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“Nós vamos para o terreno para prevenir, não vamos para o terreno para multar. Não é esse o objetivo”

“Nós vamos para o terreno para prevenir, não vamos para o terreno para multar. Não é esse o objetivo”
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  • 13 de Maio de 2026, 10:08

Em entrevista ao Jornal Nordeste, o comandante fez um balanço destes três anos à frente do comando de Bragança, destacando o trabalho junto da comunidade local, nomeadamente dos mais velhos com o projeto e-guard sublinhando ainda que o papel da GNR é de prevenir e servir a população.

Jornal Nordeste (JN): Tomou posse, enquanto comandante, há três anos, que balanço faz?

António Lobo de Carvalho (ALC): Eu posso dizer que tem sido muito positiva a atuação e nós vemos isso não só pelos indicadores formais da criminalidade, as estatísticas, mas também pela percepção que colhemos junto da população que servimos. A Guarda Nacional Republicana está implantada no distrito de Bragança nos 12 municípios, nos 9 concelhos. São cerca de 650 militares,  com o corpo de militares e funcionários civis e civis também, os guardas florestais. Temos esta grande proximidade junto das comunidades. A perceção que temos é de facto muito positiva. Obrigamo-nos a crescer em algumas áreas fundamentais que, enfim, foram orientadas pela estratégia definida pelo Comandante Territorial, neste caso eu, e que depois, como disse, foram materializadas na criação de estruturas, na implementação de procedimentos. Por isso, relativamente ao que me perguntou, a visão é muito positiva.

JN: Em entrevista à Rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste, o comandante da PSP, relatou alguma falta de efetivo, ou pelo menos envelhecimento do efetivo.  Aqui no comando da GNR, sente-se a mesma coisa ?

ALC: Nós não temos essa percepção no conjunto de militares e civis que trabalham nesta unidade. Basta ver que, relativamente aos militares que têm funções de comando, de chefia, de coordenação, são também caracterizados pela sua jovialidade. É claro que nós, no nosso corpo, temos integrado também militares já que estão muito próximos da idade da reserva, mas o somatório de todos estes militares dá-nos uma perspetiva de que temos militares na sua essência, jovens, que têm muito tempo ainda para permanecer ao serviço da comunidade, ao serviço da GNR.

JN: A nível logístico também sentem que o comando está bem servido ?

ALC: Sim, repare, esta ideia de organização de comando territorial com esta dispersão territorial na quinta maior área geográfica do país, devolve à instituição GNR alguma responsabilidade no que tange, por exemplo, ao edificado, às características do edificado, das instalações policiais e depois aos demais conjuntos de equipamentos que integram a atividade policial. O que eu devo dizer é que nós temos instalações policiais que têm vindo a ser paulatinamente renovadas, eu destaco as instalações, as últimas que foram inauguradas, foi precisamente o Posto Territorial de Vimioso. Uma obra que foi materializada ao abrigo da Lei de Programação de Infraestruturas, num contrato interadministrativo entre o Ministério da Administração Interna e a Câmara Municipal de Vimioso. Recordo que estamos numa fase muito avançada de reestruturação total do Posto Territorial de Carrezeda de Ansiães, é um posto que também está a ser reconstruído de raiz, ao abrigo do mesmo procedimento, e depois temos processos que estão a avançar para resultarem também numa transformação total das infraestruturas, nomeadamente posto territorial de Vinhais, de Rebordelo, portanto este já numa fase mais avançada.  Eu conto que, em breve,se poderá avançar para a contratação pública e para a realização das obras. O posto territorial, por exemplo, da Alfândega da Fé já está sinalizado numa parceria permanente com a autarquia,  para intervenção de infraestruturas. E depois lembrar ainda o posto territorial de Argozelo, que pertencendo ao concelho de Vimioso, se encontra também identificado para uma intervenção, para a indicação de uma nova instalação, que será algo que está como proposta, uma escola que vai ser requalificada para instalações especiais.

