Ter, 15/05/2007 - 10:26
No caso de Bragança estão instituídas três feiras mensais e uma anual: a Feira das Cantarinhas.
Antigamente e, de alguma forma, ainda hoje, as feiras serviam para aproximar as populações e fomentar negócios. Hoje vende-se de tudo nas feiras, desde moveis, roupa e sapatos, passando pelos objectos necessários à lida do campo e doméstica até à fruta, legumes, plantas e, em determinadas alturas do ano como esta em que estamos agora, o cebolo, o tomate, as couves e muitos mais géneros destinados ao plantio por estas aldeias fora.
A tradicional Feira das Cantarinhas foi uma das feiras mais concorridas da região. Atraía pessoas vindas de todas as aldeias deste concelho e de outros e até mesmo de fora do distrito. Períodos houve em que se tornou atracção turística e muitos visitantes faziam questão de se deslocarem à região por esta altura.
Era nesta feira que se compravam as cântaras de barro que no campo acompanham os trabalhadores com a água fresca.
As primeiras cerejas do ano era aqui que se comiam e não havia ano nenhum que não fizessem a delícia dos catraios que a elas não resistiam.
Também nesta feira se compravam e compram as cantarinhas para oferecer aos namorados e às pessoas a quem se quer bem.
Guardava-se dinheiro durante o ano inteiro para o poder gastar na Feira das Cantarinhas que era onde se encontravam as melhores e mais bonitas prendas para luzir nas festas de Verão.
Tenho saudades da Feira das Cantarinhas do meu tempo de menino e moço e da agitação que aportava à cidade. Hoje as coisas mudaram e a pujança da feira foi-se perdendo. As razões prendem-se com a própria mudança de vida das pessoas, mas não só.
Esta feira anual deveria manter-se como uma mais valia para a cidade, fazendo dela um ex libris pela sua especificidade e também pela sua tipicidade. O local de realização da mesma, deveria, em minha opinião, ser a rua Direita, Praça da Sé e zona circundante. Ali está a sua alma e é ali que ela se revela em todo o seu esplendor.
Deveria apostar-se na sua divulgação instituindo concursos de cantarinhas; concursos de fotografia; de pintura subordinada ao tema das cantarinhas e também nas próprias cantarinhas registando-as com a marca PB (Pinela/Bragança) e o nome do artesão/pintor; promover o artesanato das cântaras em Pinela dando incentivos e formação a quem se quisesse dedicar a essa actividade; criar uma marca de origem protegida, “Cantarinhas de Pinela” a exemplo do fumeiro de vinhais, do vinho do Porto e muitos outros exemplos espalhados pelo país; criar, no recinto da feira, espaços próprios e exclusivos dedicados às cantarinhas tradicionais e ilustrados com imagens de todo o processo de elaboração das mesmas.
Existem muitas coisas que se podem fazer para revitalizar esta feira de origem medieval que a todos nós diz respeito. Não estamos em tempo de indiferença. É necessário agir, mesmo que nos pareça que são coisas comesinhas e de pouca valia. O futuro não se faz apenas de grandes empreendimentos e de obras de impacto nacional.
Marcolino Cepeda


