Ter, 12/06/2007 - 09:58
“Era uma situação que envergonhava os transmontanos. Não podemos fazer o discurso da poupança de água, quando se verificam desperdícios desta natureza”, frisou o director regional de Agricultura e Pescas do Norte, Carlos Guerra.
Os agricultores aplaudiram a colocação da comporta, mas realçaram que a barragem devia ter sido concluída há cerca de 20 anos atrás, altura em que foram obrigados a abrir furos para poderem regar as colheitas.
A barragem da Freixeda vai permitir o regadio de cerca de 15 hectares de pomares, contribuindo, assim, para o aumento da produção num dos vales mais férteis do País.
O próximo passo é a colocação de um sistema de canis, para que os agricultores possam regar mais facilmente, pois, para já, a água da represa poderá terá de ser bombada para os campos.
Para gerir o líquido preciso foi criada a Associação de Beneficiários do Vale da Vilariça, que vai substituir a actual Junta de Agricultores. O objectivo é envolver todos os lavradores que então dentro do perímetro de rega, que começa na Burga e, agora, foi alargado até ao Douro.
“A par da gestão do regadio, a associação também vai fazer acções de sensibilização para o combate ao desperdício e para a preservação da qualidade da água”, explicou o presidente da Junta de Agricultores do Vale da Vilariça, Fernando Brás.
Sistema computorizado israelita poderá aumentar a área de regadio no Vale da Vilariça
Ainda durante este mês está prevista uma sessão de esclarecimento sobre os novos métodos de regadio, que permitem abranger uma maior área com a mesma quantidade de água. Para tal, foram convidados técnicos israelitas, uma vez que este país é um dos mais avançados em tecnologias agrícolas, nomeadamente ao nível dos sistemas de regadio.
Trata-se de um processo computorizado, que irá funcionar por satélite, através de um sensor colocado na raiz das plantas, que emitirá um sinal sempre que esta precisar de água, fazendo disparar a rega na quantidade certa.
Na óptica de Fernando Brás, os custos não serão um obstáculo. “Muitas vezes, as melhores técnicas não são aquelas que custam mais dinheiro. É essa informação que vamos tentar passar aos agricultores através de demonstrações”, salientou o responsável.
Depois de estarem criadas as condições para uma boa produção, Carlos Guerra afirma que o novo desafio passa pela criação da marca “Trás-os-Montes” e da submarca “Vilariça”, para aumentar a competitividade no mercado.



