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	<title>Arquivo de Opinião - Nordeste</title>
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	<title>Arquivo de Opinião - Nordeste</title>
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		<title>À Luz de Stonewall</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/30/a-luz-de-stonewall/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No passado dia 28 de junho, celebrámos o Dia Internacional do Orgulho LGBT+ e, como feminista e defensora dos direitos humanos, não poderia deixar de refletir sobre esta temática</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/30/a-luz-de-stonewall/">À Luz de Stonewall</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No passado dia 28 de junho, celebrámos o Dia Internacional do Orgulho LGBT+ e, como feminista e defensora dos direitos humanos, não poderia deixar de refletir sobre esta temática. Sendo este um assunto que ainda gera alguma controvérsia e polarização na sociedade civil, considerei importante expressar o porquê da celebração deste marco histórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 60, a homossexualidade era considerada crime em quase todos os estados dos EUA. Era proibido dar a mão em público a uma pessoa do mesmo sexo ou usar roupas que não correspondessem ao género imposto pela sociedade. Devido a esta perseguição, a comunidade LGBT+ socializava em bares clandestinos. Um deles era o Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan — um refúgio para drag queens, jovens sem-abrigo, pessoas trans e homossexuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As rusgas policiais a estes locais eram constantes. Mas, na madrugada de 28 de junho de 1969, a comunidade decidiu que não iria permanecer calada perante a injustiça. Em vez de fugirem ou cederem à humilhação, optaram por enfrentar a opressão policial. Juntos, iniciaram o maior protesto até então visto, numa luta corajosa pela sua dignidade e aceitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este assunto, para a maioria dos leitores do Jornal Nordeste, pode soar distante, banal ou até de pouca relevância. Alguns poderão comparar-se e argumentar que as suas vidas também são repletas de injustiças e que não se sentem representados nem escutados. É precisamente aqui que reside o ponto central: uma injustiça social nunca apagará outra. A luta pelos direitos LGBT+ não é maior nem menor do que a luta por salários dignos, por habitação acessível ou por serviços públicos de qualidade. Pelo contrário: no dia em que os direitos humanos estiverem plenamente acessíveis a TODOS, toda a sociedade beneficiará.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos o exemplo da saúde mental. Portugal tem uma taxa de mortalidade por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) de 9,2 por cada 100 mil habitantes. Se analisarmos por género, a taxa é muito superior nos homens (14,6) em comparação com as mulheres (4,3). Além disso, a probabilidade de um jovem LGBT+ tentar o suicídio é 2 a 5 vezes superior à de jovens heterossexuais cisgénero. Se aumentarmos a presença de profissionais de saúde mental no SNS e, consequentemente, o número de consultas, estaremos todos a beneficiar de um serviço crucial para a população em geral — e que salvará vidas nesta comunidade em particular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Coloquemos a questão noutra perspetiva. Em vez de nos incomodarmos com o hastear da bandeira LGBT+ em edifícios públicos — afinal, qual é o problema de, num dia específico do ano, se hastear um símbolo de celebração e promoção da aceitação de uma comunidade historicamente marginalizada? — ou com a autodeterminação de género dos nossos jovens (que diz respeito ao foro íntimo e à identidade de cada um), porque não falamos verdadeiramente dos grandes flagelos? Porque não falamos do bullying homofóbico e transfóbico nas escolas? Porque não ensinamos o respeito e a empatia pelo próximo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ninguém pode nem deve ditar quem o outro deve amar. Enquanto sociedade, devemos sim garantir ferramentas para que todos os cidadãos possam aceder às mesmas oportunidades, independentemente da sua identidade de género ou orientação sexual. É isto que está em causa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sejamos nós a dar este passo em frente na aceitação destes seres humanos tal como eles são, sem imposição de ideologias ou crenças, respeitando a liberdade individual de cada um. A comunidade LGBT+ não pede que todos pertençam a ela; pede apenas que aceitem a sua existência e que o preconceito dê lugar ao respeito.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ouça a Caroline no Parlamento Jovem todas as sextas às 21:00 na Rádio Brigantia</em></p>
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			</item>
