Cebolo de Alfaião já é património da alma transmontana
Opinião

Cebolo de Alfaião já é património da alma transmontana

  • 15 de Maio de 2026, 10:45

Maio continua a ser mês de fé, de caminhada e de esperança. Pelas estradas do nosso país seguem centenas de peregrinos rumo a Fátima, levando nos pés o sacrifício e no coração as suas promessas.

Ao longo destes dias, na Rádio Brigantia, fomos acompanhando alguns desses grupos, ouvindo testemunhos emocionantes de quem caminha por devoção ou gratidão.

Entre esses peregrinos esteve o nosso amigo tio Marçal, de Vilar Seco, Vimioso, o tio Tino, de Valtorno, Vila Flor, e também o tio Paulo, emigrante na Suíça e casado em Sarzeda , Bragança, que este ano concretizou a promessa de ir a pé até Fátima. Como não conseguiu integrar grupos mais próximos da sua zona, acabou por encontrar lugar no grupo que partiu de Vila Nova de Gaia.

Mas este fim de semana os caminhos da Rádio Brigantia levaram-nos até Alfaião, no concelho de Bragança, onde estivemos em direto, das seis às dez da manhã, a acompanhar e promover a 10.ª edição da Feira do Cebolo. E mais uma vez ficou demonstrado que em Alfaião o cebolo continua a ser rei.
Fomos recebidos logo pela manhã pelo presidente da Junta de Freguesia de Alfaião, Luís Venâncio, homem sempre disponível, de sorriso franco e rosto alegre, profundamente orgulhoso da sua terra e muito satisfeito por ver a Rádio Brigantia voltar a levar Alfaião ao mundo através da emissão do “Bom Dia Tio João”. Em conversa connosco, foi-nos dito que esta feira representa muito mais do que um simples certame agrícola. Representa a identidade da aldeia e o orgulho de um povo ligado à terra.

Luís Venâncio recordava precisamente que o grande símbolo da feira continua a ser o cebolo. Não a cebola já crescida, mas o cebolo, a pequena planta que depois dará origem à cebola. Em Alfaião, o cebolo tem fama antiga pela sua resistência e qualidade. Há décadas que agricultores de várias zonas procuram o cebolo daquela terra, porque sabem que ali existe tradição, experiência e um solo particularmente fértil para este tipo de cultivo.

O presidente da Junta falava-nos da importância que o cebolo teve ao longo dos anos para muitas famílias da aldeia. Em tempos difíceis, o cultivo e a venda do cebolo ajudavam muita gente a criar os filhos, a sustentar a casa e a enfrentar as dificuldades da vida rural. E talvez por isso o cebolo seja hoje visto quase como património sentimental da aldeia.

Claro que a feira vai muito além do cebolo. Havia também produtos da terra, pão caseiro, bolos, doces tradicionais e artesanato, com destaque para as tradicionais cestas feitas à mão, símbolo de um saber antigo que continua vivo graças à dedicação de quem ainda preserva estas artes.

Mas ao caminhar pelas ruas de Alfaião acabámos também por recordar as célebres lavadeiras da aldeia. Antigamente, Alfaião era conhecido como uma verdadeira “lavandaria de Bragança”. Muitas mulheres trabalhavam na lavagem de roupa para fora, incluindo roupa ligada às tropas e a várias famílias da região. Eram tempos difíceis, de muito esforço, em que aquelas mulheres passavam horas junto às águas frias, lavando roupa e ganhando o sustento com enorme sacrifício. Essas lavadeiras ajudaram a construir a identidade de Alfaião e continuam hoje vivas na memória coletiva da aldeia.

Foi assim, entre conversas, memórias, música, tradição e amizade, que levámos Alfaião ao mundo através da Rádio Brigantia.

No final desta página, deixamos também uma nota de profundo pesar pela partida da nossa tia Maria Vieira, esposa do nosso grande amigo tio Ernesto. Em representação de toda a Família do Tio João estivemos presentes neste momento de dor e despedida. A tia Maria foi alguém que viveu intensamente esta nossa família radiofónica. Participou em viagens, convívios, festas e encontros ao longo de muitos anos. Foram dezenas e dezenas de momentos vividos em amizade, carinho e partilha.

Hoje fica a saudade de uma mulher boa, simples e amiga. Mas ficam também as memórias felizes de tudo aquilo que viveu connosco. E enquanto houver memória, também continuará viva entre nós.

Nestes últimos dias também estiveram de parabéns: António Reis (94) Talhas (Macedo de Cavaleiros); Teresa Sá (85) Vila Nova (Bragança); Eurico Pires (81) Vilar Douro (Mirandela); Maria de Fátima (79) Viduedo (Bragança); Anunciação Bernardo (75) Milhão (Bragança); Glória Andrade (73) Alfaião (Bragança); Olímpia Saldanha (70) Viduedo (Mogadouro); Maria Domingues (70) Caçarelhos (Vimioso); Paulo Machado (69) e sua filha Carla Machado (36) Brunhosinho (Mogadouro); Alice Rodrigues (66) Coelhoso (Bragança); Abílio Santos (62) Fonte Fria (Murça); Irene Hostettler (55) Parada, a residir em Zurique (Suíça); Sérgio Neto (49) Limãos (Macedo de Cavaleiros); José Meirinhos (46) Grijó de Parada (Bragança e Leonardo José (18) Bragança; que todos tenham saúde para voltar a festejar a vida connosco!

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