Ter, 15/05/2007 - 10:03
Na óptica dos homens da lavoura, o montante pago pelas parcelas representa um “bom negócio”, dada a crise que está a afectar a agricultura. Ou seja, os proprietários preferem vender os terrenos, do que continuarem a depender do que a terra dá.
“O meu irmão tinha uma parcela grande com oliveiras e vinha, mas vendeu porque considerou o negócio vantajoso”, salientou Duarte Araújo, um dos habitantes contactados pelo Jornal Nordeste.
Na óptica do presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé (CMAF), João Carlos Figueiredo, esta é uma “oportunidade única” para os proprietários, dado que os preços praticados superam os que normalmente são definidos para terrenos agrícolas.
Para já, a autarquia está a concluir as escrituras, para assumir o pagamento de algumas parcelas até ao final deste ano e de outras em 2008.
São cerca de 187 hectares, situados a norte da barragem da Estevainha, 60 dos quais já pertenciam à autarquia. Aliás, a CMAF já tinha projectado um parque de campismo para aquela área, alterando, posteriormente, os planos com a chegada do empresário Chaby Rodrigues, que anunciou um investimento de cerca de 255 milhões de euros.
Câmara celebra escrituras com agricultores que prevêem a anulação do negócio, caso o Funzone não avance
Apesar de se tratar de um projecto grandioso, o edil afirma que acredita na concretização do aldeamento turístico, realçando que a recente manutenção da classificação como Projecto de Interesse Público (PIN) é uma garantia importante para o município.
“Neste momento, estamos a fazer um contrato de compra e venda com a Funzone, para que os terrenos sejam pagos à Câmara ao preço de custo. Ou seja, foi o próprio investidor que preferiu este tipo de contrato que anula a doação que, inicialmente, estava prevista”, salientou João Carlos Figueiredo.
Para já, a autarquia vai desembolsar cerca de um milhão de euros, para adquirir os terrenos onde nascerá o empreendimento turístico.
O edil realça, ainda, que caso o projecto não se concretize, a empresa Funzone é obrigada a ressarcir a autarquia mediante o pagamento do dobro do custo dos terrenos.
Mesmo assim, a CMAF está a ser prudente no negócio. Ou seja, cerca de metade dos terrenos estão a ser comprados através de uma escritura que estabelece que o negócio só terá efeito caso o aldeamento turístico se concretize.
Já a população da vila tem menos certezas quanto ao nascimento do Funzone, evocando o ditado popular: “Quando a esmola é muita, o pobre desconfia”.
Recorde-se que o empreendimento foi anunciado em Maio do ano passado, altura em que se previa o início das obras para o passado mês de Março. No entanto, as questões burocráticas são, segundo Chaby Rodrigues, o principal motivo do atraso do projecto.


