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Rapazes de Deilão saem à rua no Natal

Ter, 18/12/2007 - 10:46


Às 7 da manhã do dia 25 de Dezembro, um grupo de rapazes, acompanhados pelo gaiteiro, fazem a ronda pelas casas da aldeia de Deilão, no concelho de Bragança, para castigarem os “preguiçosos” que encontrarem na cama. Esta é uma tradição antiga que ainda se mantém viva nesta localidade da Lombada.

A Festa dos Rapazes é organizada por dois “meirinhos” (espécie de mordomos), que são os responsáveis pela compra e confecção de uma vitela, que é oferecida à população na quadra natalícia. Os comes e bebes são acompanhados por muita música tradicional, que incita os participantes a um pezinho de dança.
Os festejos têm início com a reunião dos rapazes na noite de consoada, para decidirem o local mais seguro para dormir. “Depois de jantarem com a família, fazem rondas pelos cafés da aldeia e escolhem os sítios mais recônditos para passarem a noite, para não serem encontrados pelo grupo que faz a rusga no dia seguinte”, explica o secretário da Junta de Freguesia de Deilão, Fernando Cabecinha.
Os mais distraídos são surpreendidos pelos rapazes, que dão início ao castigo “pelo atrevimento de terem ficado a dormir até mais tarde”. “As pessoas não levam a mal por os jovens entrarem nas suas casas sem bater à porta. Quando apanham algum a dormir levam-no num carro de bois e deixam-no num local distante”, acrescenta o responsável.
As baixas temperaturas de Inverno assustam qualquer um, pelo que os rapazes fazem tudo para não serem apanhados pela “rusga”. “Para além de terem de pagar uma multa em bebida e petiscos, ainda se arriscam a andar em trajes menores pela aldeia”, realça.

Deilão mantém vivas as tradições que vão passando de geração em geração

Fernando Cabecinha explica que há pormenores da tradição que se foram perdendo, como é o caso do funeral improvisado que era feito a quem fosse apanhado na cama, mas enaltece o facto da “chama” ainda se manter viva. “Antigamente, eram os rapazes solteiros que faziam tudo. Agora os casados também ajudam, porque não há juventude suficientes para segurar a festa”, revela.
Mesmo assim, a tradição resiste, ano após ano, para alegrar o Natal dos habitantes de Deilão. No dia 26, os festejos encerram com o bailarico, onde é encenada a fuga dos “meirinhos”. “Fogem um para cada lado, mas os outros já estão alerta. Correm para os apanhar e entregam-nos às raparigas que, antigamente, os levavam até às suas casas, onde ofereciam uma merenda. Agora fazemos um lanche convívio no salão da aldeia”, sublinha Fernando Cabecinha.
As celebrações do Santo Estêvão culminam com a nomeação dos “meirinhos” para o ano seguinte e com um bailarico que prossegue noite dentro. “ Antes, no dia 27, os rapazes davam a volta à aldeia a dar as Boas Festas e as pessoas ofereciam-lhe chouriços, mas agora raramente fazem isso”, acrescenta.
No dia de Ano Novo, é a vez das mordomas organizarem o “Ramo do Menino”. O ano começa com a tradicional missa e, de seguida, são leiloadas as oferendas da população ao Santo. O ramo é composto por produtos da terra, desde maçãs a grão-de- bico, que são vendidos e o dinheiro reverte para a igreja. “A tradição continua a cumprir-se e há muita gente que compra o ramo ao Menino”, realça Fernando Cabecinha.