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		<title>Ardemos mais do que aprendemos</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/30/ardemos-mais-do-que-aprendemos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carina Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 09:32:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial - Carina Alves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O calor desta semana passará. As temperaturas acabarão por descer. Mas, se nada mudar, as cinzas voltarão a cobrir o país</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/30/ardemos-mais-do-que-aprendemos/">Ardemos mais do que aprendemos</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Esta semana será marcada por temperaturas extremas. O calor, alimentado por uma massa de ar subtropical e por um bloqueio atmosférico sobre a Península Ibérica, criará as condições perfeitas para que o risco de incêndio rural atinja níveis muito elevados. É um cenário que conhecemos demasiado bem. E, infelizmente, também sabemos o que costuma vir a seguir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os anos, por esta altura, repetem-se as imagens. As serras envoltas em fumo, populações em sobressalto, bombeiros levados ao limite da resistência humana e promessas de reformas, minutos de silêncio. Depois chega a chuva, o tema desaparece da agenda política e tudo fica à espera do verão seguinte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como é possível que um país que conhece tão bem o problema continue, década após década, a fracassar no combate à sua principal causa?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal sempre teve verões quentes. Não digam que é culpa das alterações climáticas. Agravam o problema, sem dúvida, mas não explicam por que razão continuamos a arder mais do que aprendemos. Também não é por falta de tecnologia, de meios ou de dinheiro. O que continua a faltar é vontade política para atacar as causas em vez de apenas financiar as consequências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos ouvimos falar inúmeras vezes da chamada “indústria do fogo”. Durante muito tempo, essa expressão foi tratada como uma teoria conspirativa. No entanto, a realidade veio mostrar que existem, pelo menos, razões para desconfiar de alguns interesses instalados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A operação “Torre de Controlo”, desencadeada no ano passado pela Polícia Judiciária, revelou suspeitas graves de cartel, manipulação de concursos públicos, favorecimento de empresas e superfaturação de contratos relacionados com os meios aéreos de combate aos incêndios. O Estado poderá ter pago muito acima do valor de mercado por serviços essenciais. Isto não significa, naturalmente, que os incêndios sejam provocados para alimentar esses contratos, mas significa que existe dinheiro a circular em abundância sempre que o país arde. E onde circula muito dinheiro público sem fiscalização eficaz, cresce inevitavelmente o risco de corrupção, favorecimento e desperdício. É precisamente por isso que a prevenção continua a parecer o parente pobre desta história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gastam-se centenas de milhões no combate, mas continua a faltar uma verdadeira política de ordenamento florestal, gestão do território, limpeza eficaz das matas, valorização económica da floresta e responsabilização de quem incumpre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante anos optou-se por transferir grande parte da responsabilidade para os proprietários, impondo limpezas obrigatórias. Passado todo este tempo, é legítimo perguntar: os resultados justificam essa estratégia?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também vale a pena recordar outra evidência incómoda, a de que, durante décadas, a capacidade da Força Aérea foi sendo substituída por um crescente recurso a empresas privadas de meios aéreos. As opções políticas podem ser discutidas, mas é legítimo questionar se o interesse público ficou realmente mais bem servido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, todos os verões assistimos ao mesmo ritual. A comunicação social acompanha minuto a minuto o avanço das chamas, os políticos visitam os teatros de operações, multiplicam-se os elogios aos bombeiros e promete-se que “desta vez será diferente”. Nunca é. Enquanto o combate continuar a ser muito mais rentável do que a prevenção, haverá sempre menos incentivos para resolver definitivamente o problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É evidente que nem todos os incêndios têm origem criminosa. Há negligência, acidentes, fenómenos naturais e também incendiários, mas também é evidente que um sistema que movimenta milhões de euros todos os anos deve ser escrutinado ao mais alto nível. Sem tabus. Sem receio de incomodar interesses instalados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O calor desta semana passará. As temperaturas acabarão por descer. Mas, se nada mudar, as cinzas voltarão a cobrir o país, os discursos serão reciclados e as promessas regressarão ao arquivo onde permanecem há décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal não precisa apenas de mais meios para apagar fogos. Precisa, sobretudo, de apagar os interesses que continuam a alimentar um sistema onde demasiados lucram com aquilo que é uma tragédia para todos os outros.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>FAB: Quatro dias de orgulho rural</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/27/fab-quatro-dias-de-orgulho-rural/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 09:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Página do Tio João]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante quatro dias, a Quinta da Trajinha transformou-se na capital da agricultura transmontana, reunindo agricultores, criadores de gado, empresas, técnicos, instituições e milhares de visitantes.