Ter, 03/04/2007 - 10:51
Por essa razão, como português e como cidadão europeu que sou, estou desiludido. Por vezes, a desilusão faz-nos pensar e sonhar com soluções que julgamos correctas e necessárias para alterar uma situação que não nos agrada.
Por isso aqui explano o meu sonho, para uns, talvez estapafúrdio, para outros (com algum arranjo daqui e dacolá), possível, num futuro mais ou menos longínquo.
Sonho, efectivamente, uma União de Estados Europeus, a exemplo dos Estados Unidos da América. Cada um dos 27 países que agora fazem parte da Europa comunitária e os que ainda não o fazem, mas que também pertencem ao continente, passariam a funcionar como se de um único País se tratasse.
Os membros desta federação não perderiam a sua individualidade, cultura, língua, autonomia, mas passariam a ter de responder, no concernente às decisões que pudessem ter alguma implicação nos restantes estados da “Europa” (assim se chamaria esta União de Estados). Cada uma das nações passaria a ser governada por um Governador e de sete em sete anos a presidência da “Europa” seria assumida por um dos representantes, rei ou presidente, dos estados membros, em sistema de rotatividade. Os órgãos de gestão da “Europa” poderiam ser os mesmos que agora existem, adaptados às novas circunstâncias.
Haveria, obviamente, um Tribunal Constitucional Europeu constituído por juízes de todos os países que teria competência e poder para intervir em todos os estados membros da União.
Tudo seria feito visando a igualdade de circunstâncias, de riqueza, de desenvolvimento, de educação, de salários, de saúde, etc, de todos os membros. A língua oficial seria o inglês e todos os restantes países conservariam a sua própria língua. As eleições para Governador de cada um dos estados seriam feitas ao mesmo tempo e cada mandato teria a duração de cinco anos. As eleições autárquicas seriam feitas dois anos depois. Viveríamos numa grande Democracia Parlamentar onde, a exemplo do que agora acontece, haveria a alternância entre a esquerda socialista e a direita democrática.
O mais importante nesta União de Estados seria apostar no desenvolvimento equilibrado de todos e a manutenção dos nossos melhores cidadãos no espaço europeu. A debandada dos nossos melhores cientistas, gestores, economistas, etc. seria cortada pela raiz já que todos encontrariam aqui as melhores condições de trabalho e vida.
A moeda seria, efectivamente, única. Não haveria espaço para a manutenção de moedas diferentes, como é o caso actual. A televisão teria a sua programação regional e também uma programação geral. Por exemplo, a primeira parte dos telejornais seria dedicada às notícias da “União” e o restante tempo seria responsabilidade de cada um dos estados membros.
Todos os dias assistimos à deslocalização de empresas para outros países, o que cria uma série de problemas sociais e de desenvolvimento. Com esta “União”, todos seriam responsáveis por todos. Criar-se-ia assim, uma grande potência mundial que poderia competir em igualdade de circunstâncias com a China, Estados Unidos da América, Japão, Índia, Coreia do Sul, enfim, com todas as potências actuais.
A regionalização seria efectiva em Portugal. O nosso país seria dividido em regiões autónomas: as regiões Norte, Centro e Sul.
A “Europa” seria aquilo que sempre quis ser: uma grande, senão a maior, potência mundial.
Marcolino Cepeda


