FAB: Quatro dias de orgulho rural
Opinião

FAB: Quatro dias de orgulho rural

  • 27 de Junho de 2026, 09:18

No domingo, dia 21 de junho, às 9h24 da manhã, entrou oficialmente o verão. Com o solstício chegou o dia mais comprido do ano e a noite mais curta. É uma data que sempre teve um significado especial para quem vive da terra, porque o verão é tempo de colheitas, de abundância e de recompensa por meses de trabalho e dedicação

Talvez por isso tenha sido tão apropriada a realização da primeira edição da FAB – Feira Agrícola de Bragança. Durante quatro dias, a Quinta da Trajinha transformou-se na capital da agricultura transmontana, reunindo agricultores, criadores de gado, empresas, técnicos, instituições e milhares de visitantes.

Também a Rádio Brigantia marcou presença. No sábado, Dia do Agricultor, realizámos em direto, entre as seis e as dez da manhã, o programa Bom Dia Tio João. Foram quatro horas dedicadas aos homens e mulheres que trabalham a terra, uma justa homenagem a uma classe que continua a ser uma das bases da nossa economia e da nossa identidade rural.

Entre os muitos momentos marcantes da feira, merece destaque o desfile e a bênção dos tratores pelas ruas da cidade. Centenas de pessoas assistiram à passagem destas máquinas que são hoje indispensáveis à agricultura moderna. Alguns dos tratores apresentavam alegorias que despertaram memórias de outros tempos. Muitos recordaram com saudade as festas da cidade de há quarenta ou cinquenta anos, quando os desfiles alegóricos faziam parte das celebrações e enchiam as ruas de cor, criatividade e participação popular.

A verdade é que a agricultura mudou muito. Hoje, sem a ajuda da mecanização, seria praticamente impossível manter grande parte da atividade agrícola. A falta de mão de obra e as exigências da vida moderna obrigaram o setor a evoluir. As máquinas vieram substituir muitos trabalhos pesados, permitindo que a agricultura continue viva e produtiva.

Mas se as máquinas evoluíram, há valores que permanecem inalteráveis: o amor à terra, a dedicação aos animais e o orgulho de continuar uma atividade que passa de geração em geração.

Um dos exemplos disso é António Rodrigo, de Rebordainhos, participante da Família do Tio João há muitos anos. Com 67 anos de idade, continua ligado à agricultura e à pastorícia, atividade que partilha com a esposa. Proprietário de um rebanho da raça churra galega-bragançana branca, participou no concurso de ovinos realizado durante a FAB.

Como ele próprio faz questão de sublinhar, não participa com o objetivo principal de ganhar prémios, mas sim para conviver, aprender, trocar experiências e encontrar outros pastores que partilham a mesma paixão. Ainda assim, os seus exemplares obtiveram classificações muito honrosas, alcançando um quarto, um quinto e um sexto lugar.

António Rodrigo mostrou-se satisfeito com a organização da feira e considera que um evento desta natureza já fazia falta em Bragança. Destacou a excelente escolha da Quinta da Trajinha para acolher a iniciativa e sublinhou a importância de dar visibilidade ao trabalho dos agricultores e criadores da região.

O seu testemunho resume bem o sentimento de muitos dos participantes. A FAB não foi apenas uma feira de máquinas, animais ou produtos agrícolas. Foi um encontro de pessoas. Um espaço de convívio, partilha e valorização de um setor que continua a ser essencial para o presente e para o futuro do nosso território.

A primeira edição terminou, mas deixou uma certeza: Bragança tem condições para afirmar esta feira como uma referência regional e nacional. Porque enquanto houver agricultores a semear, pastores a cuidar dos seus rebanhos e homens e mulheres dispostos a trabalhar a terra, haverá sempre esperança, alimento e futuro para Trás-os-Montes.

Nos últimos dias estiveram de parabéns: José Paulo (92), de Valverde (Valpaços); Manuel Cruz (81), de Valpaços; Alcides Preto (79), de Caravela (Bragança); Aldina Roma (79), de Talhas (Macedo de Cavaleiros); António Miranda (76), de Paradinha (Bragança); Leardina Reis (74) e sua neta Flora Reis (15), de Valpaço (Vinhais); Pompeu Barreira (72), de Suçães (Mirandela); Filomena Santos (69) e o seu marido Gentil Pinto (67), de Tões (Armamar); Lurdes da Costa (60), de Estorãos (Valpaços); Fátima Correia (58), de Bragança; Anabela (55), de Bragança; Marisa Borges (44), de Grijó de Parada (Bragança); e Alexandre Tabuada (18), de Bragança. Desejamos a todos muitas felicidades, muita saúde, paz, alegria e longos anos de vida. Que continuem a celebrar esta data querida rodeados do carinho da família e dos amigos. Parabéns a todos!

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