Quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta
Bragança viveu, nos últimos dias, o maior evento agrícola jamais realizado no nosso concelho. Este sinal político de valorização da agricultura e do mundo rural foi uma clara assunção de que, para este executivo municipal, a agricultura mantém-se como uma prioridade, tal qual vinha a ser feito desde 2013.
O ciclo governativo 2013-2025 foi, sem comparação, o período político de maior investimento na agricultura em Bragança. Desde o constante apoio às chegas de touros, ao apoio às doenças do castanheiro, bem como a valorização das raças autóctones, não há problema nenhum em negar que os executivos de Hernâni Dias e Paulo Xavier foram os que mais importância deram ao setor agrícola.
No entanto, por uma questão de ter “dois dedos de testa”, o sinal que o executivo municipal liderado por Isabel Ferreira deu, só pode deixar os agricultores satisfeitos. Podemos analisar a questão da seguinte forma: a agricultura em Bragança é uma prioridade, mas faltava este clique para podermos ir mais longe.
Bragança não se pode dar ao luxo de ter receio de assumir a sua importância. Somos a capital do distrito, dispomos de uma variedade de produtos enormíssima e de alta qualidade, como é que não se poderia ter feito já este evento?
O estimado leitor sabe perfeitamente que não legitimei Isabel Ferreira nas urnas nem a sua equipa. Não me cai medalha nenhuma em reconhecer que a Feira Agrícola de Bragança foi, até à data, o melhor projeto deste executivo. Há muito para melhorar? Sim, mas também só quem faz é que pode receber críticas.
Creio que o futuro de Bragança não pode estar condicionado aos jogos políticos. Estamos muito atrasados em relação às grandes cidades e temos de encetar um esforço comum de desenvolvimento territorial para Bragança. Lado a lado, apoiando os que fazem deste território uma referência de bem viver, de sustentabilidade económica e de bem receber.
É por isso que vos digo que, quem ao alto não aponta, nem ao meio acerta. E Bragança precisa de pensar em grande!