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No domingo, dia 21 de junho, às 9h24 da manhã, entrou oficialmente o verão. Com o solstício chegou o dia mais comprido do ano e a noite mais curta. É uma data que sempre teve um significado especial para quem vive da terra, porque o verão é tempo de colheitas, de abundância e de recompensa por meses de trabalho e dedicação</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez por isso tenha sido tão apropriada a realização da primeira edição da FAB – Feira Agrícola de Bragança. Durante quatro dias, a Quinta da Trajinha transformou-se na capital da agricultura transmontana, reunindo agricultores, criadores de gado, empresas, técnicos, instituições e milhares de visitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também a Rádio Brigantia marcou presença. No sábado, Dia do Agricultor, realizámos em direto, entre as seis e as dez da manhã, o programa Bom Dia Tio João. Foram quatro horas dedicadas aos homens e mulheres que trabalham a terra, uma justa homenagem a uma classe que continua a ser uma das bases da nossa economia e da nossa identidade rural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os muitos momentos marcantes da feira, merece destaque o desfile e a bênção dos tratores pelas ruas da cidade. Centenas de pessoas assistiram à passagem destas máquinas que são hoje indispensáveis à agricultura moderna. Alguns dos tratores apresentavam alegorias que despertaram memórias de outros tempos. Muitos recordaram com saudade as festas da cidade de há quarenta ou cinquenta anos, quando os desfiles alegóricos faziam parte das celebrações e enchiam as ruas de cor, criatividade e participação popular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdade é que a agricultura mudou muito. Hoje, sem a ajuda da mecanização, seria praticamente impossível manter grande parte da atividade agrícola. A falta de mão de obra e as exigências da vida moderna obrigaram o setor a evoluir. As máquinas vieram substituir muitos trabalhos pesados, permitindo que a agricultura continue viva e produtiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas se as máquinas evoluíram, há valores que permanecem inalteráveis: o amor à terra, a dedicação aos animais e o orgulho de continuar uma atividade que passa de geração em geração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos exemplos disso é António Rodrigo, de Rebordainhos, participante da Família do Tio João há muitos anos. Com 67 anos de idade, continua ligado à agricultura e à pastorícia, atividade que partilha com a esposa. Proprietário de um rebanho da raça churra galega-bragançana branca, participou no concurso de ovinos realizado durante a FAB.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como ele próprio faz questão de sublinhar, não participa com o objetivo principal de ganhar prémios, mas sim para conviver, aprender, trocar experiências e encontrar outros pastores que partilham a mesma paixão. Ainda assim, os seus exemplares obtiveram classificações muito honrosas, alcançando um quarto, um quinto e um sexto lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">António Rodrigo mostrou-se satisfeito com a organização da feira e considera que um evento desta natureza já fazia falta em Bragança. Destacou a excelente escolha da Quinta da Trajinha para acolher a iniciativa e sublinhou a importância de dar visibilidade ao trabalho dos agricultores e criadores da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O seu testemunho resume bem o sentimento de muitos dos participantes. A FAB não foi apenas uma feira de máquinas, animais ou produtos agrícolas. Foi um encontro de pessoas. Um espaço de convívio, partilha e valorização de um setor que continua a ser essencial para o presente e para o futuro do nosso território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira edição terminou, mas deixou uma certeza: Bragança tem condições para afirmar esta feira como uma referência regional e nacional. Porque enquanto houver agricultores a semear, pastores a cuidar dos seus rebanhos e homens e mulheres dispostos a trabalhar a terra, haverá sempre esperança, alimento e futuro para Trás-os-Montes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Nos últimos dias estiveram de parabéns: José Paulo (92), de Valverde (Valpaços); Manuel Cruz (81), de Valpaços; Alcides Preto (79), de Caravela (Bragança); Aldina Roma (79), de Talhas (Macedo de Cavaleiros); António Miranda (76), de Paradinha (Bragança); Leardina Reis (74) e sua neta Flora Reis (15), de Valpaço (Vinhais); Pompeu Barreira (72), de Suçães (Mirandela); Filomena Santos (69) e o seu marido Gentil Pinto (67), de Tões (Armamar); Lurdes da Costa (60), de Estorãos (Valpaços); Fátima Correia (58), de Bragança; Anabela (55), de Bragança; Marisa Borges (44), de Grijó de Parada (Bragança); e Alexandre Tabuada (18), de Bragança. Desejamos a todos muitas felicidades, muita saúde, paz, alegria e longos anos de vida. Que continuem a celebrar esta data querida rodeados do carinho da família e dos amigos. Parabéns a todos!