Infraestruturas e cooperação transfronteiriça em destaque no Fórum Económico Zamora – Trás-os-Montes
Bragança recebeu, ontem, o Fórum Económico Zamora- Trás-os Montes.
A iniciativa organizada pela Fundação Rei Afonso Henriques em parceria com a Associação Empresarial do Distrito de Bragança – NERBA, juntou várias entidades socio-económicas de Portugal e Espanha. O objetivo, segundo a presidente da NERBA, Ana Carvalho, passa por juntar empresários para que exista cooperação transfronteiriça entre os dois países.
“O objetivo é aproximar empresários de instituições, de forma que ideias já existentes de economia e fundos, projetos que estejam a decorrer ou que possam vir a abrir se desenvolvam em parcerias e em objetivos muito específicos ligados às empresas, de forma que a economia possa acontecer mais rapidamente, bem como os negócios.”
Um dos principais desafios apontados foi a falta de infraestruturas que permitam uma maior competitividade e que facilitem as relações económicas transfronteiriças.
“A questão das infraestruturas é muito importante, trabalhar as infraestruturas para que as cadeias logísticas possam acontecer. O investimento existe quando há diminuição de risco. Se não temos estradas, se não temos meios de escoamento dos produtos que tornem a economia competitiva, os empresários também não conseguem fazer investimentos porque o risco é grande.”
A presidente do NERBA defendeu que a transformação digital pode ajudar a atrair população contribuindo para o desenvolvimento económico da região. “Hoje em dia, com a transformação digital, eu acho que nós estamos capazes e temos um território privilegiado para captação de funções de alto valor acrescentado, nomeadamente os nómadass digitais, que serão a base da existência do poder de compra, de forma que os negócios locais e as empresas locais possam expandir do território para o exterior. Portanto, é preciso políticas públicas que captem a população no nicho daquilo que nós podemos oferecer.”
Do lado espanhol, secretário-geral da fundação Rei Afonso Henriques, José Luís Prada, considera continua a faltar coordenação entre as entidades.
“Há muitos projetos, o dinamismo está em constante crescimento, mas acreditamos que um certo grau de coordenação continua a ser cada vez mais necessário. Muitos podem tentar fazer a mesma coisa simultaneamente, podendo até mesmo discutir ou disputar recursos financeiros. É por isso que digo que o papel da Fundação, somos uma entidade de cooperação, uma entidade de cooperação transfronteiriça, é crucial. E para cooperarmos, a primeira coisa que temos de fazer é conhecermo-nos uns aos outros. E ainda há espaço para melhorias nesse sentido. Por exemplo, aqui tentamos colocar o Governo Regional de Castela e Leão e a Comissão de Coordenação da Região Norte de Portugal na mesma mesa e no mesmo nível, e não são exatamente duas partes que se encaixam perfeitamente. Portanto, é necessária alguma diplomacia para que as peças se encaixem o máximo possível e para que todos trabalhem da forma mais coordenada possível.”
A necessidade de melhores infraestruturas, maior coordenação entre entidades e mais apoio às empresas marcou o debate no Fórum Económico Zamora- Trás-os Montes.
