Ter, 05/06/2007 - 10:54
Nascida em Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, Lucinda Moreiras veio para Bragança aos 2 anos. Os bons resultados no atletismo começaram nos campeonatos escolares, altura em que a paixão pela modalidade começou a falar mais alto. “Ganhei a minha primeira medalha aos 12 anos, mas em Bragança não tinha condições para treinar”, lamenta.
Aos 20 anos, Lucinda Moreiras decidiu partir à procura de apoios para poder “treinar a sério”, alcançando logo os resultados mínimos para participar nos campeonatos de Portugal. Foi no NA Matosinhos que a bragançana ganhou os primeiros títulos como atleta de alta competição, subindo várias vezes ao pódio em campeonatos de pista coberta, três mil e 10 mil metros. Além disso, também foi primeira classificada em maratonas, provas de estrada e de corta-mato.
Actualmente, Lucinda Moreiras, atleta do CNL Sport Club, divide os seus dias entre a jardinagem e o atletismo. A falta de apoios obrigam a desportista a fazer vários sacrifícios, entre os quais trabalhar como jardineira na Câmara Municipal de Bragança durante o dia e aproveitar o final da tarde para treinar.
Falta de apoios obrigam a atleta de alta competição a ultrapassar diversas dificuldades para amealhar títulos
“Eu costumo dizer que entre as 8 e as 17 horas sou jardineira, entre as 17:30 e as 20 horas sou atleta e a partir daí sou mãe”, ironiza.
A distância do treinador, com quem vai falando por telefone, também exige mais esforço à desportista, que, aos fins-de-semana, se desloca a Matosinhos para treinar com os colegas ou participar em competições.
Por vezes, a dureza da sua profissão e a falta de tempo para treinar acabam por ter influência nos resultados, uma situação superada com o apoio da família e com muita força e vontade. “Ando a cavar e a plantar flores durante o dia, ao final da tarde treino e, muitas vezes, ao fim-de- semana não me encontro nas melhores condições para competir”, lamenta Lucinda Moreiras.
A falta de tempo para se preparar para as provas é outro obstáculo que impede a atleta de ir mais longe. “Nunca me preparei em condições para ir à maratona. Há colegas minhas que trabalham em Câmaras e dão-lhes horas para treinar e a mim nunca me deram nada”, afirma a atleta, com alguma mágoa.