</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Trabalho prisional… A solução que a floresta e o país precisam</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/26/trabalho-prisional-a-solucao-que-a-floresta-e-o-pais-precisam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 09:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Governo prepara-se para, após aprovação parlamentar, permitir que reclusos realizem trabalhos de limpeza florestal. Estou inteiramente de acordo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/26/trabalho-prisional-a-solucao-que-a-floresta-e-o-pais-precisam/">Trabalho prisional… A solução que a floresta e o país precisam</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Governo prepara-se para, após aprovação parlamentar, permitir que reclusos realizem trabalhos de limpeza florestal. Tendo em conta o meu passado e a experiência profissional, no âmbito dos Serviços Prisionais, bem como o que vi e com os meus olhos, estou inteiramente de acordo. Não é uma ideia nova. Em Bragança esta ideia já se implementou há mais de 20 anos. O Estabelecimento Prisional de Bragança, em parceria com a Câmara Municipal de Bragança, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e a Direcção-Geral das Florestas, desenvolveu um projeto de limpeza e beneficiação florestal na serra de Nogueira, cuja alcance teve, ainda, outros contornos positivos, sobretudo no domínio das limpezas urbanas. Participei, de alma e coração, nesse projeto, tendo-lhe dado vida e visibilidade. Tal como outros foi muito valorizado socialmente. Reclusos do E.P. Bragança, integrados no Regime Aberto, e os elementos do Corpo da Guarda Prisional que se disponibilizaram para a vigilância, atenta e com pedagógica relacional adequada, tiveram uma postura de elevada competência e entrega à missão. Ainda hoje, de ambos lados, na estrada da serra de Nogueira, são visíveis os resultados desse labor meritório. Pena não ter sido possível dar-lhe continuidade. Ficou, contudo, a experiência. Ficou a marca. Ficou a prova inequívoca de que é possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este projeto nacional chega, de algum modo, com anos de atraso. Durante pelo menos três décadas, o E.P. Bragança ocupou um lugar de vanguarda no universo prisional português no que toca à ocupação laboral de reclusos, em múltiplas áreas de atividade produtiva. Muitos dos que trabalharam no Regime Aberto no Exterior continuaram ligados às entidades patronais após a saída em liberdade, o que interessa realçar no domínio da reinserção. Uma percentagem significativa mantém ainda hoje o vínculo laboral. Trabalho é ponte. Trabalho é futuro. Trabalho é a melhor garantia de que a porta da prisão não volta a abrir-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, a reinserção social e laboral tem, ainda, mais valor acrescentado quando o trabalho vem a par de ações formativas. Literacia, formação cívica, urbanidade, etc. Programas específicos, ajustados às necessidades de cada pessoa. Quem cumpre pena precisa de mais do que ocupar o tempo. Precisa de ferramentas para não regressar ao meio penitenciário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante perceber que, quando um recluso trabalha, seja no Regime Aberto Interior ou no Exterior, todo o sistema ganha, transversalmente. Ganha o próprio recluso, que recupera dignidade e aprende um ofício. Ganham os familiares, porque muitas vezes esse salário é o único meio de subsistência económica de quem cumpre pena. É o “pé de meia” para os primeiros tempos após a liberdade. Ganha o sistema prisional, com menos ociosidade, mais motivação na população e mais disciplina. Ganha a sociedade, com florestas mais limpas e seguras e demais trabalhos. Em Izeda, até o Centro Social e Paroquial se torna um pólo de inclusão laboral e até de residência geriátrica para reclusos sem retaguarda familiar. Ganha o país, que, por exemplo, reduz o risco de incêndio e valoriza quem quer recomeçar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Facilitar o trabalho prisional, com regras claras e bem definidas, é, portanto, uma boa ideia. Não é favor. É justiça que trabalha. É prevenção que se vê. É segunda oportunidade que se mede em hectares limpos e em vidas endireitadas.<br>Mais vale tarde que nunca. Força para quem vai implementar. E que se olhe para Bragança, porque a serra de Nogueira já respondeu à pergunta: dá resultado.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/25/quem-ao-alto-nao-aponta-nem-ao-meio-acerta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 05:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[David Fernandes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por uma questão de ter “dois dedos de testa”, o sinal que o executivo municipal liderado por Isabel Ferreira deu, só pode deixar os agricultores satisfeitos. