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Arrumar a casa

Ter, 22/05/2007 - 11:43


Nestes últimos tempos temos assistido a várias tentativas, levadas a cabo ou iniciadas, por algumas instituições, com a finalidade de arrumar os vários compartimentos deste enorme casarão. Nesse sentido, desde a Câmara Municipal de Lisboa ao governo, passando pelos partidos políticos, tem sido uma azáfama formidável. Carmona Rodrigues e seus vereadores têm vivido uma história rocambolesca, levando a Câmara Municipal às bocas do mundo e os desacordos ao interior de todos os partidos. A esquerda representada pelos três partidos que aí têm assentamento, tem vindo a fazer queixas e exigências de toda a ordem e finalmente conseguiram levar a que a Câmara caísse e fossem todos a eleições intercalares. Arrumar esta casa não vai ser fácil! A partida para as eleições é complicada e a sua efectivação é, no mínimo, um acto circense. É um risco, é um número de trapézio sem rede, é um número de malabarismo acrobático impensável. Não é o facto de arrumar a casa camarária, mas sim as eleições em si, já que o tempo é escasso para as preparar e para as fazer. Só ideias de última hora e em tempo inoportuno saídas de cabeças ocas, poderão ter esse objectivo.

Este problema levou ao arrastamento de outros que com ele se ligam obviamente. Quem iriam ser os candidatos? Assim, de um momento para o outro e antes das férias de Verão, não era fácil decidir. Propostas em cima da mesa e eis que lá surgem alguns nomes, mais ou menos válidos ao fim de algumas negativas devidamente justificadas. O bloco de esquerda não tinha ninguém mais a quem recorrer e apresentou o mesmo vereador como candidato. Era de esperar! Mas como a certeza de conseguir o lugar anterior não é nenhuma, quis fazer coligação com todos e mais alguém, menos com o CDS e o PSD. O partido comunista quase fez o mesmo. As coligações estiveram em cima da mesa, mas ninguém pegou nelas. É natural.
O governo, andou a fazer trocas e a tirar o ministro António Costa do governo para o enrolar como candidato e a passar para o ministério agora vago, um indivíduo que acabar de tomar posse no Tribunal Constitucional. Como é possível?! É uma brincadeira completa e uma irresponsabilidade governativa! Inadmissível!
O partido social-democrata, após algumas jogadas em falso, lá conseguiu um nome com algum peso. Foi o que lhe valeu, depois do não de Ferreira do Amaral e outros que tal. Em muitos maus lençóis ficaria o PSD, especialmente o seu líder, se isso não acontecesse.
Com alguma calma e serenidade, ficou o CDS. Na verdade, o seu recém-eleito líder, nem sequer fez comentários ao caso, já que, por esta parte também se arrastava algum problema após a saída de Maria José Nogueira Pinto. No entanto a comunicação social fez as apostas que entendeu e lançou nomes para a fogueira a seu bel-prazer. Como conseguiu Paulo Portas conter-se até ao Congresso sem adiantar nomes, eu não sei, mas conseguiu. E com isto fez com que todo o país estivesse atento a esse facto, esperando pelo desenrolar do Congresso para ouvir o nome do escolhido. E ouviram todos. Ouviram não só o nome do candidato, como o arrumar do partido. Novos estatutos, novas propostas, novas personalidades e novas ambições.
Com uma lista de luxo, Telmo Correia é o candidato pelo CDS à Câmara de Lisboa. Talvez não tenha sido uma surpresa total o seu nome aparecer nesta corrida. E também o facto de os nomes da sua lista, principalmente os quatro primeiros, serem de peso, justifica-se plenamente. No entanto, os votos não se somam pelas individualidades que constam da lista, uninominalmente, mas pela sua totalidade, de modo que o que vale é o candidato em si.
Não sendo um mau candidato, é, quanto a mim, um candidato que não deveria assumir tal incumbência nesta altura. Primeiro estava indicado para ser o líder parlamentar e não vai assumir, obviamente. Por outro lado, não vai certamente obter um score eleitoral como obteve Paulo Portas há tempos atrás, o que lhe retira a possibilidade de governar a Câmara Municipal e então é um candidato para queimar ou sair chamuscado. Não interessa! O candidato poderia ser, entre outros, Anacoreta Correia, por exemplo, a quem nada aconteceria e o partido nada sofreria com esse possível resultado. Até porque para arrumar a casa, o que é preciso é haver quem o faça e não tem de ser ninguém em especial. O que é preciso é saber!
Como se pode ver, afinal não é fácil arrumar esta casa imensa! E quem disse que era?!