Patriotismo sem direitos laborais
Opinião

Patriotismo sem direitos laborais

  • 19 de Junho de 2026, 10:17

Recentemente Portugal viveu duas grandes greves gerais, uma a 11 de Dezembro de 2025 e outra a 3 de Junho de 2026, sendo que a primeira foi convocada pela CGTP-INN em conjunto com a UGT. Existem quem quisesse desvalorizar o significado da greve, como o nosso primeiro-ministro Luís Montenegro, em conjunto com a Ministra do Trabalho Maria do Rosário Palma Ramalho e com o Ministro da Presidência António Leitão Amaro. Sendo que na semana passada, dia 10 de Junho, se celebrou o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, não vejo outro tema relevante sem ser a greve contra a precariedade, algo que já me levou a mim, e a tantos milhares de jovens portugueses a emigrar.

Das primeiras coisas que ouvi sobre as greves gerais foi que estas são sempre à sexta-feira ou muito perto de feriados, o que é mentira. Desde o 25 de abril de 1974 que foram realizadas 11 greves gerais sendo que foi a primeira vez que uma se realizou colada a um feriado.

Este governo tenta transmitir que greve significa tirar o dia para descansar, no entanto, quando consultamos o dicionário deparamo-nos com: “Greve (gre·ve) nome feminino – Interrupção temporária, voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação”

E olhando também para a nosso constituição esta diz-nos que a greve é um direito consagrado no artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa. Estando a greve definida como a recusa coletiva e concertada da prestação de trabalho, como um dos direitos fundamentais dos trabalhadores para a defesa e promoção dos seus interesses profissionais e sociais.

O direito à greve não depende da forma como cada trabalhador decide exercer esse dia, depende apenas da sua decisão em participar numa ação coletiva de protesto. Ninguém faz greve de ânimo leve, qual é a pessoa que gosta de ver menos 40-50€ no seu salário vivendo em situação precária? Ninguém!

Vêm também dizer que esta greve não teve qualquer tipo de impacto, mas a verdade é que teve. Na Faurecia, a maior unidade produtiva aqui na região, onde encontramos mais trabalhadores, esta foi a maior greve de que há registo recente, maior ainda que a greve de Dezembro.

Mas para se contradizer veio ainda afirmar que não colocava em causa o direito à greve mas, no entanto, que muitas famílias foram prejudicadas e que este direito deve coexistir com o direito de quem pretende trabalhar. Eu pergunto, se uma greve geral não tiver impactos, qual o sentido de realizar uma greve como esta? E pergunto também, afinal a greve teve ou não teve impacto?

Dia 18 e 19 de Junho o Pacote Laboral vai ser discutido e votado na Assembleia da República, com uma manifestação convocada pela CGTP-IN representando mais do que um protesto, é a defesa por condições de trabalho dignas e a recusa pela precariedade.

Para mim, não existe maior patriotismo do que lutar por um país onde os jovens possam escolher não emigrar e viver num país onde trabalhar significa viver com dignidade.


Ouça a Daniela no Parlamento Jovem todas as sextas às 21:00 na Rádio Brigantia

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