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/25/quem-ao-alto-nao-aponta-nem-ao-meio-acerta/">Quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Bragança viveu, nos últimos dias, o maior evento agrícola jamais realizado no nosso concelho. Este sinal político de valorização da agricultura e do mundo rural foi uma clara assunção de que, para este executivo municipal, a agricultura mantém-se como uma prioridade, tal qual vinha a ser feito desde 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ciclo governativo 2013-2025 foi, sem comparação, o período político de maior investimento na agricultura em Bragança. Desde o constante apoio às chegas de touros, ao apoio às doenças do castanheiro, bem como a valorização das raças autóctones, não há problema nenhum em negar que os executivos de Hernâni Dias e Paulo Xavier foram os que mais importância deram ao setor agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, por uma questão de ter “dois dedos de testa”, o sinal que o executivo municipal liderado por Isabel Ferreira deu, só pode deixar os agricultores satisfeitos. Podemos analisar a questão da seguinte forma: a agricultura em Bragança é uma prioridade, mas faltava este clique para podermos ir mais longe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bragança não se pode dar ao luxo de ter receio de assumir a sua importância. Somos a capital do distrito, dispomos de uma variedade de produtos enormíssima e de alta qualidade, como é que não se poderia ter feito já este evento?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estimado leitor sabe perfeitamente que não legitimei Isabel Ferreira nas urnas nem a sua equipa. Não me cai medalha nenhuma em reconhecer que a Feira Agrícola de Bragança foi, até à data, o melhor projeto deste executivo. Há muito para melhorar? Sim, mas também só quem faz é que pode receber críticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que o futuro de Bragança não pode estar condicionado aos jogos políticos. Estamos muito atrasados em relação às grandes cidades e temos de encetar um esforço comum de desenvolvimento territorial para Bragança. Lado a lado, apoiando os que fazem deste território uma referência de bem viver, de sustentabilidade económica e de bem receber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que vos digo que, quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta. E Bragança precisa de pensar em grande!</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/25/quem-ao-alto-nao-aponta-nem-ao-meio-acerta/">Quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um olhar sobre o futuro do país, que incluía os territórios</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/24/um-olhar-sobre-o-futuro-do-pais-que-incluia-os-territorios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 10:31:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Evaristo Neves]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://jornalnordeste.com/?p=334353</guid>

					<description><![CDATA[<p>Portugal continua amarrado a um modelo de organização territorial excessivamente centralizado</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/24/um-olhar-sobre-o-futuro-do-pais-que-incluia-os-territorios/">Um olhar sobre o futuro do país, que incluía os territórios</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Portugal continua amarrado a um modelo de organização territorial excessivamente centralizado, incapaz de responder às profundas desigualdades entre litoral e interior. O processo de regionalização tem sido sucessivamente adiado por interesses políticos, calculismo partidário e falta de uma visão estratégica integrada do país como um todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que uma discussão administrativa, trata-se de uma questão de justiça territorial e de desenvolvimento equilibrado. Ao longo das últimas décadas, os vários governos optaram por soluções incompletas, como a descentralizações de competências para as autarquias (Lei n.º 50/2018, de 16 de agosto) sem alterar verdadeiramente a estrutura do poder político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Freire de Sousa (2026) “a municipalização é uma solução coxa, pelo que, a descentralização necessária terá sempre de estar muito para além da mera transferência de competências para o nível municipal”. Esta realidade é particularmente relevante num país onde alguns municípios dos territórios de baixa densidade populacional não possuem meios materiais, nem recursos humanos ou financeiros suficientes para enfrentar desafios contemporâneos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bloqueio à regionalização não é técnico; é político. Falta vontade política para redistribuir poder e aproximar as decisões públicas das populações. Enquanto isto, Lisboa continua a concentrar investimento, serviços públicos e novas oportunidades económicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A regionalização não representa uma ameaça à unidade nacional, mas antes uma oportunidade para fortalecer a coesão territorial. Reformar o Estado é reformar o centralismo. Persistir no atual modelo de organização territorial, significa aceitar um país cada vez mais desigual, envelhecido e desertificado no interior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal precisa de homens e mulheres “fazedores“, com coragem política para concretizar uma reforma há muito prometida. Regionalizar é aproximar o Estado dos cidadãos, valorizar os territórios e construir um futuro mais equilibrado e sustentável.