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A Feira de Bragança: decadência ou modernidade?

Ter, 06/03/2007 - 11:06


A importância social e económica das feiras tradicionais na nossa região tem vindo a decrescer ao longo dos últimos anos, como consequência não só da desertificação humana, mas também dos novos hábitos de consumo, em que se destacam o surgimento, um pouco por todo o lado de médias e grandes superfícies comerciais.
O velho hábito de vender os produtos agrícolas locais está praticamente extinto e hoje assiste-se somente à feira onde para além dos artigos de vestuário e calçado, se vendem algumas utilidades domésticas, e pouco mais. As Feira de Gado, que habitualmente se realizavam simultaneamente e eram o indicador do mercado pecuário, terminaram de vez e só em alguns concelhos subsistem, como é o exemplo de Macedo de Cavaleiros (Podence) e de Chaves.
No caso particular, a Feira de Bragança, realizada três vezes por mês, continua a ser uma das de referência na região e tida por muitos feirantes, na maioria exteriores ao Concelho de Bragança, como uma das mais rentáveis economicamente.
Há cerca de 3 ou 4 anos atrás, não precisando o ano, situo o tempo no mandato autárquico anterior ao que está em curso, entendeu a Câmara Municipal transferir o espaço da feira, na altura junto ao estádio de futebol, para um espaço devoluto, não urbanizado, situado na Av. General Humberto Delgado, junto ao Mercado Municipal.
O espaço anterior não sendo um espaço de raiz para o efeito, era no entanto uma área delimitada, que possuía algumas insuficiências, nomeadamente ao nível do pavimento, instalações sanitárias, entre outras, mas em contrapartida tinha toda uma área envolvente de estacionamento que não era tão penalizante para a fluidez rodoviária da cidade, para além do facto de que permitia um maior distanciamento concorrencial com o comércio tradicional.
Próximo ao novo espaço da feira, onde a confusão reina três vezes por mês, encontram-se duas escolas, a escola Secundária Abade de Baçal e a Escola EB2,3 Augusto Moreno, factor que, infelizmente, não foi considerado limitador da decisão da mudança tomada, penalizando a acessibilidade às Escolas durante estes três dias. Neste particular falo também como Encarregado de Educação de um aluno que frequenta um destes estabelecimentos de ensino.
Contrariando aquilo que tem sido a regra na maioria dos Municípios, onde as Feiras decorrem em espaços reservados para o efeito, com as infra-estruturas básicas, não causando transtorno aos seus Munícipes, sendo inclusive espaços convidativos para entrar e comprar, a capital de distrito optou pelo regresso ao passado.
Considero, portanto, negativa a transferência da feira por transitar para um espaço com piores condições de piso, não delimitado e gerar barulhos e transtornos rodoviários, em particular para os alunos e professores das duas escolas, não servindo de justificação a tentativa de ajudar na viabilização do Mercado Municipal. Os operadores comerciais deste espaço parecem não terem tirado grande partido da referida mudança. Nos dias de feira, os produtos exteriores concorrem com os deles e, no caso particular dos produtos alimentares, existem algumas situações questionáveis em termos das condições higio-sanitárias exigíveis.
Importa, pois, considerar a redefinição da localização do espaço da feira, dotado das devidas infra-estruturas, para os feirantes e visitantes, por forma a que esta actividade comercial não colida com a vida da cidade.
Para finalizar, não deixa de parecer contraditório, que numa altura em que tanto se fala em modernidade, na afirmação cultural da cidade, com os incontornáveis museus, aqui uma palavra de destaque para o renovado e airoso Museu Abade de Baçal, ainda permaneça por encontrar um espaço adequado para uma das mais antigas actividades comercias.

Duarte Diz Lopes