Ter, 27/02/2007 - 10:27
As peças foram criadas por 46 artesãos dos dois lados da fronteira, que se empenham para não deixarem morrer as tradições que fazem parte da identidade do povo fronteiriço.
Trata-se de um local informativo e, ao mesmo tempo, pedagógico, criado no âmbito do projecto “Máscaras: Promoção Turística e Cultural Transfronteiriça”, que se insere no programa de cooperação INTERREG III A. É um projecto que resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Bragança (CMB) e a Diputación de Zamora e visa, igualmente, outras acções de promoção das tradições ligadas à máscara.
Na óptica do presidente da CMB, Jorge Nunes, o museu congrega tudo o que é importante ao nível da máscara ibérica, preservando a identidade dos povos dos dois lados da fronteira.
“Estão representados todos os grupos com mais expressão e dimensão ao nível das tradições de Inverno da região de Trás-os-Montes e Alto Douro e da província de Zamora”, acrescentou o edil.
No museu estão representadas 18 localidades dos concelhos de Bragança, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Miranda do Douro, Mogadouro e Lamego, com destaque para os caretos de Podence, Salsas, Varge, Ousilhão e, até, de Lazarim.
Além disso, os turistas podem, ainda, ver as máscaras e trajes usados em 11 localidades da província de Zamora.
Portugueses e espanhóis aguardam que os trajes e máscaras das duas regiões sejam reconhecidos com a designação “Manifestação de Interesse Cultural”
Situado na rua principal da cidadela de Bragança, o museu ibérico está instalado num imóvel com três pisos que foi recuperado e adaptado pela autarquia. Trata-se de um investimento de 300 mil euros, co-financiado pelo programa comunitário INTERREG III A.
Jorge Nunes prevê que este espaço, aberto ao público seis dias por semana, à excepção de quintas-feiras, receba 40 mil visitantes durante o primeiro ano de funcionamento, uma vez que se encontra num local estratégico.
Mais a baixo encontra-se um Posto de Turismo e Informação, onde os turistas podem comprar trajes, máscaras, bem como outros acessórios, e, ao mesmo tempo, interagirem com os artesãos.
A par da abertura do museu, o projecto “Máscaras” contempla, ainda, um estudo que pretende alcançar a denominação de “Manifestação de Interesse Cultural” para todas as festas e rituais realizados nos dois lados da fronteira.
O estudo, a investigação e o catálogo de todo o trabalho desenvolvido foi entregue, no passado sábado, à responsável da delegação da Cultura do Norte, para seguir para o Ministério da Cultura. Do lado espanhol, também já foi entregue um pedido à Junta de Castela e Leão.
No âmbito das acções de promoção e divulgação, foi, ainda, criado um portal dedicado a esta temática, que pode ser visitado em www.mascaraiberica.com.


