Ronda das Adegas voltou a ser um dos pontos altos do Festival D'Onor

Festival D'Onor voltou a atrair visitantes à aldeia transfronteiriça e reforçou aposta na preservação das tradições.

20 jul. 2026, 09:11

A aldeia de Rio de Onor, em Bragança, voltou a afirmar-se, este fim de semana, como um dos principais palcos de promoção das tradições raianas com a realização de mais uma edição do Festival D'Onor. A iniciativa reuniu milhares de visitantes e voltou a destacar momentos como a já habitual Ronda das Adegas, onde moradores abriram as portas das suas adegas para receber os visitantes com petiscos e vinho.

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Alexandre Preto, de 82 anos, abriu as portas do seu espaço e explicou o significado da iniciativa. "Fazemos por todos esta pequena merenda misturada com vinho para trazer pessoal. E para mim, isto é o mundo."

O morador destacou ainda a importância do festival para uma aldeia marcada pelo envelhecimento da população. "É uma alegria, porque nos dias da semana somos umas 30 pessoas. A mais nova tem 50 anos e a maior parte tem cerca de 80 anos. Não podemos deixar morrer a tradição."

Também Domingos Fernandes, de 82 anos, responsável por uma das adegas mais antigas da aldeia, participou na iniciativa, mantendo uma tradição que acompanha o festival desde a primeira edição. "Abro a minha adega desde que o festival começou."

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Entre os produtos disponibilizados aos visitantes não faltaram os sabores típicos da região. "Faço uns aperitivos, como presunto, salpicão e chouriço às rodelas. E vinho não pode faltar."

Domingos Fernandes admitiu que, inicialmente, tinha dúvidas quanto ao sucesso da iniciativa, mas reconheceu a evolução registada ao longo dos anos. "Pensei que não ia resultar, mas de ano para ano vai aumentando o número de pessoas que passa por aqui."

Entre os visitantes encontrava-se Valéria Benítez, natural de Lisboa e atualmente residente em Bragança, que garantiu não perder uma edição do festival. "Venho todos os anos. Gosto muito desta região e não me arrependo nada de ter vindo."

Na sua opinião, iniciativas deste género desempenham um papel importante na dinamização do território. "Esta aldeia tem sempre muito turismo e muita vida, mas é importante promover várias atividades nas aldeias, precisamente porque há cada vez menos pessoas e a população está muito envelhecida."

Uma das novidades da edição deste ano foi a criação de um terceiro palco, instalado na parte espanhola da aldeia, em Rihonor de Castilla. Segundo Miguel Tabuada, da organização, a aposta pretendeu reforçar o carácter transfronteiriço do festival.

"Este terceiro palco é uma novidade. Está situado na parte espanhola, em Rihonor de Castilla. A cultura não tem fronteiras e, aqui em Rio de Onor e Rihonor, muito menos. A música faz essa ligação entre os dois países e entre as duas tradições."

De acordo com a organização, esta foi a edição com maior participação de sempre na Ronda das Adegas, registando-se uma forte adesão logo desde o início da atividade.

 Ao longo dos vários dias do festival, a organização estima a visita de cerca de sete mil pessoas, número que será apurado através dos contadores instalados nos acessos à aldeia.

Miguel Tabuada destacou ainda o impacto económico do evento, referindo que mais de 60% dos visitantes eram provenientes de fora do distrito de Bragança e que cerca de 45% eram espanhóis.

O recinto contou com cerca de 36 expositores, maioritariamente dedicados ao artesanato e aos produtos locais. A organização voltou a dar prioridade aos artesãos da freguesia, numa aposta na valorização dos produtos tradicionais, como artigos em madeira, couro e as emblemáticas navalhas artesanais.

Com um orçamento na ordem dos 30 mil euros, complementado por apoios em serviços de entidades portuguesas e espanholas, o Festival D'Onor continuou a afirmar-se como um evento de caráter familiar e intergeracional, reunindo crianças, pais e avós em torno das tradições da raia, ao mesmo tempo que reforçou a sua importância na dinamização cultural, turística e económica de Rio de Onor e do concelho de Bragança.

 

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