Dizer ainda que estamos, neste momento, numa fase em que vamos passar para o anúncio das candidaturas de empresas a fim de realizarem empreitadas, ao abrigo de um acordo recente entre as autarquias e a Secretaria de Estado da Administração Interna para a consignação de intervenção em instalações policiais, até um valor que foi considerado o meio milhão de euros. Vamos beneficiar dessas verbas para o município de Torre de Moncorvo, para o município de Mirandela e para o município de Miranda do Douro. Isto vai nos permitir fazer intervenções de melhoria da qualidade daquelas instalações policiais.

Portanto, dizer também que o próprio edifício onde nós nos encontramos esteve, este ano, teve também uma requalificação no valor de cerca de 300 mil euros. Foi uma intervenção importantíssima porque nos permite hoje usufruir de um conforto que antes nós não conseguíamos atingir esse patamar. Permitindo que todos os militares que aqui trabalham, são mais de 200, possam usufruir e beneficiar deste conforto.

Falamos dos equipamentos. Tivemos um bom investimento no nosso destacamento de trânsito, que está focado exclusivamente na dimensão rodoviária e em todos os eixos rodoviários mais importantes aqui do distrito. Portanto, já viaturas com novas caracterizações, intercessão, novas viaturas descaracterizadas para intercessão e proteção da velocidade. Essas vocês não vão ver porque essas estão naturalmente a coberto de alguns sigilos. E depois as viaturas que nós temos destinadas ao serviço policial dos postos territoriais, um serviço que caracteriza a essência da Guarda. Digamos que o verdadeiro core business da instituição radica precisamente aqui, no  serviço policial dos postos territoriais. Tivemos também as nossas equipas de proteção da natureza que receberam também novas viaturas, motociclos.

Fomos dotados também recentemente com mais um meio náutico, porque o distrito de Bragança encerra em si uma beleza extraordinária, eu diria única. Tem muitos locais que são santuários únicos, absolutos, da natureza. E estão a ser descobertos, aos bocadinhos. Os Lagos do Sabor, por exemplo, com 70 km de área navegável, uma área a ser explorada e que convenhamos, a percepção, pelo menos em termos de visão securitária do terreno, do território, nós sabemos que o futuro vai fazer com que muitas pessoas venham cá visitar e usufruir deste espaço, infraestruturas que vão ser construídas.

JN: Esse meio náutico, serve, sobretudo, para prevenir? Porque pessoas que olham para o território de Trás-os-Montes acreditam que um meio naútico não seja necessário.

ALC : A Guarda Nacional Republicana atua enquanto órgão de polícia criminal, prevenir e reprimir o crime, a criminalidade, e, neste caso, a criminalidade ambiental. São as nossas equipas de proteção da natureza, porque não se trata só dos lagos de sabor, temos o Rio Douro, temos o Lago do Tua, temos o novo paradigma do Tua, temos o Azibo, por exemplo, e tudo isto confere esta responsabilidade acrescida à Guarda enquanto Polícia Nacional Ambiental. Mas também somos obrigados a intervir numa lógica de policiamento natural para outro tipo de incivilidades e outro tipo de utilizações deste tipo de espaço. Veja que não será de desprezar esta ideia, nem tampouco negar a evidência de que daqui a poucos anos vamos ter, por exemplo, um aproveitamento destes lagos, por exemplo o Sabor, para atividades náuticas,  de recreio. E nós temos que lá estar. Ou seja, nós antecipamos. A visão estratégica que possuímos permite-nos trabalhar para que quando esses momentos chegarem, a Guarda já lá está, precisamente a zelar e a cuidar do espaço.

JN:  Estamos numa região vasta e, recentemente, o Ministro da Administração Interna falou na reativação da brigada de trânsito. No nosso território faz sentido a implementação desta brigada?

