Qua, 02/05/2007 - 10:52
“Chegava-se do campo e, em vez de se descansar, toda a gente fazia cestos que iam, depois, vender à festa da Serra da Nogueira, em Setembro”, recorda Hulema Martins. Apesar da tenra idade, a artesã ia fabricando, em jeito de brincadeira, pequenos objectos a partir de algum material que conseguia. “Eu adorava fazer aquilo e os mais velhos admiravam-se como é que eu, sendo tão pequena, já conseguia fazer os cestos”, relatou.
Contudo, com a ida para Angola, Hulema Martins interrompe esta actividade que só retoma quando regressa a Portugal. “Nunca mais pensei voltar a pegar nesta arte, mas uma amiga da aldeia incentivou-me e comecei a expor os meus produtos em alguns certames”, informou.
Desde então, tem participado em diversos eventos, como a Feira da Moimenta, no passado fim-de-semana, em que já participa há cerca de seis anos. “As vendas não são muitas, mas tenho sido convidada e aproveito para vir”, explica a responsável.
“É uma actividade que requer muita concentração e que exige muitas horas de trabalho diário”
À medida que o tempo passa, Hulema Martins sente mais dificuldade em dedicar-se a esta arte. “O corpo ressente-se, porque é sempre a mesma posição durante muito tempo”, explica a responsável que chega a ficar 12 horas a fabricar cestaria. Contudo, a artesã sublinha que o maior obstáculo está na preparação e tratamento do material que será transformado. “É uma actividade que dá muito trabalho, porque, antes de ser moldado, tem que se apanhar, descascar, lavar e secar”, informa Hulema Martins.
As ervas e vime só podem ser cortadas no mês de Março ou Agosto e têm que ser tratadas imediatamente após a sua colheita. O material tem que ser descascado e é, posteriormente, colocado na água, onde as ervas mais finas “aguentam cerca de oito dias”. Já a casca do vime tem que ser retirada no próprio dia da colheita, caso contrário agarra-se à madeira e não se consegue extrair. “A matéria, depois de preparada, tem que ser bem molhada para se conseguir ser trabalhada”, explica a artesã.
A criatividade com que executa o seu trabalho vai surgindo à medida que vai dando forma às ervas e madeira. “Vou inventando e, conforme vou fazendo, é que o feitio vai saindo”, sublinha Hulema Martins. A par do formato dos cestos, a artesã vai dando cor ao material a partir de tintas.


