Ter, 20/11/2007 - 10:29
Assim, há quem diga a propósito de tudo, um ditado popular, justificando o saber e a experiência de anos e por isso mesmo, se ri melhor quem ri por último, também é verdade que a lanterna que vai à frente alumia duas vezes.
Talvez por isto mesmo, é que tem faltado alguma coragem aos políticos do nosso painel de iluminados para criticar abertamente a política que a senhora ministra da Educação tem levado a cabo. Fora os sindicatos, que lá vão fazendo as suas críticas como é da praxe, nem uma folha se mexe no conjunto da folhagem amarelada de Outono que, a pouco e pouco, vai caindo no chão sedento de uma água que teima em não cair.
A verdade é que foi necessário alguém falar directamente à senhora ministra, dizer-lhe as coisas cara a cara e desmascarar as tomadas de posição, como sendo incoerentes e negativas. De facto, só quem não leu o estatuto do aluno e o que ele conferia, é que poderia ficar calado e aceitar tamanhos erros. No meu tempo, o respeito, a educação e o estudo, eram as condicionantes do bom aluno o que, desde logo não permitia determinado número de faltas ao longo do ano. Mas onde é que esse tempo anda? Será que o respeito já não é necessário? E a educação serve para quê? Afinal que sociedade queremos construir? Como é que se pode passar um aluno que falta às aulas, não respeita ninguém, não estuda nem quer saber e só vai à escola porque os pais o obrigam para não ficar em casa sozinho?
Paulo Portas teve a coragem de, não só acusar a senhora ministra da incoerência destes pormenores, como pedir a sua demissão para não continuar a fazer mais asneiras destas. Teve resultados? Isto é o que todos perguntariam. Claro que sim. Logo a mesma foi questionada sobre o assunto e logo foi posta num programa de Televisão onde teve de se confrontar com esse problema. É evidente que não será por se ter pedido a sua demissão que a senhora ministra se vai embora do elenco governativo, como é óbvio, mas o que é preciso é que se apontem os erros e digam as verdades para que se zanguem as comadres.
Para quem não estava á espera de reacção, enganou-se. Na verdade, ela logo foi questionada por todos os órgãos de comunicação social e a todos começou por dizer que era demagogia dos políticos, que era isto e aquilo e que não estava a ser bem interpretada, etc., etc..
Na televisão, perante as perguntas de Maria Eliza e o calor das câmaras, não teve grande saída nem desculpas para dar e, por isso mesmo, culpou os sindicatos de todo o mal criado, disse que os professores não tinham culpa de nada e que afinal havia erros que já estavam a ser emendados e que ia sair um novo estatuto do aluno, dignificando assim, um pouco mais o ensino e os professores e responsabilizando o aluno pelos seus actos.
Pois é, se ninguém diz nada, é cobardia, é falta de interesse, é desconhecimento. Se alguém diz o que deve e tem a coragem de assumir o que diz, é porque nada tem a perder e sente que a razão está do seu lado. Parabéns Paulo. Quem não deve, não teme!
O que é preciso que se diga é que Paulo Portas foi o único líder político a pedir a demissão da ministra da educação com base, não numa demagogia pura, como ela diria, mas em factos concretos que ela admitiu e emendou. Isto é que valoriza tudo o resto. Não sabemos se ela quer ou não sair do governo. Ela disse que não iria sair, como é evidente. Mas o que fica para a opinião pública é que ela levou um abanão e alguém pediu que abandonasse o barco. Quem vier por trás, que faça o resto, porque alguém já começou e candeia que vai á frente, alumia duas vezes! Isto é de quem nada tem a perder…