ALC: Reportando-me ao que foi anunciado, a verdadeira mudança de paradigma vai ser no plano do comando e controle da força, o que vai permitir melhorias significativas na condução das operações e na alocação destes meios, que deixam de ter uma visão regional para ter uma visão nacional. Digo isto porque o O Comando Territorial de Bragança tem em si a constituição de um destacamento de trânsito. É uma subunidade de escalão que está única e exclusivamente vocacionada para o trânsito. Portanto, isso não vai mudar. A lógica de paradigma é que, não ficando sobre o comando e controle de um comandante regional, que é o meu caso, passará a atuar numa lógica nacional. Eu creio que vamos ter ganhos significativos. Dizer que a performance e o trabalho que tem vindo a ser realizado, por esta estrutura, no distrito de Bragança tem tido resultados muito positivos. Nós atuamos, em permanência, nos principais eixos rodoviários, na A4, na autoestrada que liga o Porto até Quintanilha,  no IP2, um itinerário importantíssimo que faz uma ligação transversal até à Cidade da Guarda e que vai ligar à A4 depois ao IC5. Outro itinerário importantíssimo que faz a ligação na A4, do Alto do Pópulo, até quase, Duas Igrejas,  muito perto da fronteira de Miranda do Douro. São áreas rodoviárias onde nós atuamos com muita com muita regularidade, porque, deixe-me dar nota disto, nós temos que acompanhar a sociedade que servimos e as suas mutações. Repara que, pelo simples facto de a  A4 não ser portagiada, neste momento, até ao tunel do Marão, resultou num aumento significativo dos carros, e acima de tudo dos transportes de mercadorias, transportes internacionais de mercadorias, por exemplo. Isso obriga-nos, enquanto força, a estar preparados, porque nós temos que evitar a sinistralidade. Portanto, nós vamos para o terreno para prevenir, não vamos para o terreno para multar. Não é esse o objetivo.

JN: Ainda existe muito esse estigma?

ALC: Existe esse estigma, eu acho que irá continuar a existir, mas veja o seguinte, o distrito de Bragança é um espaço seguro e é seguro porque as forças vivas da região garantem essa segurança e as forças policiais têm um papel fundamental. Como disse, essa é a nossa estratégia. Nós estamos no terreno para prevenir as incivilidades. Note estarmos tão perto aqui à fronteira, e já agora aproveitando a deixa, e porque estamos a falar do trânsito, dizer que nós temos uma grande ligação com as forças da Guarda Civil do Reino de Espanha. Para que o território seja seguro, isto implica que muitas vezes, em ações combinadas, ou seja, uma atuação conjunta entre forças da GNR e da Guarda Civil, nós façamos operações de visibilidade. Portanto, não é fora do normal que um cidadão qualquer que passe aqui pelo território, que de passagem pelo distrito de Bragança, e que pretende ir para outro país da Europa, veja operações de fiscalização de trânsito e tenha os seus militares da GNR e do tráfico da Guarda Civil. Esta imagem, esta articulação, confere também esta visão de segurança, este sentimento de segurança às populações. Isto é muito importante.

JN: Falou precisamente da criminalidade, e apesar de sermos um dos distritos mais seguros, não posso deixar de destacar que o RASI 2025 revelou que a criminalidade aumentou na região. Muitas dessas ocorrências estão ligadas a que tipos de crimes?

ALC: Vou-me apoiar em alguns dados, sem entrar numa análise mais fina das estatísticas. É verdade que o Relatório Anual de Segurança Interna evidenciou um aumento da criminalidade participada no distrito de Bragança, mas essa evolução deve ser analisada com prudência e enquadrada no contexto que vivemos. O distrito tem apresentado, de forma consistente, níveis de criminalidade estruturalmente baixos no contexto nacional. Isso faz com que pequenas variações absolutas se traduzam em aumentos percentuais mais expressivos, sem que isso represente uma deterioração do sentimento de segurança das pessoas.