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/24/um-olhar-sobre-o-futuro-do-pais-que-incluia-os-territorios/">Um olhar sobre o futuro do país, que incluía os territórios</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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		<title>A morte da empatia</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/22/a-morte-da-empatia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carina Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 17:14:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial - Carina Alves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nenhum ser humano nasce capaz de matar uma criança por ela existir. Antes disso acontece outra morte, silenciosa e invisível. A da empatia. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma menina de oito anos morreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a investigação, foi morta pela mulher que partilhava a vida com o pai. E a motivação apontada pelas autoridades é tão desconcertante quanto o próprio crime. Ciúmes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há palavras que, quando colocadas ao lado de determinados acontecimentos, perdem o sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ciúmes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma palavra pequena para carregar um peso tão grande. Porque os ciúmes pertencem ao universo das inseguranças dos adultos. Das relações que se desgastam, dos amores que terminam, dos egos que se confrontam. Nunca deveriam caber na mesma frase que uma criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não porque uma menina tenha feito alguma coisa para os provocar, mas porque alguém, num processo mental que desafia qualquer consciência saudável, deixou de olhar para ela como uma criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É aí que começa o verdadeiro horror.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhum ser humano nasce capaz de matar uma criança por ela existir. Antes disso acontece outra morte, silenciosa e invisível. A da empatia. A capacidade de reconhecer no outro alguém digno de proteção desaparece. A criança deixa de ser filha, deixa de ser inocência, deixa de ser vulnerabilidade. Passa a ser um obstáculo. Uma presença incómoda. Uma rival.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E quando isso acontece, perde-se uma das últimas fronteiras da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há muito que sabemos que o ser humano é capaz do melhor e do pior. A História ensina-o todos os dias. Construímos hospitais e câmaras de gás. Escrevemos declarações de direitos humanos e promovemos genocídios. Somos capazes de dar a vida por um desconhecido e de a retirar por motivos que a razão nunca conseguirá acomodar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o maior erro seja acreditar que a barbárie pertence sempre aos outros. Aos monstros. Às personagens dos livros ou aos criminosos das séries televisivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A barbárie começa quando deixamos de reconhecer a humanidade de quem está à nossa frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi assim em todas as grandes atrocidades da História. Primeiro deixa-se de ver uma pessoa. Depois, tudo o resto se torna possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste caso, deixou-se de ver uma menina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É isso que torna esta tragédia tão insuportável. Não apenas a violência do ato, mas a ideia de que uma criança possa ser olhada através do filtro da competição. Como se o amor de um pai fosse um prémio com apenas um vencedor. Como se um abraço dado a uma filha fosse um abraço roubado a outra pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor nunca funcionou assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só o egoísmo acredita que o afeto é um território que se conquista eliminando quem o habita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante um caso destes, multiplicam-se as perguntas. Como foi possível? O que leva alguém a fazer isto? Em que momento uma consciência se rompe ao ponto de transformar uma criança numa ameaça?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez nunca encontremos respostas suficientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez essa incapacidade seja uma forma de saúde moral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque há crimes que uma sociedade não deve compreender totalmente. Deve investigá-los. Deve julgá-los. Deve puni-los. Deve estudá-los para tentar preveni-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas nunca deve conseguir olhá-los com normalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dia em que conseguirmos explicar serenamente porque alguém matou uma menina por ciúmes será o dia em que a explicação se terá tornado mais perigosa do que o silêncio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há acontecimentos que nos obrigam a recordar quem somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou, pelo menos, quem nunca podemos deixar de ser.</p>
