nesta gigantesca máquina globalizante em que se está a transformar o mundo e principalmente a Europa.
Marcolino Cepeda