Se analisarmos a criminalidade numa perspetiva proporcional, por habitante, vemos que Bragança continua a ser um dos distritos mais seguros do país. Este pequeno aumento não resulta de um crescimento da criminalidade grave ou violenta, que se mantém em níveis reduzidos e estáveis. O acréscimo incide sobretudo em crimes de menor gravidade e, em muitos casos, reflete a capacidade de deteção, fiscalização e atuação proativa das forças de segurança.

Ainda assim, os territórios do interior, de menor densidade e com grande extensão territorial, permitem o surgimento de alguns fenómenos criminais transversais. Temos, por exemplo, um aumento significativo de burlas informáticas ligadas à utilização de redes sociais, plataformas de comunicação e compras eletrónicas. Existem também ilícitos associados à mobilidade e às dinâmicas próprias das regiões de fronteira.

O distrito de Bragança é a única região do país com fronteira a norte e a este com Espanha, ao longo de cerca de 240 quilómetros. As comunidades de fronteira não reconhecem a fronteira como barreira física; há uma circulação constante de pessoas e atividade económica, o que também gera algum tipo de criminalidade típica destas regiões.

Por isso, trabalhamos em estreita articulação com três comandancias: a Guarda Civil e com forças de Castilla y León e de Orense, através das comandâncias de Orense, Zamora e Salamanca. Há partilha permanente de informação criminal, coordenação de operações e planeamento conjunto de investigações. Muito deste trabalho permanece invisível, e esta entrevista é também uma oportunidade para mostrar a forma como trabalhamos e o que fazemos.

JN: Apesar de ter identificado algumas das criminalidades transversais que vão ocorrendo, recordo-me, tem ocorrido uma vaga de furtos, nomeadamente ali na zona de Vimioso e, se não estou em erro, o RASI também destacava essa criminalidade como uma das maiores ocorrências. Além dos assaltados, na zona de Macedo Cavaleiros, a várias casas de imigrantes. Que atitudes preventivas podem as pessoas ter?

ALC: Sim, é verdade. Quando falamos de prevenção, falamos de atuar antes do crime acontecer. Sabemos como o crime ocorre, definimos formas de atuação e tentamos dificultar a ação dos delinquentes. Há uma coisa certa: onde está um veículo da Guarda em patrulhamento, nesses momentos o crime não acontece. Normalmente surge em espaços mais isolados, despovoados e sem presença humana significativa.

O que fazemos é trabalhar com as equipas de policiamento comunitário, vocacionadas para grupos vulneráveis e situações concretas de criminalidade. Vamos junto da comunidade, alertamos, aconselhamos e interagimos de forma pedagógica. Visitamos aldeias, falamos com as pessoas, presidentes de junta e associações, mantendo um contacto permanente.

No caso das comunidades emigrantes, que têm cá os seus bens e habitações, é importante haver também atenção por parte da vizinhança residente, para perceber alterações ou movimentos suspeitos. Já aconteceu, por exemplo em agosto, quando muitos emigrantes regressam, encontrarem as casas assaltadas.

Falou do concelho de Vimioso, um território mais isolado e despovoado, mas mesmo aí, se houver uma vizinhança atenta, conseguimos fazer deteção precoce. Muitos grupos criminosos detidos resultaram precisamente de relatos da comunidade. No caso de Macedo de Cavaleiros, por exemplo, houve uma investigação criminal após vários assaltos a residências, que permitiu desmantelar o grupo responsável, que não atuava apenas nesta região.

Esta criminalidade oportunista gera insegurança nas populações, mas a resposta da Guarda tem sido eficaz, sustentada num forte trabalho de investigação e em decisões judiciais preventivas.

JN: Falou precisamente da atuação perto da comunidade, o e-Guard é um projeto implementado pela Guarda Nacional Republicana que aproxima a GNR dos idosos. Sentem que há menos ocorrências ou pelo menos há ocorrências, mas são detetadas a tempo?

