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À descoberta de novos sons

Qua, 02/05/2007 - 10:30


Há três anos que dois investigadores do laboratório de arqueozoologia do Instituto Português de Arqueologia começaram a elaborar um estudo único em Portugal, tendo como base instrumentos musicais feitos de ossos de animais. Estes instrumentos de sopro, de origem pastoril, já fizeram os dois cientistas recuar na história cerca de 30 mil anos. Os investigadores deslocaram-se à zona do País Basco onde apareceram os primeiros exemplares feitos do osso cúbito da asa de um abutre.

No entanto, Carlos Pimenta e Marta Moreno, através de um trabalho minucioso, descobriram este género de instrumentos ancestrais em vários campos arqueológicos, espalhados um pouco por todo o país. Contudo, não conseguiram descobrir quem os construiu. Por isso, meteram mãos à obra até conseguirem construir réplicas fiéis de flautas ancestrais, assentes num método científico. Assim, os investigadores conseguem provar as origens deste tipo de instrumentos, que se encontram espelhados pelas mais ancestrais culturas de todo o mundo.
“ Sempre que possível fazemos réplicas a partir de ossos actuais e equivalentes às peças originais, criando, deste modo, um espaço de pesquisa. Assim, divulgamos estes aerofones nos meios da musicologia, proporcionado aos entendidos uma exploração objectiva e aprofundada das suas potencialidades acústicas” explicou Carlos Pimenta.
Retirado do “silêncio científico absoluto” em que permaneciam as colecções de alguns museus ibéricos, este projecto tem trazido à luz do conhecimento peças que jamais haviam sido construídas.

Galandum Galundaina vão apostar no som de uma flauta feita de ossos de ovelha para o próximo álbum

De acordo com os dois investigadores, “ análise destes instrumentos conduz-nos a informações inovadoras, abrindo janelas que permitem uma melhor percepção do passado musical dos sucessivos povos e culturas que ocuparam os território ibérico”.
Até ao momento, têm sido ossos como os das asas de abutre ou das longas pernas do flamingo, passando pelas tíbias de ovelha, que vão dando corpo à investigação.
Outra informação avançada, mas esta sem provas cientificas, tem a ver com uma descoberta feita no século primeiro da era cristã, que os ossos de burro são uma base excelente para o fabrico de múltiplos instrumentos de sopro. A novidade foi avançada durante um palestra levada a efeito no decurso do Festival Sons e Ruralidades, que decorre em Vimioso.
“ A informação chegou-nos através dos escritos de Plínio, um autor clássico, que afirmava que os ossos de burro são matéria para fazer flautas. Mas, até ao momento, a arqueologia não descobriu, ainda, nenhum exemplar”, avançaram os investigadores.
No entanto, há músicos, como é o caso de Paulo Preto, do grupo de música tradicional mirandesa Galandum Galundaina, que já garantiu que uma peça do próximo disco do grupo vai ter sons de flauta feita da tíbia de uma ovelha.