Protocolo para o combate ao cancro do castanheiro renovado por mais cinco anos
O Instituto Politécnico de Bragança e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária assinaram um protocolo para renovar, por mais cinco anos, o a autorização experimental, para a produção e aplicação do produto biológico DICTIS, desenvolvido pelo instituto para o tratamento do cancro do castanheiro. O projeto envolve mais de três mil produtores.
“Este trabalho que tem vindo a ser desenvolvido já há bastantes anos aqui no IPB é fundamental para apoiar os agricultores no combate a esta doença que de facto pode ser mortal para os castanheiros”, destacou a subdiretora-Geral da DGAV, Ana Garcia, sublinhando que “esta renovação vai permitir a continuidade deste trabalho em prol da salvaguarda dos castanheiros”.
O cancro do castanheiro é uma das principais ameaças fitossanitárias aos soutos da região e de outros territórios produtores.
O produto DICTIS começou a ser desenvolvido em 2008, foi autorizado a partir de 2015 e teve um período experimental de 10 anos.
A investigadora responsável científica pelo programa, Eugénia Gouveia, apontou que o tratamento “tem uma eficácia de cerca de 95% e já foram tratados mais de 200 mil castanheiros”. Destacou ainda o impacto que o produto teve nos soutos já testados. “Temos castanheiros que estão vivos que de outra forma estariam com certeza já eliminados da produção porque já teriam morrido. O cancro desenvolve-se nos caules e quando circunda o caule esse ramo morre. Evidentemente que pode não acontecer ao mesmo tempo, mas ao fim de 5 a 6 anos os castanheiros estão mortos. E por este sistema os castanheiros continuam vivos e até já recuperaram a vitalidade e portanto continuam a produzir”, explicou.
O produto biológico ainda não é comercializado, porque precisa de homologação. O presidente do IPB, Orlando Rodrigues, pretende alcança-la nos próximos anos.
“Tratando-se de um produto biológico, esperamos que possa haver um processo mais simplificado. Nós estamos exatamente agora nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial. Portanto, temos agora aqui uma renovação da autorização por mais cinco anos, mas esperamos que, antes desse período terminar, seja feita o processo completo para a homologação como produto comercial”, disse.
O trabalho desenvolvido visa, em particular, a preparação de um dossiê técnico-científico de suporte à aprovação das estirpes hipovirulentas de C. parasitica como substância de controlo biológico, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1107/2009.
“A homologação inicia-se com o registo da substância ativa a nível da Comissão Europeia, portanto há uma lista positiva de substâncias ativas, portanto são imensos estudos que têm que ser feitos, que têm que ser constituídos num dossiê para fazer essa homologação inicial da substância ativa e depois de se conseguir isso, consegue-se então homologar o produto em cada um dos territórios. Portanto, todo este trabalho que está a ser feito pelo IPB, precisamente também além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir de facto tudo o que é necessário para se vir um dia a conseguir a homologação do produto”, rematou a subdiretora-Geral da DGAV.
O DICTIS é um produto biológico desenvolvido pelo IPB, especificamente, para o tratamento do cancro do castanheiro em Portugal.

