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Alunos criticam urbanismo de Bragança

Ter, 22/05/2007 - 10:18


Cinco alunos do 12º ano da Escola Secundária Emídio Garcia, em Bragança, dão nota negativa à política de Urbanismo levada a cabo em Bragança. No âmbito da disciplina de Projecto orientada pela docente Alice Borges, o trabalho intitulado “Urbanismo na Cidade de Bragança na década 1995 – 2005” debruçou-se sobre as obras mais emblemáticas que nasceram na capital de distrito. Equipamentos como o Teatro Municipal, túnel da Sá Carneiro, Central de Camionagem, Centro Cultural e Mercado Municipal, arranjos na zona histórica e o programa Polis estiveram na mira do grupo de alunos que põem em causa a viabilidade económica das construções.

“Não queremos criticar, mas tentar abrir os olhos dos responsáveis autárquicos para algumas coisas que não estão bem feitas”, explicou Ana Pereira, uma das alunas que elaborou o trabalho.
O grupo realça que Bragança, após o conjunto de trabalhos efectuados, ficou mais “organizada e arrumada”, mas que determinadas obras não cumpriram os objectivos traçados inicialmente. Como exemplo realçam o programa Polis, que previa arranjos na área envolvente do rio Fervença. Concluídos os trabalhos, o curso de água continua poluído e é frequentado por toxicodependentes. Já a requalificação da zona histórica os alunos lamentam a construção de praças “desertas que, no Inverno são frias e desabrigadas e, no Verão, são tórridas sem qualquer sombra”. Isto a juntar aos materiais utilizados que os jovens consideram de qualidade duvidosa.

Biblioteca Municipal é o único equipamento que cumpre as funções para as quais foi criada

Já o Teatro Municipal é o caso mais grave, uma vez que, apesar do investimento envolvido e de ser a imagem de modernidade, representa prejuízos diários na ordem dos três mil euros, o que leva os alunos a questionar a estratégia seguida.
O novo Mercado Municipal é outro exemplo de fracasso, dado que, das 36 lojas previstas, apenas metade estão abertas.
Quanto ao túnel, apesar de ser visto como uma obra moderna, “desenquadra-se das dimensões da cidade”, alega o grupo de trabalho.
Entre o leque de trabalhos desenvolvidos, os alunos afirmam que o único espaço bem conseguido é a Biblioteca Municipal, integrada no Centro Cultural, uma vez que é bastante utilizada pela população.
“Há obras bem construídas, mas deveria fazer-se mais para as tornar úteis à cidade, porque a sua estruturação podia ter sido feita de forma mais ordenada”, defende Michel Vieira, outro dos estudantes responsável pelo trabalho. Assim, na óptica do aluno, a autarquia “em vez de apostar na construção de zonas novas, deviam virar-se para as requalificações e redimensionamentos” das partes mais antigas da cidade.
Para a coordenadora do projecto, Alice Borges, este estudo devia ser dado a conhecer aos autarcas. “Os alunos são independentes de qualquer partido e não foram influenciados na elaboração do trabalho”, sublinha a docente.