Ter, 04/12/2007 - 10:45
Os gregos já no século V a.C., nos tempos áureos de Péricles, governavam em democracia e ufanavam-se desse sistema de governo em que todos participavam e na verdade foi ele que permitiu que Atenas se elevasse ao topo de uma hegemonia que só a ela pertenceria durante muitos anos. Contudo, essa democracia era imperfeita, tinha limitações.
No entanto, apesar de consentir a escravatura, de as mulheres não participarem na vida política, de poderem condenar ao ostracismo os que se mostravam contrários ao governo e de Atenas se impor através de um imperialismo consentido, eles tinham orgulho na sua democracia. Eram únicos. Por outro lado, a sua educação tinha objectivos muito claros, por onde passava a formação de homens perfeitos, completos intelectual e fisicamente. Na verdade, hoje deveria ser igual a preocupação dos governantes, isto é, promover uma educação completa para conseguir uma sociedade o mais perfeita possível, mas com uma democracia sem imperfeições.
Numa análise superficial e rápida constatamos que a democracia anda muito mal tratada. Basta olhar para alguns governos deste planeta e inferir logo que a democracia, muito embora encha as bocas de quem a profere, esvazia-se de sentido logo que analisamos a prática governativa e o sentido em que gira essa mesma democracia. Que nome daremos ao sistema de governo que tem o Irão? Que governo impera na Venezuela? Como se governa no Zimbabué? Onde pára a democracia de Putin na Rússia? Isto basta para justificar em que mãos anda a democracia. Isto para não falar no que se passa em Portugal! Enfim!
Quando a democracia permite que um governante como Chavez se vire para outro como o do Irão e diga que “Juntos podemos fazer frente a todos os países e pôr Bush no seu lugar”, algo está mal. Muito mal mesmo. E quando o mesmo governante sul-americano ameaça os E.U.A. de lhe embargar a exportação de petróleo e fazer o mesmo à Espanha enquanto o Rei D. Juan Carlos não lhe pedir desculpa, resta-nos pensar um pouco e tentar saber se a democracia alguma vez passou pela cabeça daqueles senhores!
É que não basta falar de democracia para se ser democrático. Do mesmo modo não basta falar de democracia para se poder governar em democracia. Os actos é que falam dessa democracia. Eles é que revelam, na prática, a essência da democracia aplicada. Palavras leva-as o vento, já assim diz o povo e com razão. O que vale é o que fica feito. É a prova. E muito mal estamos nós de provas!
De facto, tanto para Chavez como para o chefe do Irão, o ter petróleo parece ser suficiente para ameaçar os outros países, porém não pararam para pensar que os outros além de poderem obter esse bem através de outros canais, também têm outras matérias-primas que lhes são extremamente necessárias e numa medição de forças, certamente que perdem a Venezuela e o Irão.
E o que espera Mugabe com o seu sistema de governo? Escusa de falar de democracia porque por ali nunca ela passou, nem em pensamento. O défice é demasiado grande para que se possa colmatar de um momento para o outro. Já com Putin o que se passa é um pouco diferente. No entanto, a democracia anda arredada por aquelas bandas, por mais que ele diga que não. A tentação do poder é tal que a não pode esconder. As eleições deste fim-de-semana poderão esclarecer alguma coisa, mas não tudo. Praças bloqueadas? Polícia na rua?
E em Portugal? Será que numa conjuntura tão desfavorável como a que estamos a atravessar, é democrático dizer que estamos em contingentação orçamental e logo de seguida comprar cinco automóveis topo de gama para o Ministério das Finanças? Isto é democracia?
Vimos recentemente a greve da função pública e o seu impacto nacional. Que razões levou o governo a dizer que ela não foi abrangente, que teve pouco impacto, etc, etc,.? A democracia implica perder e ganhar e além disso, saber reconhecer com humildade, o resultado de qualquer acção. Parece que se anda a confundir democracia com prepotência. Algo vai mal no reino da Democracia! Ou então ela anda por mãos muito más!
Parece-me que mais pessoas como D. Juan Carlos, precisam de mandar calar Chavez e outros tantos como ele. Haja coragem meus amigos!


