Ter, 22/05/2007 - 10:18
“Não queremos criticar, mas tentar abrir os olhos dos responsáveis autárquicos para algumas coisas que não estão bem feitas”, explicou Ana Pereira, uma das alunas que elaborou o trabalho.
O grupo realça que Bragança, após o conjunto de trabalhos efectuados, ficou mais “organizada e arrumada”, mas que determinadas obras não cumpriram os objectivos traçados inicialmente. Como exemplo realçam o programa Polis, que previa arranjos na área envolvente do rio Fervença. Concluídos os trabalhos, o curso de água continua poluído e é frequentado por toxicodependentes. Já a requalificação da zona histórica os alunos lamentam a construção de praças “desertas que, no Inverno são frias e desabrigadas e, no Verão, são tórridas sem qualquer sombra”. Isto a juntar aos materiais utilizados que os jovens consideram de qualidade duvidosa.
Biblioteca Municipal é o único equipamento que cumpre as funções para as quais foi criada
Já o Teatro Municipal é o caso mais grave, uma vez que, apesar do investimento envolvido e de ser a imagem de modernidade, representa prejuízos diários na ordem dos três mil euros, o que leva os alunos a questionar a estratégia seguida.
O novo Mercado Municipal é outro exemplo de fracasso, dado que, das 36 lojas previstas, apenas metade estão abertas.
Quanto ao túnel, apesar de ser visto como uma obra moderna, “desenquadra-se das dimensões da cidade”, alega o grupo de trabalho.
Entre o leque de trabalhos desenvolvidos, os alunos afirmam que o único espaço bem conseguido é a Biblioteca Municipal, integrada no Centro Cultural, uma vez que é bastante utilizada pela população.
“Há obras bem construídas, mas deveria fazer-se mais para as tornar úteis à cidade, porque a sua estruturação podia ter sido feita de forma mais ordenada”, defende Michel Vieira, outro dos estudantes responsável pelo trabalho. Assim, na óptica do aluno, a autarquia “em vez de apostar na construção de zonas novas, deviam virar-se para as requalificações e redimensionamentos” das partes mais antigas da cidade.
Para a coordenadora do projecto, Alice Borges, este estudo devia ser dado a conhecer aos autarcas. “Os alunos são independentes de qualquer partido e não foram influenciados na elaboração do trabalho”, sublinha a docente.


