Ter, 19/06/2007 - 10:17
Apesar da descoberta das imagens furtadas em Trás-os-Montes, a diocese de Bragança – Miranda continua a manifestar preocupação, já que no espaço de um mês foi registado mais outro furto de Arte Sacra na igreja de Grijó, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Na opinião do padre Delfim Gomes, da Comissão Episcopal de Arte Sacra da Diocese de Bragança – Miranda, a catalogação das peças religiosas é melhor defesa para a preservação do património. O processo está em curso em toda a diocese, sendo que aquelas imagens já faziam parte do banco de dados da Polícia Judiciária (PJ).
Habitantes locais são os mais indicados para proteger e salvaguardar património religioso
“As populações têm um papel importante na protecção do património religioso, pois como habitam nas localidades, são as primeiras a sentir a presença de estranhos”, sublinhou Delfim Gomes.
O padre defende, ainda que, “os habilitantes das aldeias devem acompanhar os desconhecidos num misto de cicerone e protector, sempre que se apercebam de um movimento estranho”, sustenta o pároco.
O sacerdote avançou que está em curso, há dois anos, o projecto Igreja Segura, que resulta de uma parceria entre a diocese e a PJ, e que visa a protecção de uma igreja em cada paróquia, dotando-as de sistemas de vigilância, segurança e boas práticas de conservação e preservação do património.
Ao que foi possível apurar, apenas a Igreja Matriz de Vila Flor dispõe, até ao momento, destes sistemas de segurança, já que todo o processo é dispendioso e, por vezes, as Fábricas da Igreja não têm verbas para a sua instalação.
Na opinião de Lília Silva, da Associação Terras Quentes, “as peças de Arte Sacra que se encontram em lugares pouco movimentados deveriam ser colocadas na igreja de cada localidade, já que, por norma, são mais seguras”.
Segundo a edição de sábado do Jornal de Notícias, o material recuperado estava distribuído numa casa térrea, numa localidade designada Brejos da Moita, que estava sob arrendamento do português, que vivia ali com o Moldavo. Todos os objectos estavam etiquetados e com preços - incluindo serviços em prata, eventualmente com origem em furtos em residências - o que faz crer à GNR que os detidos se preparavam para vender os artigos.
De acordo com o mesmo jornal, na casa encontrava-se também uma caixa registadora, que chegou a estar ao serviço de uma casa de alterne em Bragança, que há dois anos foi encerrada pelas autoridades. A caixa continha mais de 500 euros e registos de negócios, que poderão vir a ser agora investigados.
O português - que tem ligações à zona de Bragança - era proprietário de um veículo comercial, que já estava referenciado pelos furtos nas igrejas e capelas.