ALC: O projeto e-Guard integra a estratégia do Ministério da Administração Interna no âmbito do trabalho que é desenvolvido pelas forças policiais junto das comunidades das pessoas mais idosas. Já tem uma dimensão de estratégia nacional.

o e-Guarda não nasce sozinho, ele nasce em paralelo com o desenvolvimento de outras estruturas. Por exemplo, neste momento, fizemos ampliação dessa estrutura. A equipa que está situada no destacamento arquitetural de Bragança, por conseguinte na cidade, tem a jurisdição em Bragança, Macedo Cavaleiros, Vinhais, Izeda, por exemplo, é uma área vastíssima. O que nós fizemos, com base em dados científicos, foi provar pela necessidade de ampliar estas estruturas. Por isso, neste momento, quase todos os concelhos têm uma equipa, com dois militares, nos postos territoriais que só trabalham  esta dimensão. São como que um prolongamento desta equipa que antes estava centralizada em Bragança, Miranda do Douro, Mirandela e Torre de Mocorro.

Este projeto, começou há já algum tempo, e já se está a traduzir em resultados. Estas equipas m local estão junto das autarquias, das instituições, das organizações não-governamentais, ou seja, estão junto daqueles que tenham responsabilidades também nestas matérias. As sinergias vão-se melhorando, as pessoas vão-se conhecendo e os resultados vão aparecer. As próprias autarquias, movidas por esta vontade, contratualizaram com a Guarda Nacional Republicana, por exemplo, uma viatura policial em contrato de comodato, portanto, é uma viatura que é propriedade da autarquia e que é cedida às equipas da GNR para o exercício deste trabalho. Aconteceu em Mogadouro, estamos neste momento a trabalhar com Alfândegada Fé e há outros municípios que paulatinamente vão também aderindo a esta vontade de fazer mais e melhor.

O sistema e-Guarda não vai substituir respostas sociais que existem nos municípios, mas vai trazer algo que diferenciador. Trata-se de um equipamento que é distribuído a um cidadão que tem que integrar o perfil do utilizador, porque não é para qualquer um. É precisamente para aquelas situações onde a vulnerabilidade é maior, onde o isolamento é maior, onde a dependência é maior, onde as dificuldades são maiores. Esse equipamento permite ter uma alarmística, ou seja, acontecendo um incidente, o alarme é imediatamente acionado e atendido no nosso centro de comando e controle.

Nós temos uma sala de situação, é um centro de comando e controle que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, que faz a gestão operacional de todas as capacidades do distrito, e quando o alarme deste equipamento é acionado, o meio policial é imediatamente alocado à ocorrência. O que nos permite, através da aplicação do eGuarda, saber quem é o utilizador, saber quem são os pontos de contacto e deslocar imediatamente a resposta. Por outro lado, é um equipamento que funciona como um telemóvel. Apenas dá para fazer a ligação entre o equipamento e o operador da nossa sala.

Basta que haja uma única situação em que a vida do cidadão tenha sido preservada pela utilização deste equipamento e a resposta, só por aí o investimento já valeu a pena. E isso já aconteceu aqui em Bragança.

JN: Quantos casos mais ou menos é que estão reportados nessa situação?

ALC: Nós temos todos os dias, vamos tendo sinalizações. Tivemos recentemente uma cidadã que se sentiu mal numa zona muito afastada do território e foi precisamente a locação do meio operacional juntamente com a emergência que fez com que essa cidadã fosse para o hospital e fosse ajudada. Temos tido alguns. Estes mais graves, felizmente não temos com essa dimensão, mas devo lhe dizer que o resultado é muito positivo e nós queremos continuar a ampliar. Dos 12 municípios, temos cerca de seis que aderiram, num total de 82 equipamentos, neste momento. As outras autarquias, estão também igualmente interessadas e estamos a caminhar com eles também para a implementação desta resposta, que eu devo dizer, fico muito contente, como comandante, em termos tido a capacidade de liderar esta iniciativa no distrito e colocá-la em bom uso do cidadão e da comunidade.