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		<title>A velhice: o retrato difícil de um país que envelhece</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/19/a-velhice-o-retrato-dificil-de-um-pais-que-envelhece/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 14:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os dados oficiais não deixam dúvidas: Portugal envelhece a um ritmo acelerado. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Os dados oficiais não deixam dúvidas: Portugal envelhece a um ritmo acelerado. Há 184 idosos para cada 100 jovens. Com uma taxa de natalidade de 1,37 filhos por mulher, o desequilíbrio demográfico é um problema social grave, com impacto direto no desenvolvimento e na sustentabilidade económica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos queremos viver mais tempo. Mas queremos viver com qualidade, com a certeza de que família e sociedade assumem a sua responsabilidade. Hoje, ser idoso em Portugal, sobretudo sem autonomia plena, está longe de ser tarefa fácil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é fácil para quem envelhece e enfrenta a perda de capacidades. Higiene, alimentação ou caminhar tornam-se desafios diários. Também não é fácil para quem cuida. As famílias esbarram nos custos para adaptar casas, na falta de material específico e na escassez de equipas técnicas preparadas para cuidados domiciliários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a institucionalização deve ser solução de recurso, nunca um fim em si mesma. Mas a realidade impõe-se. A degradação da autonomia física de um familiar idoso obriga muitas vezes a recorrer a um lar. É uma decisão inevitável e dolorosa. A casa de família parece perder a identidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Encontrar vaga numa Estrutura Residencial para Idosos não é simples. Mesmo pagando, a dificuldade é enorme. Um estudo recente mostra que um terço das famílias esperou meses ou anos por uma vaga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer por dentro a dinâmica de um lar revela diferenças gritantes. Há lares marcados por falta de formação e funcionamento desleixado. E há outros onde os profissionais encaram o trabalho como missão, com eficácia e entrega total.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com boas condições físicas e cuidados de qualidade, é impossível ignorar a angústia que vai no coração de muitos idosos institucionalizados. Resta consolá-los levando-os, sempre que possível, a “matar saudades” do seu lar, da casa pela qual tanto lutaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Envelhecer com dignidade não pode depender da sorte. Exige planeamento, políticas públicas eficazes e uma sociedade que não vire as costas a quem a construiu.</p>
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		<title>Patriotismo sem direitos laborais</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/19/patriotismo-sem-direitos-laborais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 10:17:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Rodrigues]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Das primeiras coisas que ouvi sobre as greves gerais foi que estas são sempre à sexta-feira ou muito perto de feriados, o que é mentira. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://jornalnordeste.com/2026/06/19/patriotismo-sem-direitos-laborais/">Patriotismo sem direitos laborais</a> aparece primeiro em <a href="https://jornalnordeste.com">Nordeste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Recentemente Portugal viveu duas grandes greves gerais, uma a 11 de Dezembro de 2025 e outra a 3 de Junho de 2026, sendo que a primeira foi convocada pela CGTP-INN em conjunto com a UGT. Existem quem quisesse desvalorizar o significado da greve, como o nosso primeiro-ministro Luís Montenegro, em conjunto com a Ministra do Trabalho Maria do Rosário Palma Ramalho e com o Ministro da Presidência António Leitão Amaro. Sendo que na semana passada, dia 10 de Junho, se celebrou o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, não vejo outro tema relevante sem ser a greve contra a precariedade, algo que já me levou a mim, e a tantos milhares de jovens portugueses a emigrar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Das primeiras coisas que ouvi sobre as greves gerais foi que estas são sempre à sexta-feira ou muito perto de feriados, o que é mentira. Desde o 25 de abril de 1974 que foram realizadas 11 greves gerais sendo que foi a primeira vez que uma se realizou colada a um feriado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este governo tenta transmitir que greve significa tirar o dia para descansar, no entanto, quando consultamos o dicionário deparamo-nos com: “Greve (gre·ve) nome feminino &#8211; Interrupção temporária, voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação”</p>



<p class="wp-block-paragraph">E olhando também para a nosso constituição esta diz-nos que a greve é um direito consagrado no artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa. Estando a greve definida como a recusa coletiva e concertada da prestação de trabalho, como um dos direitos fundamentais dos trabalhadores para a defesa e promoção dos seus interesses profissionais e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O direito à greve não depende da forma como cada trabalhador decide exercer esse dia, depende apenas da sua decisão em participar numa ação coletiva de protesto. Ninguém faz greve de ânimo leve, qual é a pessoa que gosta de ver menos 40-50€ no seu salário vivendo em situação precária? Ninguém!