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Celas recupera forno da telha

Ter, 04/12/2007 - 10:38


Em pleno Outono, são os tons castanhos e amarelados que pintam a paisagem que envolve a freguesia de Celas, no município de Vinhais. A 25 quilómetros da sede de concelho, de Bragança ou de Macedo de Cavaleiros, a maioria dos habitantes desta aldeia escolhem a capital de distrito para trabalhar, mas regressam, diariamente, à sua terra natal.

O forno da telha, recuperado há cerca de três anos, é um dos principais marcos históricos da terra, que, outrora, encontrava o sustento nesta arte. “Antigamente, onde havia barro fabricava-se telha. A maioria das casas mais antigas foram feitas com a telha regional produzida em Celas”, afirma Luís Piçarra, um habitante de 73 anos.
Os mais antigos dizem mesmo que a última fornada de telha serviu para erguer uma nova igreja no centro da localidade, que resiste ao passar dos anos com a traça original.
A telha foi substituída pela castanha, que, actualmente, representa a principal fonte de rendimento dos habitantes que vivem da agricultura. Além deste produto, todas as famílias cultivam a horta ou as batatas para consumo próprio e o cereal para os animais.
Com cerca de 120 habitantes, esta aldeia vive, tal como muitas outras, o problema da desertificação. No entanto, acaba por funcionar como uma localidade dormitório, visto que há muitas famílias que trabalham em Bragança, mas regressam, diariamente, a sua casa. “Durante o dia não se vê quase ninguém. Ao fim-de-semana é que se junta mais gente”, afirma Maria Armandina Pires.

A preservação dos locais históricos da freguesia foi uma das apostas da Junta de Freguesia

A escola primária encerrou e o Jardim-de-infância também poderá ter os dias contados. “Este ano tínhamos quatro crianças. Para o ano, um vai para o 1º Ciclo e ficam, apenas, três”, lamenta o presidente da Junta de Freguesia de Celas, António Gonçalves.
A preservação da história da freguesia de Celas, composta pelas anexas de S. Cibrão, Mós e Negreda, tem sido uma das apostas da Junta de Freguesia.
A par da recuperação do forno comunitário, também as fragas dos mouros e o moinho foram reabilitados.
“Ao pé do moinho também fizemos um parque de merendas e um açude, que, no Verão, é um excelente espaço de lazer”, constata o autarca.
Na localidade de Negreda, a população local e visitantes podem contemplar a beleza natural do “Cachão da Malhadinha”, uma espécie de cachoeira em pleno Nordeste Transmontano.
Para o próximo ano, o autarca afirma que terá inicio a construção do Centro de Dia, com a valência de Apoio Domiciliário. “Há muitos idosos que precisam de apoio. Por isso, no futuro, esperamos conseguir transformar o espaço num lar”, salientou o responsável.
Além disso, António Gonçalves afirma que também há trabalhos característicos do Mundo Rural que já estão projectados, como é o caso de um pontão para ligar as localidades de Negreda e Melhe ou da requalificação do largo de Mós.