Adérito Pinela: Testemunho de um Dia Histórico
Este último fim de semana de abril foi vivido com intensidade e alma cheia na nossa região. Entre os dias 25 e 26, a tradição voltou a sair à rua com a realização da 31ª Feira Franca da Moimenta, ponto de encontro de gerações, onde o convívio, os sabores da terra e a identidade local se cruzaram num ambiente genuíno. Ao mesmo tempo, em Constantim, no concelho de Miranda do Douro, realizou-se a grande Romaria Internacional de Nossa Senhora da Luz, um momento de fé profunda que continua a unir povos.
Mas este fim de semana trouxe-nos também uma data maior da nossa história: o 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos, que devolveu a liberdade ao povo português. E foi precisamente essa liberdade que esteve no centro do nosso programa Bom Dia Tio João, numa emissão verdadeiramente marcante e carregada de emoção.
Durante quatro horas, a rádio transformou-se num espaço de memória viva. Foram muitos os que participaram, muitos deles com histórias de vida anteriores ao 25 de Abril, testemunhos sentidos de quem conheceu o silêncio imposto, o medo de falar, a ausência de direitos que hoje damos como garantidos. Ao longo da emissão, ouviram-se canções da liberdade, palavras de gratidão e muitos “vivas à liberdade” ditos com emoção genuína. Houve lágrimas, houve risos, houve desabafos, mas acima de tudo houve verdade. Foi um daqueles programas que não se esquecem, onde cada voz trouxe consigo um pedaço de história e cada silêncio carregava emoção.
Percebeu-se, mais uma vez, que Abril não é apenas passado, é presente e é responsabilidade. Cada testemunho partilhado foi uma lição para os mais novos e uma confirmação para quem viveu esses tempos: a liberdade tem valor, tem história e tem de ser cuidada todos os dias.
Bragança viveu ainda outro momento alto, com a Queima das Fitas do Instituto Politécnico de Bragança, enchendo a cidade de juventude, orgulho e esperança. As ruas ganharam cor, as famílias reuniram-se, e celebrou-se o esforço de tantos estudantes que agora terminam uma etapa importante das suas vidas. Foi um dia de abraços apertados, de lágrimas de alegria e de futuro a nascer diante dos olhos de todos.
E é neste contexto de memória, celebração e identidade que surge o testemunho do tio Adérito Pinela, de Sacoias, Bragança, nosso grande amigo e companheiro desta família. O seu testemunho é um retrato vivo de quem esteve no lugar certo num dos momentos mais marcantes da nossa história: a Revolução de 25 de Abril de 1974. Na altura, era polícia em Lisboa e encontrava-se de serviço nessa madrugada decisiva, sem imaginar que iria viver um dos dias mais transformadores de Portugal.
Chamado para uma missão urgente ainda de noite, por volta das quatro ou cinco da manhã, seguiu para o terreno envolvido num ambiente de tensão e incerteza. No cumprimento do seu dever, integrou o grupo que acompanhou e protegeu Marcelo Caetano. Foi nesse contexto que ouviu, de forma direta, palavras que nunca mais esqueceu: “Está-se a dar o 25 de Abril, se Deus quiser Portugal segue por um novo caminho.”
Essas palavras ficaram-lhe cravadas na alma. No momento, eram apenas um eco no meio da confusão, mas carregavam o peso de uma mudança histórica. Só mais tarde, já pela manhã, ao ver o povo a sair à rua em massa, percebeu verdadeiramente o alcance do que estava a acontecer.
O tio Adérito viveu esse instante com coragem, sentido de missão e emoção contida. Esteve quinze dias sem regressar a casa, dedicado ao serviço, num tempo de incerteza, mas também de esperança. Foi testemunha direta de um virar de página, o dia em que Portugal começou a escrever, com coragem e confiança, um novo destino.
Entre tradição, fé, juventude e memória, este foi um fim de semana que nos recorda quem somos e de onde vimos. Abril vive em nós, nas palavras, nas histórias e na forma como escolhemos viver em liberdade, todos os dias.
Nos últimos dias estiveram de parabéns: Lúcia Salazar (103) Torre de Dona Chama; Alzira Marques (83) Genísio (Miranda do Douro); Abílio Morais (83) de Vila Nova de Monforte (Chaves); Amílcar Rodrigues (81) Milhão (Bragança); Joaquina Lopes (76) São Julião (Bragança); Domingos Pires (64) de Santulhão (Vimioso); Célia Neves (64) de Vilarinho de Lomba (Vinhais); Ana Maria (59) de Estorãos (Valpaços); António Costa (54) de Jou (Murça); José Carlos Branco (45) de Vale de Lamas (Bragança); Patrícia Meirinhos (41) de Grijó (Bragança);Vânia Terruel (36) de Veigas de Quintanilha (Bragança); Hugo Miguel (35) do Milhão (Bragança); Rúben Brigas (26) de Especiosa (Miranda do Douro); Paulo Jorge (22) de Bragança; Gonçalo Carneiro (11) de Estorãos (Valpaços); Martim Morais (11) de Rio Frio (Bragança); Henrique Luís (9) de Bragança; e Matheu Lopes (5) de Estorãos (Valpaços).Para todos, um abraço do tamanho do mundo, com votos de muita saúde e paz