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vêm também dizer que esta greve não teve qualquer tipo de impacto, mas a verdade é que teve. Na Faurecia, a maior unidade produtiva aqui na região, onde encontramos mais trabalhadores, esta foi a maior greve de que há registo recente, maior ainda que a greve de Dezembro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas para se contradizer veio ainda afirmar que não colocava em causa o direito à greve mas, no entanto, que muitas famílias foram prejudicadas e que este direito deve coexistir com o direito de quem pretende trabalhar. Eu pergunto, se uma greve geral não tiver impactos, qual o sentido de realizar uma greve como esta? E pergunto também, afinal a greve teve ou não teve impacto?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dia 18 e 19 de Junho o Pacote Laboral vai ser discutido e votado na Assembleia da República, com uma manifestação convocada pela CGTP-IN representando mais do que um protesto, é a defesa por condições de trabalho dignas e a recusa pela precariedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para mim, não existe maior patriotismo do que lutar por um país onde os jovens possam escolher não emigrar e viver num país onde trabalhar significa viver com dignidade.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ouça a Daniela no Parlamento Jovem todas as sextas às 21:00 na Rádio Brigantia</em></p>
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		<title>Dar espaço às pessoas</title>
		<link>https://jornalnordeste.com/2026/06/15/dar-espaco-as-pessoas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carina Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 17:05:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial - Carina Alves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão da Câmara Municipal de Bragança de avançar com a pedonalização temporária de parte do Centro Histórico durante os fins de semana de verão merece ser encarada com abertura e sentido de oportunidade. Trata-se de uma experiência que pode trazer benefícios significativos para a cidade, para os comerciantes e para quem a visita ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A decisão da Câmara Municipal de Bragança de avançar com a pedonalização temporária de parte do Centro Histórico durante os fins de semana de verão merece ser encarada com abertura e sentido de oportunidade. Trata-se de uma experiência que pode trazer benefícios significativos para a cidade, para os comerciantes e para quem a visita ou nela vive.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante décadas, muitas cidades europeias compreenderam que os centros históricos não podem ser vistos apenas como locais de passagem automóvel. Pelo contrário, são espaços de convivência, cultura, comércio e identidade. Hoje, são inúmeras as praças e ruas em Portugal e na Europa reservadas total ou parcialmente aos peões, permitindo que as pessoas usufruam do património, das esplanadas e do comércio local com maior conforto e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bragança não está a inventar nada de novo. Está, sim, a seguir um caminho já testado noutras localidades, adaptando-o à sua realidade. O facto de a medida ser implementada em formato de projeto-piloto demonstra prudência e bom senso. Não se trata de uma decisão definitiva, mas de uma experiência que será posteriormente avaliada, permitindo corrigir eventuais problemas e perceber o seu verdadeiro impacto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adesão imediata dos comerciantes é, desde logo, um sinal positivo. Quem trabalha diariamente no Centro Histórico conhece as dificuldades da zona e sabe que atrair pessoas é fundamental para a sustentabilidade dos negócios. Mais circulação pedonal significa mais tempo de permanência, mais oportunidades para consumir e uma maior dinâmica económica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também a componente cultural merece destaque. A instalação de pequenos palcos, a realização de atuações musicais, recitais de poesia e outras iniciativas podem contribuir para devolver vida a um espaço que, em determinados períodos, perde alguma da sua vitalidade. Um centro histórico não deve ser apenas um local para visitar, deve ser um lugar para viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naturalmente, haverá quem manifeste reservas, sobretudo relacionadas com o estacionamento e o acesso automóvel. São preocupações legítimas que devem ser escutadas. Contudo, a experiência de muitas cidades demonstra que é possível encontrar equilíbrios, garantindo acessibilidade a residentes, serviços de emergência e pessoas com mobilidade reduzida, sem abdicar da criação de espaços mais humanizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num tempo em que tantas cidades procuram valorizar o património, promover o turismo sustentável e melhorar a qualidade de vida urbana, dar mais espaço aos peões não é um capricho. É uma estratégia de desenvolvimento. Se a experiência resultar, Bragança poderá ganhar um Centro Histórico mais atrativo, mais vivo e mais próximo das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque as cidades fazem-se de ruas, edifícios e monumentos. Mas, acima de tudo, fazem-se das pessoas que as vivem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Carina Alves, Diretora de Informação.</em></strong></p>
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