Ter, 18/12/2007 - 10:00
Jornal NORDESTE (JN) - Com o lançamento da Auto-Estrada Transmontana, do IP2 e do IC5, o distrito de Bragança fica, finalmente, desencravado?
Mota Andrade (MA) - São obras que fazem justiça ao distrito de Bragança. A Auto-Estrada Transmontana é um marco importante, talvez a obra mais emblemática do distrito, desde a chegada do comboio. É o desencravar definitivo de todo o distrito de Bragança, não só pela construção da auto-estrada, mas pelo lançamento do IP2 e do IC5, que demonstram que o Governo não esqueceu o resto do território. Anteciparam-se os prazos, de modo a adjudicar as três obras em 2008, lançar as obras em 2009 e concluí-las em 2011.
Bati-me fortemente para que o IC5 e IP2 não fossem adiados, porque seria terrível para o futuro do distrito ter uma boa ligação a Bragança, com os concelhos centro e sul do distrito sem ligações capazes entre si e à própria auto-estrada.
JN - Acha que faz sentido a Auto-Estrada Transmontana ter 14 quilómetros com portagens?
MA - Acho que isso era dispensável e que não havia necessidade de ter introduzido esses dois pequenos troços com portagem. A justificação dada tem a ver com a política do Governo, e que me parece correcta, em não criar auto-estradas sem portagens onde houver alternativas. Essas alternativas ficam, porque mantêm-se as duas circulares do IP4.
Se me perguntar se eu acho que valia a pena portajar esses 7 quilómetros de auto-estrada à volta de Bragança, eu digo frontalmente que não valia a pena introduzir as portagens.
De qualquer forma, acho não vão afectar muito a população local, que não utilizará esse troço de auto-estrada quando quiser ir para o Porto, por exemplo.
É um pequeno pormenor que não mancha essa grande obra que é a Auto-Estrada Transmontana.
JN – Mas o PSD, a Câmara Municipal de Bragança e a Associação de Utilizadores do IP4 não pensam assim…
MA - Acho duma total desfaçatez e descaramento que o PSD, que é contra qualquer SCUT e que acha que só deve haver auto-estradas com portagens, venha agora tentar criar um problema por causa de 7 quilómetros com portagem em Bragança e mais 7 quilómetros em Vila Real. O PSD que nada fez para a existência dessa auto-estrada e que diz que também tem que haver portagens nas auto-estradas do interior do País, quando aparecem troços portajados com boas alternativas, vem dizer que o Governo não disse tudo aos transmontanos.
Só posso interpretar esta posição de alguns dirigentes do PSD como um sentimento mesquinho e de inveja, porque efectivamente não conseguiram dar nenhum passo no sentido de se construir a auto-estrada.
JN – A ligação à fronteira do Portelo também não agrada ao presidente da Câmara de Bragança…
MA – Tenho que realçar o lançamento do concurso para a ligação Bragança-Rio de Onor, beneficiando o traçado significativamente, mas aí tenho que dizer que da parte da Junta de Castilla y León a vontade não é tão grande quanto nós gostaríamos. Isso também serve de alerta, porque se gastou muita tinta a falar da necessidade de ligar Bragança à fronteira do Portelo e à Autovia das Rias Baixas, mas da parte de Espanha temo grandes dificuldades, nomeadamente em termos ambientais.
JN – Por falar em Espanha, o Governo conhece o prazo de conclusão dos acessos à ponte internacional de Quintanilha no lado espanhol?
MA – Faço votos para que não haja mais atrasos, já que a obra está em fase de terraplanagens, e que se avance para perfil de auto-estrada. Lembro que foi com este Governo que a ponte de Quintanilha foi construída e passou para 4 faixas de rodagem.
“Só posso interpretar a posição de alguns dirigentes do PSD como um sentimento mesquinho e de inveja, porque efectivamente não conseguiram dar nenhum passo no sentido de se construir a auto-estrada”
JN - Esta é mais uma obra que já motivou protestos da parte do deputado do PSD, Adão Silva…
MA – Em matéria de estradas não reconheço autoridade moral ao PSD para criticar o que quer que seja. Em três anos em que estiveram no Governo não se programou, não se projectou e não se lançou nenhum concurso. Alguns membros do Governo até vieram à região cortar a fita em 3,5 quilómetros de estrada que tinham sido lançados pelo anterior Governo socialista.
Lembro que a auto-estrada veio, pela primeira vez, no programa eleitoral do PS quando Ferro Rodrigues foi derrotado nas Eleições Legislativas de 2002. Não fomos bem sucedidos, mas a coligação PSD/CDS-PP esteve 3 anos no Governo, tantos como o PS está agora com José Sócrates, e em três anos, quero deixar bem claro, nada, mas nada foi feito em termos de estradas no distrito. E mais: nada foi feito ao nível de projectos para o IC5, IP2 ou prolongamento da A4 até Quintanilha.
Isto são dados indesmentíveis.
JN - Em relação ao IP2, porque é que o troço Trancoso-Bragança não vai ter 4 faixas de rodagem, como no percurso Trancoso-Celorico da Beira?
MA - Porque o trânsito não justifica. Esta questão tem que ser vista como um bom gasto dos dinheiros públicos, pois todos nós pagamos.
JN – E em relação à nova ligação Outeiro-Vimioso?
MA – Penso que haverá novidades em breve, já que o novo estudo prévio está a ser elaborado.


