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Carlos Silvestre

Professor de Português-Francês Secretário Regional do SEPLEU

Empurrar os Problemas com a Barriga – O Aumento do Número de Alunos por Turma devido à falta de professores – Parte I

Este governo, tal como os anteriores governos dos últimos 52 anos são pródigos, em empurrar com a barriga, os problemas que lhes surgem.

21 out. 2026, 13:00

Escrevo há muitos anos sobre os problemas da educação/formação (E/F), mas sempre apresentei soluções. Pesquisem. Hoje, reafirmo que, este governo, tal como os anteriores governos dos últimos 52 anos são pródigos, em empurrar com a barriga, os problemas que lhes surgem, mas honra lhes seja feita numa coisa: Todos são excelentes na oposição. Mas, esta minha frase não é, totalmente correta, pois tenho de destacar 3 governos e 3 ministros de educação (ME) que, na verdade, quiseram ser diferentes e pensaram no país e não neles: o ex-Ministro Roberto Carneiro, o ex-ministro Marçal Grilo e o ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins. Foram sem dúvida aqueles que promoveram a E/F dos portugueses e é, ainda, graças ao seu trabalho que o nosso sistema educador/formador se vai aguentando. Todos os outros não só não fizeram nada, como ainda exponenciaram enormes problemas nesta área. Enquanto estes que foquei eram investigadores e ouviam todos os seus pares e investigadores que sempre alertaram, por exemplo, para o problema actual da falta de professores, os restantes nunca quiseram saber e até eram cáusticos com quem os alertava, para este actual problema. Exceptuando os 3 ME focados, digo que, pelo menos, desde o tempo da Manuela Ferreira Leite que esta forma meia ditatorial de fazer políticas educadoras/formadoras é mesmo muito triste. Será que custa tanto assim, ouvir quem está no terreno, quem investiga e depois planear a longo prazo, com, pelo menos, 3 variáveis para evitar, no caso em apreço, o que hoje se passa? Ou seja, para mim, tendo em conta as seguintes 3 variáveis podíamos ter evitado tudo isto:

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1ª - Criar vagas para candidatos a professores entrarem em cursos e não ter fechado os cursos e reduzir drasticamente essas vagas para formar professores;

2ª - Ter em conta a natalidade do país e os estudos migratórios que o mundo tem gerado neste século;

3ª – Saber as datas das aposentações, isto é saber quantos professores se vão reformar todos os anos. Simples, certo? Nada que um excel não fizesse. Portanto, esquecendo a desautorização dos professores, a falta de respeito e o denegrir da dignidade que os governantes fizeram passar da imagem da profissão de professor, o maior problema da falta de professores tinha de ter começado a ser combatido há, pelo menos 20 anos atrás, uma vez que em 2007, o maior cancro europeu (a UE e os que nos governam sem serem eleitos), resolveram criar um mecanismo para acabar, no papel e estatisticamente falando, por um lado, com o analfabetismo e, por outro lado aumentar as habilitações dos europeus, com o famoso Processo de Bolonha. Isto foi mais uma das enormes falsidades da UE, pois, foi este Processo de Bolonha que permitiu o facilitismo que temos hoje e que em Portugal uma pessoa chamada Maria de Lurdes Rodrigues resolveu aderir com uma raiva destrutiva, porque foi ela (com a triste frase: posso ter perdido os professores mas ganhei a opinião pública), que a par de Manuela Ferreira Leita resolveu voltar a atacar os professores de todas as formas, desautorizando-os, desvalorizando a carreira, congelando-a, cortando-lhe salários (como fez o Passos Coelho), mandando-os emigrar (como fez Passos Coelho e António Costa), dando-lhes tarefas não pedagógicas, aumentando-lhes o trabalho burocrático para lá do admissível e que se mantém até hoje, desfocando-os do ensino-aprendizagem e da pedagogia que devia ser nisso que os professores se deviam focar. Estes e outros factos foram os que fizeram com que as pessoas que queriam ser professores depressa tivessem percebido que esta não era uma profissão com futuro. A par disso com a mudança para Bolonha, com os incríveis cursos de educação básica (acabando com a especialização em áreas, como eram os cursos das variantes, por exemplo português-inglês, matemática e ciências etc), mais rápido se destruiu todo o sistema educador português que os 3 ministros que foquei antes implementaram e promoveram… muito mais há a dizer…fica para a semana…

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