JN: Também estamos numa altura que se aproxima,cada vez mais, que é época de incêndios, onde tanto bombeiros, PSP, guarda e CNF, se uném. A GNR já começou também com a fiscalização à limpeza dos terrenos, existem postos de vigia na região. Pergunto-lhe: esses postos têm surtido efeito? Trabalham anualmente? Sentem que nesta altura os cuidados da GNR são redobrados relativamente a estas situações de incêndios?

ALC : Nós começamos a trabalhar esta realidade dos incêndios rurais e da vigilância do espaço da floresta logo no início do ano. Portanto, formalmente dá-se início às fases que o planeamento operacional determina. Mas é um trabalho que a Guarda Nacional Republicana faz desde o início do ano.

Os postos de vigia, temos uma rede perfeitamente implantada no território. Fizemos a abertura, portanto, ao dia de hoje, dos cinco postos que constituem a rede inicial que é ativada. Quando entramos noutra fase do ano ficamos com a rede totalmente implementada.

Portanto, em termos de vigilância do território, temos as três câmaras do conjunto do sistema Ciclope Vigilância do espaço florestal, que vai ser ampliado. Das três câmaras vamos passar para 19, com aquisição de 16 equipamentos que também vão estar colocados no território em todo o distrito. O que vai permitir uma cobertura cerca de 80% de todo o território em termos de bacias de visibilidade. E tudo isto associado à estratégia da Guarda Nacional Republicana de vigilância do espaço rural. Porque é precisamente à Guarda Nacional Republicana que compete esta tarefa.

A Guarda Nacional Republicana é a responsável por todas estas ações de vigilância do espaço rural e tem que se coordenar com todas as outras estruturas que constituem um sistema. Posso dizer que nas Terras Altas, aqui o distrito de Bragança, as forças que integram este sistema caracterizam-se pela sua grande organização, pela maturidade do planeamento operacional e pela estratégia que aqui é conduzida, o que tem, de facto, sido também reconhecido pelas estruturas como um bom exemplo para o trabalho que é feito nestas áreas.

Dizer-lhe ainda que é de notar todo o trabalho que as outras estruturas fazem, portanto, o ICNF, as equipas locais das próprias autarquias, as equipas já profissionalizadas dos bombeiros. Todo este sistema, eu devo dizer que nas terras de Trás-os-Montes, estão muito bem aliadas e estão muito bem entrosadas.

Os incêndios de 2025 demonstraram que nós não podemos fazer frente à força da natureza, porque chega uma altura em que os próprios meios não permitem o combate eficaz, mas o apoio às populações, a antecipação do perigo esteve sempre garantido. E devo dizer que são estes casos de sucesso que devem refletir uma visão muito positiva, de muita segurança e que a comunidade pode acreditar e pode contar com as forças que integram o sistema e neste caso com a Guarda Nacional Republicana.

JN: Essa é a mensagem que deixa à população, que a Guarda não é só para os momentos maus, a guarda também pode ser muito mais que isso?

ALC: A guarda é sempre mais que isso, repare. O que é que justifica a nossa existência? O que é que nos move? Porquê é que nós estamos aqui? O que é que nós somos?

Nós não somos uma organização. Nós somos uma instituição. As instituições juram a bandeira. Nós honramos este compromisso. E ao jurarmos a bandeira, ao assumirmos este compromisso, nós estamos junto da comunidade. O que justifica esta transcendência que nos ultrapassa, a cada um de nós como militares, como soldados, como polícias, é precisamente esta: nós movemos por este sentimento de serviço. Nós estamos cá para servir. Eu fico muito contente como comandante, quando, por exemplo, durante os incêndios do ano passado, os militares, movidos, precisamente, por estes valores, por esta crença, por esta forma de estar, se apresentaram no posto de comando. Estavam de férias mas diziam que queriam estar aqui.

Portanto, são estas coisas que marcam a diferença, que marcam este conjunto de militares e civis que trabalham no distrito de Bragança. Por isso, a população contará sempre com a sua guarda. Nós somos a guarda, a guarda das pessoas.

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Cindy Tomé