Greve Geral: Pacote Laboral é ‘um atentado aos trabalhadores’ diz dirigente sindical em Bragança
O impacto da greve geral em Bragança faz se sentir em alguns serviços públicos e empresas privadas.
Segundo o piquete da greve e dirigente sindical da Faurecia,Márcio Pinheiro,esta concentração contra o pacote laboral mobilizou mais pessoas “que em dezembro”.
“Esta greve teve a adesão que nós pretendíamos, que a anterior por isso é uma vitória. Claro que nós queremos mais adesão, sem dúvida, queremos que todo o país se mobilize, mas já foi uma adesão superior à que houve em dezembro”, disse acrescentando que “os serviços de STUB está 100% sem transportes hoje, funcionários da Câmara Municipal também fizeram greve, a Faurencia tem linhas paradas hoje também que não estão a produzir. Estão aqui trabalhadores do Pingo Doce também, primeira vez que fizeram greve, estão a lutar também por melhores condições de trabalho e contra o pacote laboral.”
Márcio Pinheiro diz que o pacote laboral “não tem uma única medida positiva” e considera que é “um atentado aos trabalhadores”.
“Todo este pacote laboral é mau para os trabalhadores. Não tem uma medida que diga assim,’é boa’ para os trabalhadores. Desde trabalhos precários que podem ser eternizados, terminar os contratos e as pessoas serem despedidas sem justa causa, e depois vão a tribunal e o tribunal dizer que este trabalhador tem que ser readmitido na empresa, mas a empresa só vai admiti-lo se o quiser. Isto é um atentado total aos trabalhadores. Vamos andar com retrocessos de mais de 50 anos para trás. O que nós queremos é estabilidade no trabalho, melhores condições de trabalho, queremos que a contratação coletiva de trabalho seja efetivamente concretizada. Com salários altos a economia está melhor, com salários baixos a economia vai ser má.”
Francisco Marcos é trabalhador do município. Aderiu à greve por considerar que as novas leis vão intensificar a precariedade laboral.
“Não concordamos, e este pacote laboral não é o pacote laboral dos portugueses. Tanto que 75% dos portugueses estão contra esta medida. Quando foram as últimas eleições este Governo não apresentou, no seu programa eleitoral, o pacote laboral e tentou impingir-lo ao povo português , levando agora à Assembleia da República e, claro, nós temos consciência que isto vai cair porque não é aquilo que pretendem os portugueses”
As preocupações do pacote laboral chegam mesmo às camadas mais jovens. Ana Júlia Pinto é estudante de arquitetura e decidiu juntar-se à greve por temer pelo futur.
“Eu preocupo-me com o futuro. Eu vejo em todas as áreas e mesmo em áreas que normalmente são vistas como maiores, que está mesmo muito, muito mal. E se ninguém se mobilizar vai continuar ainda pior. E eu não quero isto nem para mim nem para as pessoas que eu me importo”
A direção da União de Sindicatos de Bragança convocou a população para se unir, esta manhã, na Praça cavaleiro Ferreira em Bragança, contra as alterações à lei laboral. Apesar de ainda não serem conhecidos os números, o sindicato acredita que a paralização foi de 50% no distrito.
