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E culpados?

Qua, 21/02/2007 - 17:56


O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, considera que o acidente na linha do Tua podia ter sido evitado se as estruturas ferroviárias tivessem sido alvo de manutenção.

Em entrevista ao programa “Diga lá Excelência”, da Rádio Renascença e do jornal Público, Fernando Santo referiu, citado pela Lusa, que o acidente é “mais uma” consequência do “desmantelamento” dos organismos públicos responsáveis pela manutenção “deste tipo de obras”.
As declarações do responsável surgem numa altura em que o partido ecologista “Os Verdes” fala de vários deslizamentos e desmoronamentos em linhas ferroviárias portuguesas no decorrer deste Inverno.
Após a tragédia, foram abertos três inquéritos para apurar responsabilidades: um do Instituto Nacional de Transportes Ferroviários, outro da REFER e um terceiro do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação.
Falta, então, saber se o descarrilamento foi provocado por uma derrocada que terá atingido o próprio comboio, ou por um deslizamento de terras, anterior à passagem da automotora, que terá descalçado o aterro em que assentavam os carris.
A dúvida gravita entre estas duas versões, mas existe um facto que dispensa inquérito, mas que deveria obrigar as autoridades a dar explicações. Porque razões não existem mecanismos de detecção de derrocadas na Linha do Tua, à semelhança do que acontece noutras linhas, onde sistemas accionados por feixes de luz assinalam a queda de pedras?
A REFER ainda não respondeu a esta pergunta e, para os conhecedores da linha rede ferroviária nacional, nem precisa de fazê-lo. É sabido que os pequenos ramais de linha estreita, como o Tua, fazem parte da chamada rede secundária, muito longe dos planos de modernização da empresa. Dadas as características do ramal, que rasgou a margem do Tua à custa de pólvora, sacrifício humano e muitos aterros, é certo que a tragédia só não aconteceu mais cedo porque o destino assim não o quis. As pedras espreitam de um lado e o espaço que separa os carris do rio é muito estreito. Resta saber se a solução da REFER para evitar mais acidentes será o fim da circulação entre o Cachão e o Tua.